23 novembro 2011

Não farei greve

 


Não farei greve.


 


Não porque não saiba da manipulação e dos embustes que conduziram esta maioria ao poder. Não porque não perceba o desmantelamento do estado como servidor público e garante dos direitos de todos os cidadãos, assente na dignidade intrínseca ao ser humano. Não porque confie nesta direita conservadora que varre a Europa, e que entende a vivência da crise como a volta ao passado, do Portugal pobre, isolado, pouco qualificado, cinzento e infeliz. Não porque defenda a teocracia d'Os Mercados, em que as instituições democráticas são substituídas por quem nunca se dispôs a enfrentar a escolha popular, por quem vilipendia a atividade política e a cola abusivamente à corrupção. Não porque aceite a precariedade no emprego, a falta de oportunidades, a desigualdade e a revoltante caridadezinha que percorre a ideia do estado caritativo, renovado por este governo.


 


Não farei greve.


 


Porque do que precisamos é de olhar em frente e trabalhar, muito, bem, com qualidade e eficiência, em todas as áreas em que pudermos, a aprender outras competências, a sermos mais exigentes e menos contemplativos, a premiarmos os melhores e a punirmos quem merece ser punido, a deixarmos as queixas, a engolirmos as lágrimas, a não termos medo.


 


Não farei greve.


 


Amanhã será mais um dia em que respeitarei quem a fará, em que questionarei a ausência de serviços mínimos, a ausência de contratos de trabalho para quem é produtivo, a ausência de despedimento, na função pública ou na privada, de quem não cumpre, a morosidade da justiça, o enorme desperdício de talentos, de recursos, o desinvestimento na escola pública, na saúde, na cultura, a redução salarial de alguns, a fuga ao fisco, a privatização de tudo a todo o custo, as queixas dos bancos, a prepotência de Angela Merkel. Amanhã respirarei a minha frustração mas trabalharei, o melhor que posso e sei, porque precisamos de trabalhar, nesta altura e em todas, mais que nunca. Amanhã direi, com o meu trabalho, que não me resigno a esta modorra triste, que não me revejo nesta oposição sem nexo nem alternativa, que me revolta este sindicalismo datado, sem perspetivas e sem soluções.


 


Não farei greve.


 


Amanhã trabalharei e dignificarei o meu trabalho, o trabalho de quem não o tem e o trabalho de quem entende que a melhor forma de protesto é fazer greve.


 


Saudações revolucionárias, solidárias e discordantes.


 


Até amanhã, camaradas.


 

22 novembro 2011

Andar para trás

 



Man Ray: Dust Breething 


 


Andar para trás com os olhos fundos no chão


passo a passo sem perceber o abismo


fosso cavado pelo pó que arrasta.


Andar para trás rumo a um futuro que se nega


desdobrado em passados sem memória.


 

Coragem dos vencidos

 


Coragem, a coragem dos vencidos, dos que sentem que nada podem, nada querem, nada fazem, mas cujas intenções, propósitos e convicções os obrigam a redundar maiúsculas e pontos de exclamação.


 

20 novembro 2011

Sem energia

 


 


 


O dia correu estranho e sem grande cor. Na cama até ao meio-dia, sem estar doente, mas gasta duma apatia cinzenta, que me vai inundando.


 


Ouço rádio no computqador, o Bloco Central e o Governo Sombra. Divirto-me moderadamente. A inconcebível ideia de censurar as notícias sobre o país, numa hipotética rádio internacional, uma das maravilhosas sugestões para a revolução dos canais públicos da televisão e da rádio, mostra bem a que nível se chega. Aqueles deslumbrados que tinham todas as soluções para resolver todos os horrores desenvolvidos pelos governos anteriores, vão-se revelando*.


 


Ontem grande caminhada, Av. Liberdade abaixo, Teatro Dona Maria II, Rossio, Restauradores, Rua dos Fanqueiros, Rua do Ouro, Av. Liberdade acima, chuva e sol, gente, música, gente.


 


Hoje não apetece lá fora, o carro, a conversa, sonolência vagarosa sem a cafeína do costume. Nada apetece neste fim da semana. Com excepção dos pimentos recheados, verdes, um dietético os outros bem gulosos, com carne picada cozinhada em cebola, alho, tomate, linguiça aos bocadinhos, cogumelos, pimento vermelho, courgette, beringela, alho francês, azeite, um bocadinho de vinho tinto, sal, pimenta, louro e coentros. Depois de atafulhar este preparado dentro dos pimentos verdes, sem sementes, com queijo mozarela ralado em cima, o forno fez o resto, durante cerca de meia hora. Mesmo sem direito à linguiça e ao queijo, não dispenso Châteauneuf-du-Pape.


 


Caminhamos para a semana com mais Duarte Lima e BPN, robalos e pães de ló. Comezinho e triste. Avizinha-se uma semana de portugueses mal comportados, segundo a Troika. Não farei greve, mas acho as considerações daqueles senhores aviltantes.


 


Não me sinto com a energia reposta.


 


*Via Jugular


 

19 novembro 2011

Someone like you


Adele

 

I heard that you're settled down
That you found a girl and you're married now.
I heard that your dreams came true.
Guess she gave you things I didn't give to you.

Old friend, why are you so shy?
Ain't like you to hold back or hide from the light.

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it.
I had hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me it isn't over.

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
Don't forget me, I beg
I remember you said,
"Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead,
Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead,"
Yeah.

You know how the time flies
Only yesterday was the time of our lives
We were born and raised
In a summer haze
Bound by the surprise of our glory days

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it.
I had hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me it isn't over.

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
Don't forget me, I beg


I remember you said, 


"Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead."

Nothing compares
No worries or cares
Regrets and mistakes
They are memories made.
Who would have known how bittersweet this would taste?

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you
Don't forget me, I beg
I remember you said,
"Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead."

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
Don't forget me, I beg
I remember you said,
"Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead,
Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead."


 


Modinha da crise

 



 


Salta a pulga coça o braço


morde a perna seu madraço


porte-se bem porte-se mal


já ficou sem o natal


meu amigo não se queixe


morra a boca pelo peixe


puxe o cinto falta o ar


não o sinto acreditar


tire as meias que lhe sobram


tem buracos sem remendos


arre burro que o carrega


a esmola que se nega


o salário que não dá


arre burro venha cá


que não ouço tilintar


a moeda no seu bolso


é tão curto o que é bom


torna e vira o mesmo tom.


 


Salta o braço morde a pulga


coça a perna seu madraço


porte-se mal porte-se bem


o natal é que já não tem.


 

Our day will come


Amy Winehouse 


 


Our day will come (Our day will come)


And we'll have everything
We'll share the joy
Falling in love can bring 



No one can tell me
That I'm too young to know
I love you so
And you love me

Our day will come (Our day will come)
If we just wait a while
No tears for us
Think love and wear a smile

Our dreams are meant to be
Because we'll always stay
In love this way
Our day will come

Our dreams are meant to be
Because we'll always stay
In love this way

Our day will come


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...