Há que reconhecer que o meu sentido de orientação é, de facto, inexistente. Por isso o TOM TOM é um dos meus melhores amigos. Mesmo tendo uma voz a sair do aparelho, encafuado no carro de forma a conseguir ir vendo o caminho pré indicado e colorido, bastante irritante, ordenando saia na saída ou mantenha-se à esquerda ou saia na rotunda, 3ª saída, etc.
Hoje aventurei-me pelas ruas de Lisboa antiga, mais precisamente para a Calçada da Graça. Armada de excelente companhia e TOM TOM devidamente acondicionado, carregado e orientado, meto-me ao caminho. Caminho acidentado, com ruelas íngremes a subir, outras ruelas íngremes a descer, curvas de duzentos e tal graus, linhas de elétrico que fazem deslizar os pneus, carros estacionados em todo o lado impedindo de estacionar em lado nenhum, depois de voltas várias na tentativa de que alguém se convencesse a desaparecer, para aproveitar um qualquer buraco para parar, resolvi regressar a casa.
Mas nada se consegue sem muito trabalho. No cimo de uma das ruelas íngremes que teríamos que percorrer em sentido descendente, dei com vários carros a fazerem marcha atrás, naquilo que me pareceu um movimento alarmado, com as luzes da marcha atrás violentamente acesas, perseguidos por um elétrico que vinha em sentido ascendente e entupindo a ruela, que não permitia a passagem simultânea dos veículos em sentido contrário. Todos se saíram bem, menos um desgraçado de um opel astra que nunca mais se despachava, mesmo tendo em conta os amáveis transeuntes que davam frenéticas indicações ao respetivo motorista.
Foi um passeio interessante. Imperdível. Incluindo o cheiro nauseabundo que estava instalado precisamente ao cimo da ruela em questão. O tempo de espera do despacho do opel astra foi ainda mais extraordinário, tendo em conta as condições ambientais. Enfim, Lisboa antiga e turística, em todo o seu esplendor.