03 fevereiro 2012

Escolhas

 




 


 


Escolho o nada exactamente a simples existência do quotidiano sobressaltado alienado de trabalho e tarefas que se somam e seguem sem pausa. Escolho o conforto da mediania casa pão e mantas tardes de domingo em doce transformação do alimento em doce mansidão de carinho amassando o dia para os que amo. Escolho a surdez selectiva para o absurdo a cegueira propositada para a negrura a apatia planeada da placidez.


 


Passam rostos vozes entre o desligar da mente figuras indistintas e pomposas que se ouvem aplaudem acenam sisudas e bem vestidas apertadas e cingidas entre cinzentos e campainhas. Reconheço vagamente vultos de uma irrisória magnitude que incomodam como um arranhar agudo de giz na ardósia. Fogem os olhos da nuvem de poeira como as palavras pulverizadas dos fatos que se cumprimentam dos penteados que se opulenta.


 


Escolho o branco dos lençóis a música o ritmo repetitivo da vida que assinamos pontualmente desde que toca o despertador.


 

28 janeiro 2012

Pelo caminho

Há pequenos nadas que decidem o dia, pensamentos mais ou menos alegres, fundas decisões, nostalgias e saudades.


 


A propósito de uma interpretação saltitante do Barco Negro, lembrei-me dessa canção soberbamente interpretada por Lara Li, a que tive o privilégio de assistir, já há muitos anos. Apenas acompanhada bela sua belíssima voz, com o ritmo marcado pelos dedos tamborilando no microfone, ouvi arrepiada e deliciada uma lindíssima canção de amor e luto.


 


Há algum tempo vi-a na televisão a ser entrevistada, penso que num daqueles programas da RTP memória, pouco antes ou pouco depois da homenagem a Simone de Oliveira, em que cantou alguns dos êxitos corporizados pela Simone. Foi um luxo, podermos usufruir da sua interpretação.


 



 

Figura

 


 


Ebon Heath: visual poetry


 


 


Enquanto te espero para me adulares


vou adoçando estrias contornando a lápis a figura


sombreando curvas retificando gumes


pequenos rigores de alma que despontam


entre o amor que quero e o amor que permito.


 

Flores

 



Ebon Heath: visual poetry


 


Vou criando flores que só a mim mostram cor e textura


vou criando flores que apenas os meus sentidos perfumam.


Se não forem os meus olhos que as flores observam


se não forem os meus dedos que as flores tocam


desfazem fragmentos de vazio pétalas de fascínio


pela ausência da entrega.


Vou criando formas que só a mim iludem e prendem


numa translúcida nuvem de ternura.


 

Da permanente loucura

 



 


Não são só deuses que estão loucos, mas os homens, que não aprendem nada com a História. As exigências que a Alemanha faz agora à Grécia, serão as mesmas que se fará a Portugal, não tarda.


 


Tudo muda, é verdade, os regimes não são eternos. Ouvimos dizer que a democracia se constrói diariamente, mas não interiorizamos esse conceito. A construção pressupõe esforço e permanência.


 


Esta é uma Europa que eu não conheço, é um espaço político a que não quero pertencer, um espaço económico que não me respeita. Todos os limites que, diariamente, colocamos mais adiante, mais para cima, mais para longe, são repetidamente ultrapassados. Já não são bem limites, porque os valores em que assentavam foram destruídos.


 

26 janeiro 2012

Holofotes

 


De pescoço descoberto, a mostrar a cicatriz da operação à tiróide, a Presidente da Argentina, Cristina Kirchner, regressou nesta sexta-feira à Casa Rosada (...)


 


Estamos viciados na transformação da vida em gigantes revistas Caras. Não há nada que permaneça privado. Nem sequer as cicatrizes das operações cirúrgicas escapam aos comentários e às obrigações de transparência de quem tem que sofrer os holofotes da falta de assunto.


 

Fazer política

 


O tédio imenso de títulos repetitivos, alarmados e alarmantes, sem que se discuta qualquer coisa de essencial.


 


O Presidente da República deveria receber a remuneração correspondente ao cargo para o qual foi eleito - de Presidente da República. Não concorda com o salário? Então não deveria ter concorrido. O mesmo se aplica à Presidente da Assembleia da República, só para citar dois exemplos.


 


O ordenado do Presidente da Republica é, como o da Presidente da Assembleia da República, para continuar a citar os mesmos exemplos, vergonhosamente diminuto. Ambos são os mais altos representantes do Estado, deveriam ter remunerações condicentes com a responsabilidade e com o significado dos cargos.


 


Não me importo que reduzam feriados nacionais. Não me parece imprescindível, mas também não vejo que seja um erro crasso. O que penso ser inacreditável é o fato de se reduzirem feriados católicos e civis. A que propósito é que há feriados católicos? E porque não muçulmanos ou adventistas, budistas ou hindus? Os feriados nacionais de um estado laico deveriam ser apenas os que se relacionam com acontecimentos que tenham significado para o país por motivos históricos, científicos, humanitários, culturais. Os dias santos, fosse para que religião fosse, deveriam ser santos apenas para quem professa essa religião. Por outras palavras, quem quisesse comemorar a Assunção da Virgem tirava um dia de férias. É claro que há dias que já se tornaram património de todos e que fazem parte da cultura ocidental. Mas são poucos, mesmo muito poucos - só me lembro do dia de Natal e do domingo de Páscoa. Acabar com feriados em compita com a Igreja é mais uma cedência à total separação entre o Estado e a Igreja.


 


Gostava muito de ver os partidos a discutirem o prestígio das funções públicas dos representantes eleitos, a oporem-se ferozmente ao controlo da informação por fações políticas ou por grandes interesses económicos, a defenderem o Estado livre de pressões e preconceitos religiosos e morais. Gostava que os partidos políticos fizessem política.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...