Assim sim, a disposição para o exercício físico será muito maior e o fervor pelo bem estar físico sempre entusiástico.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Assim sim, a disposição para o exercício físico será muito maior e o fervor pelo bem estar físico sempre entusiástico.
A indefinição e o adiamento da resolução da crise europeia não pode ser apenas fruto de incompetência e ignorância. Este esticar e adiar, anunciar e recuar, a corda bamba em que todos os países se equilibram só pode ser deliberado. As consequências destas atitudes é que, temo bem, estão a ser minimizadas e desvalorizadas pelos protagonistas do jogo, que lhes sairá, também a eles, muito caro.
Portugal passa do Verão para o Inverno, numa patologia bipolar que tanto nos caracteriza, literalmente em termos climatéricos como metaforicamente em termos políticos.
A ideologia dos partidos que assumiram o poder está a fazer uma reedição daquilo a que se convencionou chamar pobrezinhos mas honrados. Tudo o que de positivo se fez nos últimos anos, com destaque para os anos dos governos de Sócrates, não pode neste momento ser louvado porque a lavagem cerebral a que nos submete a omnipresença mediática dos porta-vozes da direita assim obriga.
A aposta no futuro, na tecnologia e na ciência são olhadas como desperdício e maus hábitos de consumismo, os direitos sociais são vistos como predação do dinheiro de quem trabalha, a criatividade artística como uma preguiça indigente.
Este governo tem outras prioridades e assenta noutras doutrinas, que nos farão recuar em termos civilizacionais várias décadas. A educação pública, em escolas modernas e confortáveis, professores com horizontes abertos, que saibam e queiram usar as tecnologias informáticas e a internet, que percebam a mudança e a extraordinária potencialidade dessas mesmas tecnologias, a que alguém já chamou a nova electricidade, está a ser encarada pelo mínimo dos mínimos, para os mais desfavorecidos, ou para as famílias com mais dificuldades, como agora é bem dizer-se. Pelo contrário, aumentam-se os apoios ao ensino particular.
Em termos de políticas sociais, o que importa é reduzir os mecanismos de fiscalização da qualidade e segurança nas creches, infantários e lares de idosos, fomentando o apelo à ajuda e à solidariedade centrada na moralidade cristã, em vez de robustecer, em tempos de tanta dificuldade, os apoios a quem está desempregado e a quem não tem rendimentos, alimentando-se o preconceito classista, racial e a xenofobia. Excepção seja feita ao Ministério da Saúde que, pelo menos até agora e tanto quanto me apercebo, tem tomado medidas que, objectivamente, o defendem.
A cultura e a criação artística voltaram ao signo do supérfluo, não se vislumbrando nenhuma capacidade para perceber que a identidade cultural do país, a diversidade e a criatividade poderão ser economicamente rentáveis. Doloroso é também o desinvestimento na ciência, assistindo-se a uma desvalorização das Universidades como polos de investigação, que tanto melhoraram nestes últimos anos e que têm contribuído para a formação de empresas exportadoras de tecnologia de ponta.
A diabolização da política e dos políticos também espelha o regresso ao passado. A demagogia impera e o que foi instituído para permitir a igualdade de acesso ao exercício nobre da política e de cargos públicos, arrasta-se pela lama e é incinerado na praça pública, acicatando-se o primarismo e a violência de quem se sente desesperado. É verdade que a imoralidade e a delapidação do património público é uma realidade, mas a generalização hipócrita do ascetismo não credibiliza ninguém e está a afastar ainda mais os cidadãos dos seus representantes, abrindo portas ao surgimento de movimentos antidemocráticos, como se percebe pelos apelos de cidadãos indignaos ao cerco do Parlamento, etc.
Menos trabalho, menos qualificação e competências, menos remuneração, menos direitos sociais, mais horas laborais. Os sacrifícios são mais uma vez o corolário de uma vida que, segundo a Madre Igreja, será a preparação para a eternidade de venturas no Céu, visto que o Inferno e o Purgatório deixaram de existir, mas podem ser renovados pela mão de governantes retrógrados.
Não consigo perceber porque é que o corte dos subsídios de Natal a todos os trabalhadores não seria considerado credível e levaria à suspensão da ajuda externa. Não consigo mesmo perceber. Ou será que consigo? Só são credíveis medidas que poupem os trabalhadores fora da função pública? Ou dito de outra forma - credibilidade é penalizar os funcionários públicos?
Rudolf Stingel
Vendemos a prata dos dias
o ouro não chega para regar almas
sedentas de raízes e flores
mais que de metal ou pérolas.
Restam-nos feridas abertas
que nenhuma noite pode sarar.
Realmente não acompanho a euforia reservada da esquerda que se seguiu às declarações de Cavaco Silva.
Há várias coisas que extraordinárias:
O plano de Vítor Gaspar já chocou muita gente, porque é chocante. E não o fez só à esquerda, pois o PSD também ficou chocado e muito. Mas não se consegue mexer. Nem o PS. A principal razão porque o plano é chocante é que ele assenta numa carta que não estava no baralho: a contracção sem limites de salários - e mais aumento de impostos. Assim qualquer um sabe governar. (...)
O actual Governo, uma vez por todas, tem de assumir as suas opções. As suas opções radicais. E profundamente anti-europeias.
O mantra por trás destas opções é também, por seu lado, incompreensível. Trata-se de "recuperar a confiança dos mercados". Este mantra, dito em 2011, não revela uma completa falta de percepção do que se está a passar na economia internacional? Revela. (...)
Mas insistamos nos mercados e voltemos ao Chile. Nos anos 1980, um grupo de rapazes de Chicago entrou pela ditadura chilena adentro e "cortou com o passado", fazendo um "ajustamento profundo". Os pormenores não cabem aqui, mas quatro questões importantes cabem: o país era então uma ditadura; não estava integrado num espaço económico e monetário alargado; havia uma enorme taxa de inflação; e os mercados internacionais não estavam de rastos. E o desemprego subiu a perto de 25%, sem subsídios, claro, que isso é para os preguiçosos. (...)
Há alternativa? Claro que há. A Europa não se gere pelos 5% de ideias económicas que infelizmente foram parar ao Ministério das Finanças. Nem de perto, nem de longe. Passos Coelho tem muito que aprender. Já está é a ficar sem tempo para o fazer. Vítor Gaspar tem um bocado de razão em pensar como pensa. É isso que acontece sempre, entre economistas. Mas deitou essa razão por borda fora, ao ir tão longe, tão fora da realidade do país, do euro e da Europa. Precisamos de recentrar o País, para o que convém começar por reconhecer as causas das coisas.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...