10 junho 2013

As vozes dos outros (7)

 



(...) Sendo nós portugueses, convém saber o que é que somos.


a) adaptabilidade, que no mental dá a instabilidade, e portanto a diversificação do indivíduo dentro de si mesmo. O bom português é várias pessoas.


b) a predominância da emoção sobre a paixão. Somos ternos e pouco intensos, ao contrário dos espanhóis — nossos absolutos contrários — que são apaixonados e frios.


Nunca me sinto tão portuguesmente eu como quando me sinto diferente de mim — Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Fernando Pessoa, e quantos mais haja havidos ou por haver. (...)


 


 


Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação. Fernando Pessoa. (Textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1966.

09 junho 2013

A luz

 



Laury Dizengremel


 


Tenho tanta pressa no apagar


dos sentidos no reacender da alma


que me foge como se quisesse fintar


o tempo que me falta a luz


que incendeia o teu olhar.


 


 

Nós e os outros

 



Rodrigo Leão


 

Folhas

 



Grant Berg 


 


Aproximo-me da noite em caminhos de curvas


mas na estreita direcção do tempo. A distância


encurta os passos alongados das árvores


que em ciclos de folhas refazem a eternidade.


 

As vozes dos outros (6)

 



(...)Talvez porque eu pense de mais ou sonhe de mais, o certo é que não distingo entre a realidade que existe e o sonho, que é a realidade que não existe. (...)


 


 


Livro do Desassossego


Bernardo Soares


 

As vozes dos outros (5)

 



(...) Porque eu sou do tamanho do que vejo


E não do tamanho da minha altura... (...)


 


 


“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993). - 32.

 

Da política de consensos

 


Ainda não percebi muito bem a estratégia do consenso abraçada agora por António José Seguro.


 


Em primeiro lugar era importante que se percebesse exactamente quais as medidas alternativas que o PS sugere, em ralação à política seguida por esta maioria que nos governa, para saber que consensos procura, em que áreas e de que forma se vão traduzir - coligação eleitoral ou bases programáticas para algumas medidas ou repartição de lugares chave em lugares chave ou apoio parlamentar ou... o quê? E com que forças políticas? À direita, à chamada esquerda ou tanto faz? Ou regressa a expressão que nada significa de Sociedade Civil?


 


Eu vejo com muito cepticismo e muita apreensão a retórica do consenso a todo o custo, tal como via e vejo a austeridade a todo o custo. Eu também defendo que deveria haver uma plataforma mínima de entendimento com os partidos que se dizem à sua esquerda. Mas há algo de muito essencial de que não convém esquecer - o PS faz parte de uma área política que defende a democracia enquanto o PCP e o BE mantém discursos e práticas de forças de cariz autoritário. Felizmente, não só pela interpretação dos resultados eleitorais mas por aquilo que as sondagens vão indiciando, a enorme maioria do povo não se revê na sociedade e na política que esses dois partidos defendem.


 


Por isso, qual é exactamente a ideia de António José Seguro? E em relação ao CDS, onde poderão estar as pontes de entendimento com o CDS? Não seria interessante que o líder do PS tornasse claro o seu pensamento, ou teremos que votar nas incógnitas e nas surpresas pós eleitorais?


 


Não me parece que estejamos dispostos a isso. Que este governo deve cair não tenho dúvidas. Mas avolumam-se as dúvidas quanto à actuação do PS, que deveria marcar a agenda política e liderar as negociações, com condições transparentes e conhecidas dos eleitores. Há cada vez menos capacidade de passar cheques em branco. Há demasiado em jogo para jogos florais e de bastidores.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...