11 maio 2013

Da problemática dos exames

 



 


Tem havido uma enorme campanha contra a existência de exames nacionais no 4º ano do Ensino Básico, baseado nas crenças modernas do que traumatiza as crianças. Os conhecimentos que tenho de pedagogia e de psicologia infantil são apenas aqueles que os cidadãos têm e que, pelo facto de terem sido pais, foram e são obrigados a rever em alturas de conflitos, de crises ou, simplesmente, quando confrontados com as surpresas do crescimento.


 


Quanto ao folclore montado à volta dos nervos, do regresso ao passado, do salazarismo dos exames, das ansiedades, dos pedidos de declarações de honra a crianças tão novas, da enorme deslocação para outra escola, do medo por não estar em ambiente conhecido, é a melhor forma de transformar algo banal e habitual no percurso de um estudante num momento aterrador e impossível de ultrapassar.


 


Muito pouca confiança temos nos nossos filhos, que nem são assim tão indefesas ou presas de quaisquer alterações mentais sem fora da confortável e acolchoada rotina dos dias, nem são raposas à espreita da primeira oportunidade para fazerem trapaça. Faz parte da vida assumir responsabilidades, ser-se posto à prova, ultrapassar obstáculos, são importantes os rituais de passagem. Os exames devem ser encarados como provas naturais para quem estuda. O facto de serem prestadas numa instituição diferente e por professores desconhecidos apenas asseguram que as crianças todas tenham as mesmas oportunidades. Todos sabemos, e a responsabilidade aqui é dos adultos que são professores, que muitos dos resultados das provas de aferição não eram fidedignos pois havia sempre alguns professores que ajudavam na resolução dos testes, o que era extremamente injusto e enviesava as possíveis avaliações posteriores à validade das mesmas. Quanto aos telemóveis, também me parece um exagero pedir uma declaração de honra em como não os usariam. Mas não me iludo com a ideia angelical de que nunca se lembrariam de tal, nem com a certeza de que naquela idade não sabem o que é honra. Isso é uma menorização que eles próprios não aceitam.


 


Outro assunto muito diferente é se na verdade haverá alguma vantagem para os alunos e para o sistema de ensino com a realização de exames nacionais neste nível. O que mais me preocupa não são os exames, são a resposta que o sistema deveria poder dar a quem não passa nos exames - esse é que me parece o problema mais importante para resolver. Onde estão as políticas de reforço e acompanhamento de quem tem mais dificuldades? O que está pensado ao longo do ano, como diagnóstico destas situações? Quais os professores que investem nos alunos que não passaram? Quais os motivos do insucesso, como evitá-los e ultrapassá-los?


 


Não me recordo de nada nas diversas declarações e notícias, nos circos montados à volta das escolas esperando que alguma criança estivesse em prantos antes ou a seguir às provas. Não me lembro de ter visto questionar os responsáveis do que pretendiam fazer com as crianças que não tiverem atingido os conhecimentos que se pretendia. Isso é o que realmente interessa.


 

09 maio 2013

Da lama

 


A pouco e pouco vão-se desmontando as mentiras e as calúnias com que se cobriram vários protagonistas da governação anterior. Infelizmente já ninguém pode reparar os enxovalhos a que tantos forma expostos e não há processos de difamação que apaguem o sofrimento dos que foram julgados em praça pública. Os responsáveis por tanta lama, a pretexto da luta contra a corrupção, não são mais do que peões, mutas vezes voluntários, numa luta política suja e antidemocrática, e fazem parte de grupos profissionais que deveriam ser a segurança da sociedade, como por exemplo jornalistas, advogados, investigadores e magistrados.


 

06 maio 2013

Do castigo dos funcionários públicos

 


Rescisões amigáveis



(...) quem aceitar seguir este caminho já não poderá voltar a trabalhar ou prestar serviços a qualquer órgão da Administração Central, Regional ou Local, empresa ou instituto público. (...)


 


Público


Para que serve o poder?

 



 


Paulo Portas fez um discurso de Primeiro-ministro. Calmo, pausado, explicativo, sofrido, assumindo a necessidade de renegociar com a troika e não aceitando a inacreditável taxa de sustentabilidade para os pensionistas. Concorde-se ou não, Paulo Portas fez o discurso que deveria ter sido o de Passos Coelho.


 


E assim temos um governo de coligação em que o Primeiro-ministro faz uma triste figura num dia e o parceiro de coligação demonstra como se deve posicionar o País, em relação aos seus credores, e como deve ser um político que procura o apoio da população.


 


Pulo Portas continua a esticar a corda mas ainda não a fez rebentar. Esperará ele que o seu eleitorado se manterá, ou mesmo crescerá, à custa do eleitorado do PSD? Ou perdeu o tempo certo e justo para romper?


 


António José Seguro não marca a agenda. Nem tão pouco o Presidente. Maria de Belém Roseira tem razão - Paulo Portas é o político com mais poder, mas não sei se tem noção do que fazer com ele.


 

Apenas há 2 anos

 



 


Parece ter sido há mais de quatro décadas, mas foi apenas há 2 anos. Não deveremos esquecer o penteado, a compostura, o ar grave e sério, a voz colocada de cantor lírico, ã empáfia de salvador da Pátria, o populismo exacerbado ao prometer viajar sempre em económica, a inflexão de Autoridade, o enaltecimento do rigor sem o cimento das ideias, da ética e dos valores, palavras que abrilhantam os discursos, a pose de estado, o rictus teimoso, e o vazio, o vazio, o vazio, o vazio, o vazio, o vazio, o vazio,...


 

05 maio 2013

Infância

 



Poema de Carlos de Oliveira 


 


Sonhos


enormes como cedros


que é preciso


trazer de longe


aos ombros


para achar


no inverno da memória


este rumor


de lume:


o teu perfume,


lenha


da melancolia.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...