02 outubro 2011

O regresso de George

 



 


Ontem apanhei a meio, num canal qualquer, o filme O Regresso de Henry (Regarding Henry). A hipótese de alguém reconstituir a sua vida a partir do nada, ser outro totalmente diferente do que foi, é algo que a nossa sociedade, hipocritamente, associa à reabilitação individual, com a forma como se entende e afirma, em termos de direito penal, o objectivo da clausura nas prisões (nos países que não aceitam a pena de morte), mas que, na realidade, é cada vez mais impossível de se conseguir.


 


Como se demonstra pelo caso do assassino e terrorista, condenado a 30 anos de cadeia, que se conseguiu evadir e estabelecer-se num outro país (o nosso), com outra identidade, assumindo uma pessoa totalmente diferente da que tinha sido, vivendo uma vida plana, igual à de tantos outros, exemplares cidadãos ou cidadãs.


 


Será que, tal como a Henry, não terá aproveitado a oportunidade que a sorte (?) / destino (?) lhe deu para mudar de alma. Será que é mesmo possível mudar de alma, tornar-se invisível, virar-se do avesso, perdoar-se a si próprio, se é que alguma coisa envolve o sentido do perdão e da penitência?


 


A nossa moderna sociedade tecnológica, com cruzamento de dados , satélites, GPSs e globalização internáutica, transforma-nos num colectivo ditatorial em que o indivíduo e o livre arbítrio têm uma presença cada vez mais efémera.


 


Do feminismo brando

 



 Cassandra Austen: Jane Austen


 


Apesar de serem romances de uma escritora do século XVIII/XIX (Jane Austen), Sensibilidade e Bom Senso (Sense and Sensibility) e Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice) são novelas que, ainda hoje, excitam a imaginação de milhares de leitores por todo o mundo, com várias reedições e estudos críticos, adaptações cinematográficas e séries televisivas.


Estando eu no meio dos admiradores destas duas novelas, pergunto-me muitas vezes as razões de tamanho êxito, idêntico ao que se verifica também com um livro como Mulherzinhas (Little Women – de Louisa May Alcott, século XIX).


Para além de serem histórias passadas dentro das famílias, com retratos sociais e reflexões éticas e culturais, no sentido da caracterização de certas classes e de certos ambientes rurais, apoiando-se em enredos que podem ser olhados como teias ou redes de relações, projectam personagens femininas fortes e emancipadas, dentro do que era possível e aceite.


Em Orgulho e Preconceito, a autora criou Elizabeth Bennet, uma de cinco filhas de um casal de proprietários rurais. Enquanto a maior preocupação da mãe era casar a sua prole salvaguardando-a da miséria, debatendo-se com os fracos dotes para encontrar maridos que pudessem prover ao seu sustento, Elizabeth Bennet tem uma postura de literata e de independência face a algumas das convenções da época, preocupando-se mais com o seu espírito indomável que com o futuro, mostrando até gosto pelo desafio da arrogância e da férrea estrutura classista.


Também em Sensibilidade e Bom Senso a dependência económica das mulheres é o pano de fundo da história. Nesta enquadram-se as vontades de duas personalidades diferentes - as irmãs Elinor e Marianne, de duas maturidades distintas, mas sempre com a preocupação de personagens femininas com pensamento próprio e necessidade de afirmação de independência, exercendo escolhas e tomando posições bem definidas.


O terceiro exemplo centra-se numa ética religiosa, de comportamentos estritos e bem controlados, com uma personagem central - Jo March - que afirma os valores da educação, do pensamento autónomo, da crítica e da independência, apenas aceitando a submissão ao amor, aqui já quase omnipresente.


Não sei se é o transporte para um mundo mítico que gostaríamos de ter conhecido, se a moralidade e a certeza do triunfo dos justos, se a existência de heroínas brandas mas firmes, que nos fazem manter o interesse por estas histórias, ou tão somente a melancolia de algo que nunca fomos nem nunca seremos.


 



 Luisa May Alcott

01 outubro 2011

MasterChef

 


Nunca vi tantos programas de culinária como agora, que estou numa dieta absolutamente espartana. MasterChef Australia, Jamie Oliver, Henrique Sá Pessoa, todos os do Food Network, numa furiosa sublimação dos prazeres da comida suculenta, apaladada e perfumada.


 


Os olhos também comem, não há dúvida.

Depressão generalizada

 



Geroge Seagal: depression bread line


 


Não se aguenta mais o clima de medo, ansiedade, pessimismo e depressão generalizada que se instalou na sociedade.


 


Os dias começam com o anúncio de mais buracos, de mais cortes em salários e despesa pública, de mais desemprego, de mais impostos, de mais crimes, de maior afundamento das bolsas. A Europa está a implodir, os EUA a encolher, os ditadores matam, os terroristas explodem-se e explodem quem se avizinha. Fogem famintos que se afogam, desfilam populações em protesto, incendeiam-se cidades por capricho ou revolta.


 


Setembro pesa, abafa, estufa. O sol não afasta temores nem ilumina as mentes. Ao menos que venha o frio, que venha o fustigar do vento, o abano da chuva, os dias pequenos e sombrios, que passem depressa.


 

30 setembro 2011

Link

 



 Leonel Moura


 


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OBRAS DE

Ana Hatherly
Fernando Aguiar
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[Leonel Moura]


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Jardim particular

 



Rubén Roig


 


Assiduamente visito o meu pequeno jardim particular


delicadamente rodeio ervas pisadas pelas almas noturnas


que lembram implacavelmente a minha incapaz arrogância.


A memória como espada no meu pequeno jardim particular


que espera a minha própria tabuleta


onde finalmente irão crescer as rosas da redenção.

29 setembro 2011

De volta

 


A infecção do blogue e o muito trabalho desmotivaram-me de ir escrevendo. Mas não têm faltado bons motivos para o fazer.


 


Independentemente de se concordar com a oferta de dinheiro para premiar o mérito, este deve ser premiado. O incentivo ao sucesso é tão importante como a luta pela redução do insucesso escolar. E decidir retirar o prémio a dias da sua entrega é inaceitável, como inacreditável é a justificação que o Ministro Nuno Crato resolveu dar. Péssimo sinal deste Ministro e deste governo. Ainda bem que a Ordem dos Médicos resolveu assumir o pagamento de alguns dos prémios. Espero que outras Instituições, ou Empresas, ou Cidadãos, em grupos ou solitários, façam a mesma coisa.


 


Também aguardo as notícias do que acontecerá a quem está envolvido nesta vergonha. Aos professores faltosos e aos médicos que lhes atestaram as baixas.


 


Paulo Macedo avança na Saúde. A redução dos preços dos medicamentos e a alteração das regras de isenção às taxas moderadoras são de saudar, ficando a reserva para o montante que vão atingir, ainda não decidido.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...