06 abril 2012

Paixão

 



Salvador Dali


 


Fria manhã de Primavera


no canto em que me encosto


no canto em que afundo


breves e secas sílabas partem cristais de gelo


derreto a espera em que me encontro


nesta fria paz de manto negro.


 

05 abril 2012

Avenida da Liberdade

 



 


Apetece-me muito ir desfilar para a Avenida da Liberdade este ano, no dia 25 de Abril. Não para me manifestar contra mas para me manifestar a favor da liberdade e da democracia. Apetece-me muito mostrar que não me conformo com a captura do simbolismo do dia pelos saudosos de uma noção de liberdade ditatorial que partidos como o PCP defenderam e defendem.


 


Apetece-me muito lembrar que temos o direito de nos manifestar contra ou a favor do que quer que seja, dentro dos limites da lei, repudiando os arruaceiros e provocadores que transformam manifestações em guerras campais, que temos o direito de nos manifestar em segurança e sem receio das forças policiais.


 

30 março 2012

Mazel Tov

 


Ouvi uma amostra do som deste grupo na FNAC, enquanto ensaiavam a atuação a minutos de acontecer. Não conhecia, mas passei a conhecer.


 



Aqui em baixo tudo é simples


 

29 março 2012

Não me apetece

 


A verdade é que não me apetece. Não me apetece escrever sobre nada do que ouço, vejo, penso, sinto. Não me apetece repetir à exaustão, todos os dias, aquilo que já outros disseram.


 


Não me apetece reflectir sobre a reforma curricular, não me apetece dizer que concordo com os exames nos fins de ciclo, que não percebo em que é que isso é mau para o ensino nem para os alunos, não percebo porque é que a esquerda se associa a este tipo de discussões estéreis. Também não percebo o que vai acontecer aos alunos que não passarem nos exames, como vão ser acompanhados, como se vai investir na sua aprendizagem, demonstrado que está à saciedade que as retenções não melhoram o aproveitamento. Não percebo se as turmas vão continuar a ser feitas da mesma forma que já o foram (são?), juntando os alunos com mais dificuldades, maiores problemas de disciplina e integração, em turmas que sobram para os professores inexperientes e menos qualificados. Não percebo a razão da redução horária da disciplina de Ciências. Não percebo a razão da falta de empenho, por parte do PS, na verdadeira discussão sobre a qualidade do ensino na escola pública.


 


Não me apetece indignar-me com a manipulação da informação, com os comentadores, com as inacreditáveis manchetes sobre Sócrates, sobre a caça às bruxas que se instalou na sociedade e nos órgãos de representação política, e da caça às bruxas que se instalou a partir dos órgãos de representação de juízes, não me apetece preocupar-me com as múltiplas e variadas comissões parlamentares de inquérito, com a hipocrisia dos partidos da dita esquerda grande. Não me apetece lidar com a falta de nível do maior partido de oposição que se envergonha do que de positivo e ousado se fez nos governos anteriores, para se acoitar em silêncios que embaraçam as pessoas que têm memória e que aumentam a desesperança por uma alternativa que não se adivinha.


 


Não me apetece continuar sem vislumbrar a saída da crise, não me apetece não perceber se a descida dos juros das dívidas, das yield, tudo aquilo de que todos falam com ar sisudo e sabedor, é positivo, não me apetece ouvir a recessão, a execução orçamental, as desculpas esfarrapadas e mentirosas sobre o triplo da dívida comparada com o ano anterior, não me apetecem os telejornais, as taxas moderadoras, a irresponsável ligação das mortes no pico da gripe com a crise.


 


A verdade é que não me apetece. Aguardo a gestação de outra vontade interior. De força, de raiva ou de medo, que a cobardia também se renova em cada ano que nos somamos.


 

26 março 2012

Um dia como os outros (110)

 


 



(...) Há mais de vinte anos, o historiador Roger Griffin contribuiu para a caracterização dos regimes antiliberais e antidemocráticos que assolaram a Europa no período entre-guerras do século XX, com um importante livro (The Nature of Fascim, 1991) onde recorreu ao mito da criação do «homem novo» para elaborar um conceito de «fascismo». Segundo a definição ideal-típica de fascismo elaborada por esse autor, a ideologia fascista seria marcada por um «ultranacionalismo populista palingenético» – de «palin» (restauração) e «genesis» (criação, nascimento) –, cujo mínimo denominador comum seria precisamente o mito da criação do «homem novo» e de um «mundo novo», necessários, após décadas de liberalismo dissolvente e decadentista. Tal como o regime fascista italiano de Mussolini utilizou esses conceitos, elaborando até um calendário novo que se iniciava a partir do momento da «Marcha sobre Roma», em 1922, também o regime português de Salazar, em início de carreira, recorreu frequentemente aos termos de «regeneração nacional» ou «reconstrução nacional», nos anos 30 e 40 do século XX. Através deles, pretendia-se mostrar que o Estado «Novo» era um «novo» regime regenerador, restaurador e reconstrutor, que se propunha enterrar a decadência nacional promovida pelo liberalismo, pelo parlamentarismo, pelo socialismo e pelo comunismo. As célebres comemorações do duplo centenário e da Exposição do Mundo Português, de 1940, celebravam precisamente três importantes datas: 1140 (fundação e Portugal); 1640 (restauração de Portugal) e 1940 (regeneração de Portugal), através do Estado «Novo». (...)


 


Irene Pimentel


 

24 março 2012

Matéria de estudo

 


Um dia as razões de ser da perseguição encarniçada que se continua a fazer a Sócrates, aos seus governos e aos seus ministros serão, com certeza, matéria de teses de doutoramento.


 


Sindicatos de Juízes a interferirem politicamente, um Presidente da República que utiliza as suas funções de Estado para se vingar de um Primeiro- ministro, jornalistas que especulam sobre a forma como Sócrates vive em Paris, há algo de inacreditável neste encarniçamento, nesta tentativa de destruir pessoas que exerceram o poder para que foram democraticamente eleitas, que lutaram e defenderam as suas convicções e as suas políticas, sufragadas livremente pelos cidadãos.


 


Além de inaceitável é também assustador. E mais ainda quando o próprio PS tem receio de assumir a defesa do seu património, de assumir a defesa dos governos anteriores, colando-se silenciosamente aos perseguidores de Sócrates, pensando que só assim poderão angariar alguns votos.


 

23 março 2012

Violência antidemocrática (2)

 


A Polícia exerce a autoridade do Estado democrático. Por isso mesmo um Estado democrático não pode deixar de averiguar e punir os actos de violência da polícia, seja em que circunstâncias forem. Não é porque as vítmias são jornalistas, mas porque são pessoas. A Polícia pode e deve conter provocações e desacatos, nomeadamente impedir que haja arruaceiros mascarados de manifestantes que se apelidam Plataforma 15 de Outubro ou Indignados, agridam quem lhes apetece. Mas a intervenção policial não pode ser desproporcionada, como foi o caso.


 


A greve geral foi um fracasso e o baptismo de Arménio Carlos, badalada como um ritual de iniciação por todos os media, teve uma amplificação, resultante destas atitudes antidemocráticas, que nem o próprio Arménio Carlos podia sonhar.


 

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...