16 setembro 2012

Um dia como os outros (119)




(...) Há ocasiões em que a intermediação política às vontades de um poder exterior acaba por se revelar um logro em que só o próprio acredita. (...)




A. Teixeira

15 setembro 2012

Ambivalência

 



 


Olho para as imagens das várias manifestações com um misto de emoções. Por um lado a satisfação de ver que tanta gente se mobilizou. Por outro a certeza do meu divórcio com a repetição destas palavras de ordem, com a mescla de razões e motivações, com o apelo ao que de mais primário nós temos, com o uso e abuso do conceito de sociedade civil. Comovem-me as histórias que ouço, revolta-me a estupidez e a crueldade da política deste governo. Mas lembro-me muito bem das últimas eleições legislativas em que o povo, livremente, deu a maioria a esta coligação. E se fosse chamado a votar agora, muito provavelmente o resultado seria semelhante.


 


Não tenho a ilusão da mudança do governo. Tenho é esperança que tenha algum respeito pela que pode acontecer - a resistência passiva, a pequena fuga diária aos impostos, o aumento do desespero que leva aos desacatos e à violência primária a que temos assistido ultimamente, a desistência total que quebre os ânimos, o afundamento da economia e o aumento da recessão.


 


O Presidente resolveu dar um sinal ao convocar o Conselho de Estado. Perante a gravidade da situação aguardo uma centelha de bom senso por parte de Passos Coelho. E espero que o Presidente nos surpreenda e assuma as suas responsabilidades. A troika não pode ser a desculpa do descalabro a que assistimos.


 


Os partidos políticos são os veículos para a representação dos cidadãos. Diabolizar os políticos, os militantes e o regime pluripartidário é perigoso. As acusações populistas de gatunos que se ouvem e se usam como bandeiras, as manifestações agora conhecidas como inorgânicas, tão aplaudidas por responsáveis políticos, jornalistas e anónimos cidadãos, não são mais puras do que as convocadas por partidos ou por centrais sindicais e não são alternativas aos partidos. Até hoje, e apesar de todos os seus defeitos, este é o melhor regime, com assembleias constituídos por deputados eleitos, com formação de governos por gente que venha dos partidos, ou das empresas, ou das academias, ou dos sindicatos.


 


Olho para o dia de hoje com um misto de pena por ter perdido a capacidade de acreditar que esta revolta signifique mudança.

Outras vias

 


Ouvi Nuno Ramos de Almeida explicar à SIC notícias o percurso da manifestação, que passaria em frente à sede do FMI para protestar contra a troika e o memorando. Que era uma manifestação em consonância com outras noutros locais da Europa e que era preciso mudar de políticas.


 


A minha manifestação é contra o governo, não é contra a troika, nem contra o memorando, nem a favor de um internacionalismo manifestante, por muito interessante que seja. Não vou engrossar uma manifestação com objectivos que não subscrevo, por muito que me apeteça manifestar-me. Esta não é a minha manifestação. E não aceito apenas duas vias: ou se está connosco ou se pertence à reacção. Eu ainda acredito em terceiras, quartas, enésimas alternativas.

13 setembro 2012

Das reticências crescentes

 



 


Não é contra a troika que me manifesto mas contra o governo. Não me revejo nas palavras demagógicas do BE e desconfio das suas motivações. Não concordo com as irrelevâncias das indignações do PCP, idênticas a todas as indignações contra todos os governos desde 1975.


 


Mas não posso acomodar-me no desconforto que me causam estas companhias, não posso assustar-me com as inaceitáveis atitudes de arremessos de ovos, tomates, pedras ou seja o que for aos governantes, nem com a hipocrisia e a encenação das manifestações caçadoras de ministros, não posso esperar que todos sejam iguais e tenham exactamente os mesmos sentimentos que eu, todos os sentimentos.


 


Não poderei alhear-me da revolta que tenho e que temos. Com todas as reticências do mundo, cada vez estou mais reticente em ficar em casa no próximo sábado.

Tudo exactamente na mesma

 


Resumindo:



  1. O Presidente da República não vai fazer nada.

  2. António José Seguro salvou a face, mas nada me convence que ele não conhecia as medidas anunciadas.

  3. Ou Passos Coelho está a mentir ou Paulo Portas está completamente entalado.

  4. Vai ficar tudo na mesma.


Resta aos Deputados assumirem a sua responsabilidade. É preciso que o Tribunal Constitucional tenha oportunidade de se pronunciar, instado pelo Presidente ou pelos Deputados.


 


Não é possível que estejamos reduzidos a um Primeiro-ministro que se lamenta pelo facebook, a um Ministro que se exila no Brasil e se permite enviar recados para Portugal, a um Ministro das Finanças que é o único a ver a luz. Em democracia tem que haver alternativas.


 


Continuo à espera que este governo se desmorone. Talvez espere um milagre.

12 setembro 2012

...e ainda não acabou...

 


...pois vêm aí medidas adicionais para reduzir o défice deste ano, cujas previsões são de mais de 6%. O governo continua a ir para além da troika.

A barbárie e o fanatismo

 



 


A morte de um diplomata americano às mãos do fundamentalismo muçulmano é inaceitável e nunca será demais dizê-lo. A liberdade de expressão é um valor mais sagrado que qualquer credo religioso.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...