Os dias regressam iguais e diferentes de branco e verde
entre o calor do mundo que nos falta
há em nós rituais imensos de sonho e melancolia
que refazem a vida por mais um ano.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Os dias regressam iguais e diferentes de branco e verde
entre o calor do mundo que nos falta
há em nós rituais imensos de sonho e melancolia
que refazem a vida por mais um ano.
A época natalícia torna-se ainda mais difícil quando nos confrontamos com as Boas-Festas do nosso Presidente, ou mais precisamente, do Casal Presidencial, porque agora temos direito a mensagem do Próprio e da sua Esposa, e com as Boas-Festas de António José Seguro.
O Casal à frente de um presépio e o Opositor ao lado de uma árvore de Natal, é quase um Carnaval antes do tempo, mas do lado mais negro, ou mais pequeno, de pequenino, de... como é possível?
Falta a mensagem do Primeiro-ministro. Estou em ânsias.
Brion Gysin
Nada como ir escrevendo os dias
palavras sem medo nem esperança
que o silêncio instalado assobia entre os dedos
e o amor que segredamos respira-se por dentro.
A falta de preparação política do Primeiro-ministro em particular e do governo em geral, é assustadora. No meio de uma crise como esta, temos um governo que em vez de incentivar a população, dar-lhe confiança e incutir alguma esperança, a aconselha a emigrar.
A tristeza alastra e o encolher de ombros aumenta. Ninguém liga ao espectáculo dos (i)responsáveis e a revolta vai alastrando de uma forma larvar. À medida da cobardia, começamos a ter manifestações de vandalismo a coberto de pseudo-luta, como o que se está a passar no Algarve, com a destruição sistemática dos equipamentos para cobrança de portagens e como a pirataria informática.
Sem ideias e nada que as motive, vai engrossando o volume dos que, caso apareça um salvador, não quererão mais a democracia e a liberdade, mas a miragem da ordem e do respeitinho, alguma coisa que os poupe da miséria total e que lhe dê algum conforto. Infelizmente há muitos tipos de miséria e a deste governo é a cegueira ideológica.
Depressa e em força, para Angola, Moçambique, Brasil... Portugal não serve para os portugueses.
Segundo o Primeiro-ministro, daqui a 20 anos as reformas serão cerca de 50% do que eram em 2007.
Fazendo contas, daqui a 20 anos ainda devo estar a trabalhar. Pelo menos enquanto trabalhar recebo a remuneração de quem está no ativo, mesmo que essa remuneração seja cada vez menor, tal como tem acontecido nestes últimos tempos, particularmente desde 2009.
Mas se, para esta coligação de direita que nos governa, aqui e na Europa comunitária, as reformas e os subsídios de desemprego se reduzem, aumentam as comparticipações para a saúde, a escola pública deixa de ser prioritária, cortam-se vias ferroviárias diminuindo a capacidade de mobilização das populações e destruindo a coesão do território, gostava que me esclarecessem para que servem os impostos que não param de crescer.
Se a ideologia reinante é a do utilizador-pagador, expressão chave que justifica a supressão das funções do Estado, com a hipocrisia e o engano de explicar aos incautos que quem mais ganha mais deve contribuir, esse mesmo Estado deveria abster-se de cobrar a enorme quantidade de impostos anuais para alimentar uma máquina que cada vez dá menos em troca.
Pode sempre apelar-se à sociedade civil que se organize para tratar da iluminação das ruas e dos bairros, contratar policiamento, utilizar a prestação de serviços de juízes e advogados quando necessário, construir escolas e hospitais.
Podemos até questionar, já que estamos em maré de revoluções de mentalidades, para que serve exatamente um Estado destes.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...