12 setembro 2012

Que se lixe... o governo!

 



 


A manifestação convocada através do facebook contra a troika - Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas! – está a ter grande adesão. É natural, pois as pessoas estão revoltadas e querem ir gritar para a rua, sentindo que não estão sozinhas e que há esperança na união da indignação. Parece-me, no entanto, que não é contra a troika que nos devemos manifestar.


 


Mal ou bem, o pedido de resgate internacional foi feito para acudir ao país, e a troika representa os nossos credores, que tiveram e têm condições, como todos os credores, a impor. Responsavelmente, país e governo que se prezem devem honrar os seus compromissos.


 


Por isso o problema não é a troika. O problema é da interpretação do memorando assinado com a troika e das medidas escolhidas pelo governo para que se atinjam as metas traçadas. Nesse sentido, por muito bem que faça às pessoas juntarem-se e vilipendiarem a troika, essa não é a forma de resolver o problema.


 


Este governo tem dois parceiros de coligação. Parece-me de todo inconcebível que os anúncios a que tivemos direito por parte do Primeiro-ministro e do Ministro das Finanças não tenham tido o acordo prévio do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. Se assim foi, não se consegue perceber a necessidade que Paulo Portas tem de se reunir com a comissão política do seu partido para se pronunciar sobre o assunto. Será que o inconcebível aconteceu? Ou Paulo Portas não se deu conta das consequências destas medidas?


 


António José Seguro foi chamado a S. Bento para um encontro confidencial com Passos Coelho. A evidência sugere que António José Seguro terá ficado a par do que se ia passar. Comprometeu-se a aceitar e foi por isso que reagiu apenas dois dias depois? Tal como o pedido de audiência urgente a Cavaco Silva, uma óbvia encenação mediática, será que também o líder do PS não se apercebeu do que se iria passar? Estas perguntas não são minhas mas de todos quantos tentam raciocinar e encontrar algum fio condutor em tudo isto.


 


O Presidente da República deveria exercer a sua tão propagandeada magistratura de influência, mostrando a Passos Coelho a revolta que não pode deixar de ser tida em conta. Mas o Presidente da República é alguém que se tornou, por culpa própria, totalmente irrelevante o que, no contexto actual, é mais um factor de instabilidade.


 


É no campo político que tudo deve ser resolvido. O CDS deverá assumir as responsabilidades perante o seu eleitorado, tal como o PS tem que sair da letargia e fazer mais que encenar estupores. Pede-se sentido de estado a todos os intervenientes. Pede-se a todos os cidadãos que percebam que é o governo que elegeram que conduz os destinos do país. É contra o PSD e o CDS que todas as manifestações devem ser dirigidas.


 


Nota: Não deixa de ser interessante ouvir tantos opinantes a descabelarem-se perante estas medidas que agora também afectam o sector privado, quando no ano anterior foram tão compreensivos para o confisco dos dois subsídios à função pública e aos reformados.


 

11 setembro 2012

Onze de Setembro de dois mil e um

 


Arménio Carlos e a CGTP lideram a oposição

 


Depois da conferência de imprensa do Ministro das Finanças, onde ficámos a saber que vamos pagar mais IRS, reduzir a remuneração mensal, despedir os contratados da função pública, aumentar o desemprego, etc., o PS veio, anodinamente, falar do que já tinha dito e avisado, para além de uma notícia em rodapé televisivo, numa metáfora perfeita daquilo em que se transformou o partido, sobre a audiência pedida ao Presidente da República, com carácter de urgência, assistimos a uma  conferência de Arménio Carlos, que se transformou no verdadeiro líder da oposição.


 


Aguarda-se a todo o momento a implosão do PS ou (rezando a todos os santos) a explosão de fúria de todo e qualquer militante que tenha um mínimo de sangue nas veias. A radicalização da revolta em partidos de cariz antidemocrático, tal como é o PCP, tal como é o BE, não augura nada de bom para o futuro. O vazio da liderança no PS é um perigo para o regime democrático.

10 setembro 2012

A derrota da crise (9)

 


Canção de Outono

 




Tchaikovsky & Pletnev


As estações - Outubro




Da lateralidade da austeridade

 



 


outras formas de fazer austeridade, honra seja feita a François Hollande.


 


(...) O jornal francês “Le Monde” diz que este é um plano “histórico” de “austeridade de esquerda”. Para reduzir a despesa em 10 mil milhões de euros, o presidente francês ordenou o congelamento dos gastos em todas as áreas do Estado, com excepção para a Educação, a Justiça e a Segurança. 

O esforço será repartido entre aumento dos impostos sobre os rendimentos mais elevados, congelamento das despesas públicas em todas as áreas excepto na Educação, Justiça e Segurança e agravamento dos impostos sobre os lucros não reinvestidos pelas empresas. (...)




(...) Hollande comprometeu-se a recuperar o crescimento económico em dois anos e pediu aos sindicatos que participem no esforço, permitindo que as negociações cheguem a bom porto. As medidas que estão em discussão com os sindicatos e patrões tem a finalidade de aumentar a flexibilidade das empresas, fomentando a sua competitividade face ao exterior e potenciando o crescimento, com vista a aumentar o emprego. Mas em contrapartida, no acordo, até poderá haver um reforço da segurança contra o despedimento. 

“Se este compromisso histórico for alcançado até ao final do ano, esta reforma receberá força de lei”, disse Hollande na entrevista citada pela Bloomberg. “Mas se os parceiros não concordadem, então lamento, mas o Estado vai assumir as suas responsabilidades”, afirmou.




Jornal de Negócios



Das remodelações necessárias

 


O CDS procura uma forma de se desligar da coligação governamental, de forma a aparecer, aos olhos dos cidadãos, como mais um dos enganados pelo PSD. A crise política avizinha-se.


 


Não basta ao PS mudar de líder. É essencial que o faça, é indispensável que se movimentem as alternativas, que se esqueçam as contabilidades e os calculismos das facções: onde estão Ferro Rodrigues, António Costa, Francisco Assis, só para citar alguns?


 


Mas é igualmente indispensável que os partidos à esquerda do PS, os partidos não democráticos, se desfaçam e refaçam, se desmontem e remontem, elegendo líderes responsáveis, que abram os olhos para o novo século e deixem de suspirar pela irrealidade de um passado que nunca existiu. É com certeza possível uma plataforma mínima de consenso numa área política em que os valores do respeito pela democracia e pela liberdade de expressão, pela igualdade de oportunidades e pelo papel de um estado social que garanta a todos os seus direitos mais fundamentais, sejam uma realidade.


 


Vivemos numa democracia e é a democracia que deve funcionar. Não anseio por manifestações de caceteiros, com destruição de lojas e automóveis, recontros mais ou menos selvagens entre manifestantes e polícia. Mas a revolta da população é palpável e se não se vislumbrarem quaisquer alternativas, o mais certo é multiplicarem-se e descontrolando-se os desesperos.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...