20 junho 2012

Intencionalidade vs incompetência

 



 


O Ministro da Saúde não compreende a greve convocada pelos médicos.


 


O que os médicos não compreendem, pelo menos os que defendem a existência de um SNS, os médicos que defendem que a existência de uma carreira profissional estruturada em patamares a que se acede através de concursos públicos, em que a valorização profissional, a formação contínua, actualização permanente são indispensáveis para a avaliação curricular, os que defendem que a formação e diferenciação são indispensáveis à qualidade dos serviços, fazendo-se através de equipas integradas com várias gerações de médicos, em que a tutela e o apoio pelos médicos mais diferenciados faz parte da actividade assistencial, o que os médicos não compreendem como é que o Ministro Paulo Macedo defende as carreiras médicas alicerçando a constituição dos serviços em prestadores, pagos à hora, sem qualquer condição ou obrigação, para além do cumprimento estrito de um número de consultas/ cirurgias/ etc.


 


O que os médicos não compreendem, pelo menos os que defendem a existência de um SNS, é como se podem implementar taxas moderadoras que obriguem os doentes a pagar aquilo que não decidem usar, como exames complementares de diagnóstico ou mesmo técnicas adicionais, que fazem parte da decisão do próprio médico. Independentemente da percentagem que isso representa nas receitas do SNS, perverte o sentido do que são taxas moderadoras e impõe um imposto acrescido pelo usofruto de cuidados de saúde, o que afasta objectivamente do sistema quem tem menos recursos financeiros, além do abuso e da irrelevância da carga de impostos que existe.


 


Não sei quem se lembrou de abrir um concurso para recrutamento de médicos idêntico aos concursos para compra de detergentes de limpeza. Também não sei o que é mais assustador – se pensar que esta é a verdadeira intenção dos nossos governantes ou se estes acontecimentos resultam da inusitada incompetência de quem povoa os ministérios.


 

Adiar por mais uns meses

 



 


O PS francês conseguiu uma maioria absoluta nas últimas eleições. Apesar de considerar essa mudança muito importante, não me parece que as repercussões na política europeia, principalmente na situação de crise continuada a que assistimos desde 2008, sejam superiores ou mais relevantes que as resultantes das eleições gregas.


 


A Grécia continua na corda bamba. O acordo entre partidos para formarem um governo que mantenha a recessão e a austeridade mandatada pela troika pode adiar um desfecho que parece quase inevitável. E se continuar a instabilidade social e política e se mantiver a exigência da Alemanha, para além da saída da Grécia da zona euro, com a Espanha e a Itália a seguirem-se na turbulência dos omnipresentes mercados, a França não terá capacidade para deter a implosão.


 


Não sei se a vitória da Nova Democracia na Grécia evitou o inevitável apenas por mais alguns meses de aperto para os países da Europa.


 

17 junho 2012

Nos quartos de final

 



 

Teremos que ser...

 


... que nem umas raposas!


 



 

Jogos decisivos

 


Enquanto aguardamos o resultado das eleições na Grécia, palpitando sob a forma como o povo grego julga os seus governantes, os seus políticos e as chantagens dos verdadeiros líderes europeus, vamos assistindo ao desenrolar da governação de Passos Coelho, com a Ministra da Justiça a implementar medidas em que, em nome da nossa segurança, arrasam com os direitos individuais, com o Ministro da Saúde a acabar com o acesso aos cuidados de saúde por parte da população pobre, essa palavra que, de novo, faz parte do nosso quotidiano, e com o Primeiro-ministro a não saber nada do que se passa para não ter que responder aos deputados pparlamentares.


 


Torcemos hoje pelo futuro da selecção no euro 2012. O torneio político também se está a decidir.


 

13 junho 2012

Qualificação e desemprego

 


Não compreendo a justificação de congelamento de vagas para determinados cursos, quando esta é  a falta de empregabilidade. Nem o estado garante emprego aos formados pelas universidades públicas, nem é capaz de garantir que ele exista no sector privado. Sendo assim, será melhor estar desempregado com formação superior ou sem ela?


 


Que se limitem as vagas pela capacidade instalada das Universidades, em termos de recursos humanos, projectos de investigação, espaço físico, cooperações institucionais, que se avalie a qualidade do ensino, que se promova a excelência em todas as áreas, muito bem.


 


Mas impedir a formação superior com a miragem de que se está a garantir emprego a quem consegue entrar para determinado curso, não só cria falsas expectativas para quem entra, como é uma injusto para quem deixa de fora.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...