11 novembro 2011

Onze do onze de dois mil e onze

 



 


Onze do onze de dois mil e onze. Fim do mundo inteiro não, fim de uma determinada visão do nosso pequeno mundo. Não há terramotos nem trombetas apocalípticas. O fim do nosso pequeno mundo é tão pequeno e tão fim que nem direito tem a ser grandioso. O fim das nossas glamorosas certezas democráticas, das nossas ideias de igualdade de oportunidades, dos nossos valores eleitorais, da nossa liberdade, é tão pequeno e continuado que a adaptação natural do ser humano, principalmente se governado ou representado por eunucos, não dá direito a grandes indignações.


 


Como é hábito ouvem-se as habituais vozes manifestantes de grande horror, que assim se indignam e manifestam desde o dia vinte e cinco do quatro de mil novecentos e setenta e quatro, e as habituais vozes rancorosas e saudosas do dia vinte e quatro do quatro de mil novecentos e setenta e quatro. Mas o que mais indigna é a manifestação vermiforme de quem se diz opositor e oposição e bale com a fraqueza de quem não sabe o que é grandeza nem alternativa, de quem procura um espaço para mostrar a tacanhez dos vencidos sem luta.


 


Onze do onze de dois mil e onze é uma data sem história, como na história ficarão alguns dos que se submetem ao poder dos incolores que pairam sobre o mundo sem fronteiras, ou com as fronteiras que esse poder incolor determina.


 

10 novembro 2011

Opereta antidemocrática

 


Tal como Pacheco Pereira e António Costa, preocupados com o rumo antidemocrático da União Europeia, que se reflecte na subversão da democracia em cada país europeu, também estranho e acho totalmente inaceitável as afirmações de Otelo Saraiva de Carvalho, em relação ao quase incitamento dos militares à realização de um golpe militar.


 


A democracia é frágil e as Forças Armadas são o garante da defesa desse mesmo regime democrático.


 

09 novembro 2011

Feriados

 


Num país laico, não deixa de ser extraordinária a notícia de que a Igreja (Católica) impõe condições ao governo para acabar com alguns feriados.

A subversão da democracia europeia

 



 


Depois de Michael Fuchs ter defendido a demissão de Berlusconi, Angela Merkel assumiu que não pode haver políticas domésticas dentro da moeda única. Para quem ainda alimenta esperanças de integrar uma União Europeia que se rege por regras democráticas, em que os estados soberanos se respeitam, as últimas declarações destes responsáveis alemães, a efetiva demissão de Berlusconi, e o recuo da ideia referendária na Grécia, pode perder definitivamente as ilusões.


 


Neste momento são Os Mercados e a Alemanha, não sei se a ordem dos fatores é arbitrária, que verdadeiramente apoiam ou demitem os governos. O funcionamento democrático de cada país, em que os cidadãos escolhem os seus governantes, é totalmente subvertido pelas pressões externas, os juros das dívidas a aumentar, os ratings a diminuírem e pelo despudor dos responsáveis alemães. Péssimos sinais e péssimas notícias.


 

05 novembro 2011

Sou eu


Chico Buarque 


 


 


Na minha mão


O coração balança


Quando ela se lança


No salão


Pra esse ela bamboleia


Pra aquele ela roda a saia


Com outro ela se desfaz


Da sandália


 


Porém depois


Que essa mulher espalha


Seu fogo de palha


No salão


Pra quem que ela arrasta a asa


Quem vai lhe apagar a brasa


Quem é que carrega a moça


Pra casa


Sou eu


Só quem sabe dela sou eu


Quem dá o baralho sou eu


Quem manda no samba sou eu


 


O coração


Na minha mão suspira


Quando ela se atira


No salão


Pra esse ela pisca um olho


Pra aquele ela quebra um galho


Com outro ela quase cai


Na gandaia


 


Porém depois


Que essa mulher espalha


Seu fogo de palha


No salão


Pra quem que ela arrasta a asa


Quem vai lhe apagar a brasa


Quem é que carrega a moça


Pra casa


Sou eu


Só quem sabe dela sou eu


Quem dá o baralho sou eu


Quem dança com ela sou eu


Quem leva este samba sou eu


 

Continuo


Hessam-Abrishami


 


 


Volto a cabeça dentro do tempo


o olhar devolve-me o espanto


de quem se não reconhece


nesse mundo transformado


mas imutável.


 


Continuo como o mundo


parada mas em viagem


para onde os olhos e o tempo


quiserem.

À volta do lume

 



 


Para mim, a época de Natal começa a ser preparada mais ou menos por esta altura. Começam os fins-de-semana com panelas ferventes de marmelos, laranja, canela, abóbora, jeropiga, rótulos, frascos, garrafinhas, rolhas de cortiça, cola e açúcar, tanto quanto o necessário para abrandar as aarguras da existência.


 


À volta do lume conversa-se, cimentam-se silêncios e cumplicidades. Colheres de pau e mãos meladas, facas, cascas e sementes, chá e paciência, preparam-se cabazes com a substância da amizade.


 


É bom e quente, e sabe-me tão bem.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...