18 março 2012

Dar

 



Jack Levine


 


Li há algumas semanas estatísticas sobre faustos rendimentos de poucos e excedentes agruras de muitos. Por tudo se redistribui a carestia, o aperto, a redução. Mas aos raros a quem sobejam anéis nem sequer lhes desconforta o tamanho do cofre, nem sequer lhes lembra o contributo de cidadania.


 


Dar a quem precisa são palavras que se debitam piedosamente nas rodas sociais, nos bancos de igreja e nos jornais obedientemente conformes. Ninguém se propõe comprar equipamentos hospitalares, alargar e retemperar escolas depauperadas, apoiar iniciativas artísticas. Sem pompa nem circunstância, apenas escolher a causa, a terra, a gente e atuar, discreta e silenciosamente, como mandam novos e velhos testamentos de recentes e antigas sabedorias divinas e terrenas.


 

Memória

 



Jan Zach


 


Amálgama do que passou


cimento de que virá.


Estímulo lesão e cicatriz


reação encadeada


trocas de informação


redes de partilha.


Previsão de idêntica ferida


com semelhante estilete


recolhida reação.


 


Semente de medo


na indispensável imaginação.


 

17 março 2012

A derrota da crise (6)

 



 


não tenhas medo, eu domestico os monstros


 


Tiago Taron


 


Galeria Pente 10
Travessa da Fábrica dos Pentes, 10
(ao Jardim das Amoreiras)
1250-106 Lisboa, Portugal


 

Política (1)

 


Leonor Beleza, Maria de Lurdes Rodrigues, Assunção Esteves, Eduardo Ferro Rodrigues, são algumas pessoas sobre as quais as cúpulas partidárias poderiam pensar como possíveis candidatos à Presidência da República, pela necessidade e esperança de que a próxima disputa eleitoral nos faça eleger um futuro Presidente melhor que o actual. Não são nada consensuais. Mas isso seria bom sinal para um verdadeiro debate de ideias.


 


No entanto todos sabemos que o que menos interessa, principalmente às cúpulas partidárias, são debates ideológicos. A política, hoje em dia, é feita por gabinetes onde pululam jornalistas acéfalos, na esfera de gente pouco escrupulosa. É muito mais importante espalhar mentiras e vasculhar a vida privada de quem teve ou tem visibilidade, do que discutir a evolução da sociedade e do regime democrático, o papel do Estado em sociedades envelhecidas, a evolução científica e tecnológica no bem-estar das populações, enfim, o uso do poder para servir os cidadãos.


 

Vendidos

 


Quantos de nós já nos pendurámos uma etiqueta a dizer VENDIDO? O problema é que quem nos compra nem sequer se interessa pelas nossas competências, desmentidas imediatamente após a transacção comercial.


 

Em movimento

 



Kate Theodores


 


Em movimento


sempre em labiríntico exemplo de procura


serpenteando
pela incógnita da nossa verdade.


Em movimento


perpétuo e desconhecido


um cansaço


sem fim por dentro do esforço


empurrando
forçando abrindo ventos e mares.


Glória insana


de não desistir.


 

15 março 2012

Servidores do Estado

 


Maria de Lurdes Rodrigues, depois de todos os enxovalhos públicos a que foi sujeita, depois de ter sido arrasada na rua, no Parlamento, nos media, pelos partidos da esquerda grande e da direita estreita, explica na TSF, para quem a quiser ouvir, a manipulação que este governo está a fazer do que se passa e do que se passou na e com a Empresa Parque Escolar.


 


Como é hábito o País não reconhece nem agradece a quem dedicou o seu esforço, a sua competência e a sua motivação ao serviço público. Vale a pena ouvir Maria de Lurdes Rodrigues, às 4ªs feiras, na TSF.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...