04 janeiro 2012

Um dia como os outros (107)


(...) Portanto, ao contrário do que afirma José Soares dos Santos, administrador executivo da Jerónimo Martins, em entrevista nesta edição, a primeira e mais importante razão para a escolha da Holanda não é o acesso a um novo mercado de capitais, é o pagamento de menos impostos do que pagaria em Portugal, hoje e no futuro. Porque, como diz o slogan do Pingo Doce, ‘sabe bem pagar tão pouco'.


A explicação, pueril, soa a falso e incomoda. Porque os contribuintes individuais e as pequenas e médias empresas não podem ir para a Holanda, mas têm de ouvir o patriarca da família Soares dos Santos e o segundo homem mais rico do País a dizer como é que se devem comportar para que Portugal saia da situação de emergência em que está. A criticar políticos, empresários, trabalhadores, as elites.


Alexandre Soares dos Santos criou riqueza e fez fortuna, o que legitima as suas opiniões. Mas não a superiodade moral que transporta em cada uma das suas intervenções. A decisão beneficia os accionistas da Jerónimo Martins, e bem, mas prejudica o País, e mal. É, também, por causa de decisões como esta, de actos que desmentem as palavras, que os portugueses não gostam dos ricos.


 


António Costa (Diário Económico)


 

A derrota da crise (2)

Bolo de chocolate com laranja

 



 


Esta época do ano, cá em casa, é ocupada por inúmeras festas. Desde o Natal, passando por aniversários e pelo fim de ano, é um continuum de ocasiões para celebrar, com fim no dia de Reis.


 


A experiência, hoje, ficou-se por um bolo de chocolate com laranja.



  1. Parti 1 tablete de chocolate (200g) preto, de culinária (mínimo de 50% de cacau), para dentro de um copo de alumínio, juntamente com 1 copo de leite (usei um copo de água) e 150g de margarina, e deitei-lhe fogo, bem baixinho, para nada se queimar.

  2. Logo a seguir raspei a casca de 2 laranjas, grandes, e espremi-lhes o sumo.

  3. Bati, numa grande tigela, 6 gemas com 250g de açúcar, bem batidas. Fui depois incorporando, alternadamente, a mistela derretida de chocolate com 300g de farinha e 1 colher de chá de fermento em pó.

  4. A seguir foi a vez do sumo e da raspa das laranjas.

  5. Depois de tudo bem batido e misturado, transformei as claras em castelo bem firme e, com uma colher, envolvi-as no preparado do bolo.

  6. Untei a forma com margarina, polvilhei com farinha e deitei a massa do bolo lá para dentro.

  7. Deixei cozer em lume médio durante 45 minutos, no forno que, logo de início, tinha acendido para aquecer.


É claro que ficou ex-tra-or-di-ná-rio-o. A ideia de o besuntar com chantilly era maravilhosa, mas devia ter esperado que o bolo arrefecesse totalmente. Assim ficou tristemente derretido e não lhe fazia falta nenhuma.


 


Experiência coroada de êxito. A repetir (sem o chantilly).


 

03 janeiro 2012

Poder

 



 


Nada como um dia atrás do outro para verificar a cegueira e a surdez de muitos. Um capitalista é um capitalista – ou empresário, como agora se diz, pois capitalista é uma palavra fora de moda, ultrapassada, anquilosada e estranha ao moderno pensamento mundial. Eu não posso (e não devo - deveria ser sinónimo, neste caso) fugir aos impostos, porque se pudesse podia e ninguém poderia contrariar o meu poder.


 


Poder – é essa a questão.


 

01 janeiro 2012

o portugal futuro

 



Poema de Ruy Belo 


 


o portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro


 

Dunas

 



Ivete Sangalo & Rosa Passos 


 


Mês de março em Salvador
O verão está no fim.
Todo o mato está em flor
E eu me sinto num jardim.

Quem sair do Abaeté
Rumo às praias do Flamengo
Não de carro mas a pé,
Pelas dunas, mato a dentro

Há de ver belezas tais
Que mal dá pra descrever:
Tem orquídeas, gravatás,
Água limpa de beber

Cavalinhas e teiús,
Borboletas e besouros,
Tem lagartos verdazuis
E raposas cor de ouro

Sem falar nos passarinhos,
Centopéias e lacraus,
Nas jibóias e nos ninhos
De urubus e bacuraus

Vejo orquídeas cor de rosas
Entre flores amarelas
Dançam cores vão-se as horas
Entre manchas de aquarela

Desce a tarde vem na brisa
Um cheirinho de alecrim
Canta um grilo. Sinto a vida:
Tudo está dentro de mim.

Mês de março em Salvador
O verão está no fim.
Todo o mato está em flor
E eu me sinto num jardim


 

2012

 



 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...