06 abril 2013

Apostas

 


Como se previa, o governo culpa o Tribunal Constitucional por todos os males que hão-de vir. Também os comentadores das várias televisões o fazem, de forma mais ou menos explícita. Ou seja, o Tribunal Constitucional é uma força de bloqueio.


 


O pedido de audiência urgente a Cavaco Silva poderá significar o pedido de demissão do governo. Deve haver apostadores frenéticos, arriscando desfechos mais ou menos dramáticos. Mas em democracia há sempre alternativas, enquanto as Instituições funcionarem.


 

Dos nossos enormes problemas

 


Realmente estamos muito precisados de algo ou alguém que nos mobilize, que nos tire do casulo cinzento que esta governo e esta maioria nos construiu. Mas infelizmente não é António José Seguro nem a sua retórica, vazia de projectos e de força, que traduzem a tão almejada esperança.


 


Por maior que seja o desejo de que este governo seja substituído e esta maioria derrotada, pelo que significa de retrocesso e de empobrecimento do país, não vejo que o parlamento resultante de novas eleições nos possa proporcionar um enquadramento político que resulte numa alternativa à recessão e ao desemprego. Primeiro porque o PS não explica, concretamente, quais as medidas exactas que entende poder tomar para cumprir os compromissos que assumiu e, ao mesmo tempo, reverter a trajectória descendente em que navegamos. E depois porque o líder do PS não convence ninguém da sua capacidade de negociar com os outros parceiros e com a Troika.


 


Por outro lado, nem o PCP nem o BE são forças políticas em quem se confie o voto para que façam parte de uma solução de alianças ou acordos parlamentares, no sentido de se formar um governo de base alargada à esquerda. Estes partidos têm sido aliados das forças mais reaccionárias da sociedade, resistindo a qualquer empenho de mudança e defendendo acerrimamente o status quo, independentemente da suposta ideologia professada. Estando o CDS à beira de um desastre eleitoral, apesar dos contorcionismos de Paulo Portas e de outros membros do partido, restaria uma solução minoritária com o PS, o que não é solução. Cavaco Silva tem um imbróglio para resolver, imbróglio que ele próprio patrocinou.


 


Em tormentas estamos e em tormentas iremos continuar. Aguardo as medidas adicionais que o governo vai anunciar. Pelo que se tem ouvido, vai continuar a austeridade a todo o custo, pois as boas notas deste maravilhoso aluno não garantem o alívio da tutela com a adopção de medidas menos gravosas para os cidadãos.


 

05 abril 2013

Legalidade reposta

 


A perplexidade é minha ao ouvir o PSD declarar a culpa do Tribunal Constitucional e a responsabilizá-lo por mais aumento de impostos. Não é possível tamanha tacanhez e obtusidade política.


 


Para variar o Presidente declarou algo importante - as decisões do Tribunal são para cumprir. Portanto, se Passos Coelho não aproveita para mudar de ministro das Finanças e refazer o orçamento, após renegociação do memorando com a troika, não terá o aval do Presidente.


 


Que fará agora o CDS? Vai aguentar uma nova carga fiscal ou desfaz a coligação?


 


Esta é a salvação de que Passos Coelho falava - o nosso reino será mesmo de outro mundo.


 


 

Mistério segundo

 



milagre


Gao Xingjian


 


Segundo mistério o homem desaba entre


os muros de uma cidade sitiada. À volta


fervem vapores sulfúricos gritam mil cabeças de ganso.


Segundo o mistério que nos desequilibra vale mais


a acidez de uma queda que a extrema volatilidade


das almas.


 

04 abril 2013

Remodelação

 


Miguel Relvas demitiu-se. Pelo que ouço e leio nas televisões e jornais online terá sido por causa de um relatório sobre a Lusófona.


 


Na verdade parece-me que, com ou sem relatório, este será o tiro de partida para a remodelação governamental. Com a decisão do Tribunal Constitucional a ser, ao que tudo indica, mais uma derrota para o governo, poderá ser a oportunidade de Passos Coelho para substituir alguns ministros, nomeadamente Vítor Gaspar.


 


A demissão do executivo provocaria novas eleições pois António José Seguro já afirmou categoricamente que não fará parte de um governo sem eleições prévias. Mas para Cavaco Silva essa será a última das últimas opções. Por outro lado, com António José Seguro à frente do PS o quadro parlamentar resultante de novas eleições seria, muito provavelmente, ainda mais complicado do que este - o PS não teria maioria absoluta e não se vislumbram grandes hipóteses de alianças à sua esquerda.


 


Mas o maior problema é mesmo o líder do PS. Sem mudança de liderança o PS não é alternativa, como ficou bem patente na discussão parlamentar da moção de censura, em que o problema do envio de uma carta à Troika, dominou as perguntas e a atenção dos media.


 


Tanta mediocridade dói. E enquanto não se sentir que há uma alternativa credível a esta inqualificável situação, protagonizada pela maioria PSD/CDS, governo, Presidente da República e PS, arrastar-nos-emos penosamente sem ânimo nem esperança.


 

31 março 2013

Tradição

 



 


Em resposta a uma pergunta de um simpático e atento comentador deste blogue, a tradição foi cumprida a preceito. A metade do cabrito partida aos pedaços, em que se destacava a meia cabeça que é sempre um pouco arrepiante, esteve de marinada em vinho, várias ervas, das quais destaco o tomilho e a bela-luz, sugerida (e colhida) por uma Tia bem ciente de saberes e sabores dos montes, sal e xarope de ácer, desde a véspera. Com um pouco de azeite, foi ao formo no tabuleiro do forno assou durante cerca de 1h30, em lume brando, virando-se de meia em meia hora. Juntaram-se castanhas em vez de batatas, e o acompanhamento leguminoso deste ano foi um esplendoroso esparregado.


 


Para a sobremesa pensei em várias inovações com base no bolo podre, pois tinha feito uma geleia de pera que mais parecia mel (ponto a mais). Mas como a recompuz com a compota de pera (ponto a menos), e como as expressões um pouco torcidas de quem me acompanha nestas aventuras, perante a substituição do mel pela dita geleia, não me incentivaram minimamente a tais experiências, resolvi jogar pelo seguro: foi um delicioso pão-de-ló, batido por muitos minutos por uma alma caridosa, regado com um creme de chocolate, aos quais se associaram bocadinhos de ananás muito doce.


 


O vinho foi, também para manter a tradição, Châteauneuf-du-Pape. Enfim, mais umas amêndoas de chocolate branco e negro, foi um verdadeiro festim. Ao menos isso, que o tempo estava muito pouco alegre. E ressuscitar, só mesmo o pecado da gula.


 

Via Crucis, Maria

 



 Barbara Furtuna & L'Arpeggiata


 


 


Sem palavras. Via Jugular.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...