27 janeiro 2013

Muitíssimo apressados

 



 


Ouço vários comentadores, membros de partidos da oposição e próximos do PSD e CDS, a esgrimirem argumentos e a trocarem notas, afirmando que não foram as políticas de austeridade seguidas pelo governo que justificaram o êxito da última semana (extensão dos prazos das maturidades e regresso a Os Mercados). Chegam mesmo a afirmar que esta operação estava mais do que garantida, quando há poucos dias se vaticinava a muito próxima queda do governo, por incumprimento da almejada promessa de regresso a Os Mercados, em Setembro.


 


Obviamente que não foram as políticas deste governo que estiveram na génese desta boa notícia como não foram as políticas de Sócrates que motivaram as péssimas notícias, em 2011. Mas são mesmo boas notícias, mesmo que sejam apenas um sinal, mesmo que sirvam apenas para animar um pouco o moral do país. E não podemos ignorar que o governo e os partidos da coligação souberam gerir politicamente estes factos, de forma a darem a entender que isto é o prémio alcançado pelas boas políticas implementadas e que, tal como tinham prometido, estão a salvar Portugal.


 


O PS tem obrigação de desmontar as manobras e desconstruir esta narrativa, dizendo como se faz de modo diferente. Não basta repetir expressões como medidas para o crescimento económico, combater o desemprego, estado social, etc. É urgente conhecer o pensamento do maior partido da oposição sobre as políticas sociais e económicas, qual a sua visão das funções do estado e como sustentá-las, como pretende apostar na qualificação e no conhecimento, como devolver a esperança a quem, diariamente, desiste do país.


 


O PS tem obrigação de se preparar para governar e de ser uma verdadeira alternativa. Enquanto António José Seguro estiver à frente do partido, Passos Coelho arrisca-se a manter-se no poder, mesmo com o rebuliço dentro do próprio partido e na coligação. Estamos mesmo muitíssimo apressados.


 

24 janeiro 2013

Um dia como os outros (123)

 



(…) Apesar de o memorando com a troika ser da co-autoria do PS, o partido remeteu-se ao silêncio distante quando não à crítica aberta ao seu conteúdo, desvalorizando a negociação que fez, não defendendo com convicção nenhuma das propostas nele contidas e, sobretudo, não pontuando, como acho que era seu dever, a diferença entre o que efectivamente constava do memorando e o que lhe foi sendo acrescentado, desvirtuando os equilíbrios nele contidos e pondo em marcha o programa próprio do PSD. Também não vimos o PS - nem nenhuma outra força - apresentar balanços próprios da sua execução, e de como as áreas socialmente mais penalizadoras foram avançando e outras que faziam reformas contra poderes fácticos foram sendo adiadas ou esquecidas.


 


(…) Esta atitude alimenta a ficção de que o país não precisa de reformas, prolonga o embuste de que o país precisa apenas de cortar as famosas "gorduras do Estado", tem subjacente uma atitude conservadora sobre a reforma do nosso modelo social e é incapaz de definir novas direcções de reformas necessárias para um ajustamento que, como todos, terá que ter alguma dose de dor.


 


(…) Aliado à irresponsabilidade à sua esquerda, recusa-se a integrar uma Comissão Parlamentar de Reforma do Estado, boicotando uma discussão em que há que denunciar a agenda do adversário e ter agenda própria e não que defender o corolário conservador da bondade do que existe. Apenas uma séria razão de Estado deve fazer um partido parlamentar recusar integrar uma comissão parlamentar. A banalização desse gesto diminui, o partido, o Parlamento e a democracia.


 


(…) É contraditório dizer-se que se está a acelerar prazos de apresentação de propostas e simultaneamente estar-se a atrasar a relegitimação ou substituição, que inevitavelmente terão que ocorrer, dos protagonistas. Mas não é a primeira nem a mais importante das contradições. Marcar eleições é uma responsabilidade do líder, que deve ler a sensibilidade do partido e do país e tomar decisões. O que não precisamos é de juntar aos problemas sérios de Portugal um tabu partidário risível. Passados dois anos de governo PSD-CDS importa-me mais saber que alternativas de reforma apresentamos e que solução de governabilidade propomos. Oxalá apareçam no momento certo tantos candidatos a liderar o PS quantas essas alternativas e os socialistas decidam quem ganha a pensar na relevância do partido para o futuro do país. Seria uma ruptura séria com o tacticismo que adormeceu o partido há uma década e contagiou a maior parte senão todos os seus principais dirigentes de então e de agora.


 


Paulo Pedroso


 

23 janeiro 2013

Boas notícias

 


Cumpre-se o défice de 5%, a emissão de dívida pública foi um sucesso e há várias vozes no PS a pedir antecipação de congresso, com a possibilidade de discutir a actual liderança socialista.


 


Independentemente do desacordo com o governo, com o empobrecimento geral e a política de substituição de um estado social por um assistencialismo alicerçado em juízos morais, há uma inequívoca vitória do governo nesta operação financeira. É indispensável que a oposição apresente uma alternativa credível e sustentada.


 


O PS deve apresentar-se ao eleitorado com soluções. António José Seguro não tem pressa, mas nós temos.


 

19 janeiro 2013

Jeux Interdits

 



Jeux Interdits

Romance


 Fernando Sor


Narciso Yepes


 

Ainda

 


Vejo cada vez menos televisão e ouço cada vez mais rádio. Pares da República, Governo Sombra, Bloco Central. É tão refrescante ouvir gente inteligente a dizer coisas inteligentes.


 


O que faz António José Seguro ainda na liderança do PS?


 

Sal

 



Salt painting


Dana Jo Cooley


 


 


Um dia de punhos apertados. No teu peito


a irmandade dos povos desabridos desastre


exato e metódico como manto de fado milenar.


 


Habita-nos um pequeno monstro cinzento


que olha e ri das faces demolhadas em banhos de sal.


Ressequidos os montes e cumes de burburinho ocupado


de tantas mãos vazias. Um dia a menos


que a falta do teu peito faz a vida inútil e comprida.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...