Não sei quantos foram mas foram muitos os que passaram uma tarde de chuva, vento e frio ao relento, pela Avenida da Liberdade abaixo. Aqui fica um foto da Ana Vidigal com uma pequena amostra do longo desfile.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Não sei quantos foram mas foram muitos os que passaram uma tarde de chuva, vento e frio ao relento, pela Avenida da Liberdade abaixo. Aqui fica um foto da Ana Vidigal com uma pequena amostra do longo desfile.
Não deixa de ser interessante e digno de estudos posteriores a capacidade de algumas pessoas, como Lobo Xavier, na Quadratura do Círculo, fazerem piruetas verdadeiramente acrobáticas. De repente até a pobreza se reduziu, neste país que agora é um paraíso e há u ano um lodaçal socrático. As energias renováveis passaram a ser uma vitória, a aposta na educação uma verdadeira revolução.
Do nosso Presidente não vale a pena falar. A apologia do optimismo que dantes era uma quimera hipócrita é agora um desígnio nacional.
No entretanto vamo-nos apagando, enrugando e enrolando. Este mês de Abril é mesmo a metáfora atmosférica do que somos.
Há 38 anos mudámos. Em revolta e pela revolta de uns quantos, pela alegria e descompressão de todos os outros, pudemos encher as ruas e clamar por liberdade, celebrar a democracia, terminar a desgastante, longa e anacrónica guerra colonial, iniciar o desenvolvimento no contexto de uma sociedade aberta, solidária e europeia.
Nestes 38 anos assistimos à credibilização do trabalho parlamentar, pois tivemos e temos eleições livres, à normalização do debate de ideias, depois das tentativas totalitárias do primeiro ano da revolução, ao revolucionário hábito de podermos exprimir livremente a nossa opinião, ao inalienável direito de sairmos à rua com cartazes ou com as nossa vozes, gritando e cantando o que nos vai na alma.
Saímos da nossa realidade aprisionada entre fronteiras, colhemos e desenvolvemos a nossa identidade além geografia de quase ilhéu. Somos o que somos, fadistas e aventureiros, tímidos e corajosos, ordeiros e tumultuosos, preguiçosos e cumpridores. Sofremos com as nossas dores e pelas nossas mãos, mas também pelas dores desta Europa que se desfaz e pelas mãos dos donos do mundo, que não têm rosto nem endereço postal, físico ou electrónico.
Fizemos muito e temos muito para fazer. Não temos que temer a mudança nem as ideias. Mas as montanhas a mover são infinitas e a felicidade absoluta é utópica. Este é um dia de festa e de ritualização quase sagrada, em que as graças que damos e os votos renovados são os da liberdade, os do empenhamento no viver democrático, na justiça, na paz social, no bem-estar, na solidariedade. Em casa, no Parlamento, nas ruas, por onde quisermos e for preciso, cantar Abril é afirmar a nossa inalterável presença enquanto cidadãos de Portugal.
Passos Coelho, mais uma vez, perdeu uma excelente ocasião de estar calado. A falta de respeito que demonstra pelos fundadores da democracia é patética., parafraseando Irene Pimentel, com quem não estou de acordo quanto à avaliação das ausências já comentadas.
Filho do 25 de Abril, sim, com a pesporrência e a arrogância dos incrivelmente ignorantes.
Miguel Portas foi um homem que sempre lutou por aquilo em que acreditava. Tinha uma força que lhe vinha das suas profundas convições. Serviu o País em vários momentos e em várias circunstâncias. Devemos-lhe uma merecida homenagem.
Passo a passo, percebe-se que as promessas prometidas pelo Passos se processam apenas a passo. Porém, apesar dessa posposição, a passo e passo, há outros passos que, não sendo promessas passadas, são-nos passadas pacientemente pelo Vítor Gaspar e aceites penosamente perante a passividade e a permissividade da nossa sociedade. Parece um péssimo prenúncio. Por isso, a espaços, ainda há quem se expresse possesso, pese o peso desse protesto (ideológico), já ter passado do prazo. Prosseguindo-se este processo, ampliam-se as possibilidades para o desaparecimento da paz social presente. Perceberá o Passos o que se prepara?
O 25 de Abril devolveu a liberdade e instaurou um regime democrático em Portugal. A Assembleia da República é o órgão onde, diariamente, se pratica a democracia. É uma vergonha que personalidades como Mário Soares e Manuel Alegre caiam na tentação populista de confundir discordância política e luta partidária com a celebração oficial, no Parlamento, dessa data simbólica.
Os deputados são os representantes do povo e foram eleitos democraticamente. Considero o gesto da Associação 25 de Abril, de Mário Soares e de Manuel Alegre um péssimo serviço à democracia, que eles próprios ajudaram a criar.
Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...