Jornalismo a sério.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
É bom que comecemos todos a pensar em quem deve substituir Cavaco Silva, de forma a devolver a dignidade a um cargo que tem sido amesquinhado e menorizado por este Presidente da República.
Cavaco Silva não sabe responder ao tempo que vivemos, não é capaz de ser uma referência de equilíbrio e apartidarismo, não representa o País nem garante a Constituição que jurou defender.
Após 39 anos da fundação do regime democrático, há que fazer uma profunda reflexão, iniciando pelo papel e importância das Instituições, a começar pela Presidência da República. E um indispensável passo para essa inevitabilidade é que seja eleito um Presidente em quem possamos confiar e de quem nos possamos orgulhar.
O PS está em congresso, o último antes das próximas eleições legislativas. Para além das críticas a Cavaco Silva e das juras de união do partido, sufragadas por António Costa, Pedro da Silva Pereira, Francisco Assis e outros, continuamos a ouvir dizer a todos os protagonistas que é necessário apresentar uma alternativa credível ao governo PSD/CDS.
Infelizmente ainda não apareceu. Não há nada nos discursos que se ouvem, para além da já conhecida mão cheia de frases feitas, como agendas para crescimento e pactos para o emprego, que nos dê um vislumbre das soluções do PS.
Onde está a definição de uma política de alianças para a construção de um governo maioritário? É com o CDS, com o PSD ou com o BE e/ou PCP? Quais as condições? Qual a plataforma de entendimento, baseada em medidas concretas para uma legislatura? E os parceiros sociais? O que fazer em relação à renegociação do memorando de entendimento? Qual a força negocial e quais as contrapartidas que um governo liderado pelo PS teria a negociar?
Onde estão as medidas para acordar em meio de concertação – a reforma do Estado, as leis laborais, a manutenção do estado social, com os apoios aos desempregados, a definição de salários mínimos, as alterações nas reformas, a continuidade do SNS com a indispensável aposta nos cuidados primários, retirando o centro do SNS da rede hospitalar?
Onde está a resposta às críticas à política de Educação deste governo? O que fará em termos de política fiscal? Devolve as remunerações aos cidadãos ou mantém o confisco que o governo decidiu? O que vai fazer em relação aos transportes públicos, à política energética, à reordenação e reorganização territoriais? E na justiça, o que vai mudar? Onde está o programa, onde está a alternativa, onde está a credibilidade que tanto negam a Passos Coelho?
António José Seguro pode exercitar a sua face mais responsável, encenar indignação e pose de estado; não será o coro de agradáveis congratulações que devolverá a esperança a todos os que anseiam por mudanças. Queremos acreditar mas não basta querer – são precisas respostas, muitas, importantes e já.
Matteo Pugliese
Tenho pena que se não tenha realçado o discurso de Assunção Esteves, que enalteceu a política como a mais pura forma de agir em prole da sociedade, e a democracia como a organização moral que nos pode impelir contra os muros da descrença na solidariedade, justiça e no combate à pobreza, que são as bases da liberdade.
Infelizmente, este é um tempo de negação da política e da democracia em si mesmas, com quotidianos desenganos e desilusões, chegando-se ao extremo de termos um Presidente da República que nega a fundação do regime no próprio dia em que ele se celebra, na casa de todos nós, ou seja, no Parlamento.
Estamos a assistir à transformação da política num romance de cordel, feito de declarações de amor e ódio, de exigências de perdão, cartas e ramos de flores, arrufos de namorados e jantares de velas e perfumes enjoativos. Os partidos enviam aos seus jornalistas as notícias que lhes convêm, e de indignações em indignações passam os dias, sem que se vislumbrem quaisquer resquícios de sensatez, para já não dizer, rasgos de ideias e de imaginação.
A classe média arranja-se aos domingos, regressando os dias de ver a Deus, com penteados bem armados, carteiras dos fundos dos armários e blusões clássicos sem cor, espera na fila do restaurante o menu de prato pequeno, meio de quente e meio de salada, transportando o empobrecimento em tabuleiros de cor baça. Aguarda um qualquer ditador que lhes garanta um salário ao fim do mês.
Será só mais um dia de marcha lenta
em que o sol não ilumina a solidão
que se passeia pela avenida.
Ouço a palavra que comove.
Sem qualquer razão e ciclicamente
levantamos o olhar.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...