23 junho 2011

Os limites da democracia

 



 


A propósito da Grécia, das dívidas, dos pacotes de austeridade e do afundamento do projecto europeu, assim como da subversão dos princípios democráticos, pela redução das opções de escolha dos cidadãos, vale a pena ouvir Maria João Rodrigues, entrevistada por Paulo Tavares (TSF).


 

Próxima legislatura

 



 


O aparente apaziguamento da sociedade e a boa vontade perante o novo governo revela o enorme alívio perante o resultado das últimas eleições. Alívio que é partilhado pela esquerda, pois penso que todos esperavam um enquadramento parlamentar diferente, sem maiorias, em que a formação de um governo fosse difícil pela incapacidade de se formarem alianças. Penso que o melhor que se esperava era uma reedição do bloco central. Assim, a escolha clara por uma maioria de direita dá estabilidade ao país. Além disso, a coligação soube negociar em tempo recorde, apresentar uma solução governativa inovadora e resolver o imbróglio Fernando Nobre de uma maneira brilhante.


 


O suspiro de alívio é geral e profundo. Mas as opções políticas são claras e o que nos espera serão medidas de redução do Estado Social, de caritatização da sociedade, da transformação daquilo que consideramos direitos como favores do Estado. A solidariedade entre os cidadãos e a sua contribuição para o bem geral, que era mais ou menos assumido que se traduzia no contributo fiscal, em que os que mais ganham mais pagam, para que os serviços prestados fossem universais, parece ter os dias contados. A ideia de que a Educação Pública é um dos agentes mais importantes na democratização da sociedade, em que o investimento na escola tem o retorno garantido na redução das diferenças entre diversas classes económicas e múltiplas culturas, será ultrapassada.


 


A implosão do BE e a renovação ideológica e de praxis no PS são indispensáveis no reposicionamento dos partidos de esquerda para o debate que importa realizar, tendo em conta a globalização, o falhanço das lideranças europeias e a derrocada do projecto europeu. Os valores mantém-se, mas as medidas para que as sociedades se revejam neles, a forma de os abordar e, sobretudo, de os honrar, terá que ser diferente. Francisco Assis abriu o caminho com a hipótese da participação da sociedade na eleição do líder do PS.


 


A próxima legislatura, esperemos, terá a duração de quatro anos. É tempo de renovar e assumir roturas com o passado. A esquerda precisa de romper com a cultura sindical instalada, que é arcaica e anacrónica, precisa de rever os modelos da legislação laboral, das áreas de desenvolvimento económico e de inovação, precisa de manter algumas bandeiras, como as energias renováveis e o investimento na ciência, de propor reformas políticas e administrativas que respeitem a democracia. Acima de tudo, precisa de repor a credibilidade da política e dos políticos, rejeitando sem medo todas as formas de populismo que se mascarem de movimentos apartidários e de cidadãos, que mais não são do que embriões de devaneios totalitários.


 


Não há tempo a perder.


 

22 junho 2011

Urgências, cópias, lamentos e demissões

 


Depois de uma reunião de urgência com a Ministra da Justiça, pedida pela própria Directora do Centro de Estudos Judiciários (CEG), na sequência das notícias sobre o copianço generalizado num exame, que resultou na digna classificação igualitária de 10 valores, Paula Teixeira da Cruz aceitou a demissão de Ana Luísa Geraldes.


 


A opinião do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), pela voz de João Palma, não se fez esperar, lamentando a saída da Presidente do CEJ - não foram mais do que vítimas da política ou da falta de responsabilidade política que tem havido nos últimos anos.


 


É uma conclusão óbvia e imediata, não há qualquer dúvida. A política e a falta de responsabilidade política redundam sempre, impreterivelmente, na capacidade de pessoas adultas se disporem a copiar nos exames.


 


E que tal alguém aceitar a demissão de João Palma? Ou mesmo a extinção do SMMP?


 

Um dia como os outros (90)


(...) Se porventura estiverem médicos envolvidos nós cá estaremos para instituir severas penalizações a esses médicos que de forma tão grosseira estariam a ferir o código de ética e deontológico dos médicos. (...)


 


(...) Em todas as profissões existem pessoas que não respeitam as regras e nós os médicos somos os primeiros interessados em que haja mecanismos que possibilitem a detecção de médicos prevaricadores. (...)


 


José Manuel Silva


21 junho 2011

Depois das eleições

 


O BE está a partir-se em bocadinhos, mais do que os bocados que o formaram. Com ele a miragem de uma alternativa ao PS. A esquerda grande de Francisco Louçã não é mais do que a enorme ambição demagógica e populista de um pequeníssimo grupo, que muitos sonharam ser diferente.


 

Parlamento dignificado

 



 


Depois de um inacreditável erro, ao convidar Fernando Nobre para a Presidência da Assembleia da República, cargo que resulta de uma eleição; depois de Fernando Nobre não ter percebido que a sua incrível arrogância em manter a imposição do seu nome para a eleição, que se sabia muito periclitante, Passos Coelho saiu-se bem, mesmo muito bem, com a solução encontrada.


 


Assunção Esteves é respeitada por todos, independentemente do partido a que pertence. Fez um discurso que louva a política e os políticos, que dignifica os deputados e o Parlamento, que aplaude a democracia.


 


Parabéns a este Parlamento que assim começa muito bem.


 

19 junho 2011

Dança dos Elfos


DavidPoper: Dança dos Elfos - "Elfentanz"

 violoncelo: Julian Steckel
piano: Reiko Hozu

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...