20 maio 2011

O debate

 


Penso que foi um debate tenso e doloroso de se ver. De dar dor de cabeça. Quem tinha mais a perder era Passos Coelho. E, quanto a mim, perdeu.


 


Perdeu porque chamou mentiroso a Sócrates e foi desmentido, perdeu porque não soube defender as ideias que tem propagandeado, óbvio no caso dos co-pagamentos no SNS, perdeu porque não conseguiu explicar porque tinha provocado a queda do governo.


 


Sócrates não conseguiu explicar a manutenção da segurança social e surpreendeu-se com a agressividade de Passos Coelho.


 


Mas vamos todos ficar a saber o que deveríamos pensar. Maria João Avilez já nos está a demonstrar a vitória de Passos Coelho. Mas os outros também nos vão ensinar a interpretar o debate.


 

Custo unitário do trabalho

 



 


O retrato do que a maioria dos patrões pensa é-nos dado pela Confederação Empresarial de Portugal (CIP) - aumentar o número de horas de trabalho sem aumentar a remuneração, reduzir a comparticipação dos empregadores para a segurança social (redução da taxa social única), reduzir o número de dias de férias, alterar a legislação laboral para permitir aumentar despedimentos, alterar a legislação da greve, enfim - (...) É preciso reduzir o custo unitário do trabalho (...).


 


E que tal acabarmos de vez com esses privilégios dos trabalhadores, que é terem direito a horários de trabalho, remuneração condigna, descanso aos fins-de-semana, férias, reformas, etc.? Porque não podermos despedi-los sempre que nos apetece, sem qualquer justificação, e não termos que lhes dar indemnizações? Isso é que nos tornaria verdadeiramente competitivos em relação às economias chinesa e indiana, em termos de custo unitário de trabalho.


 


Gostaria de saber quais eram as propostas da CIP para melhorar a performance das empresas que implicassem os próprios empresários. Não há?


 


Todos sabemos que são necessários ajustamentos da legislação laboral com flexibilização dos despedimentos, redefinição do que é justa causa, dos horários de trabalho (em vez de os aumentar se calhar reduzi-los, para aumentar a oferta de emprego), e outros. Mas as ideias que estes senhores defendem, mal há uma ligeira hipótese, demonstra que não aprenderam nada durante estes anos de democracia, que não aprendem nada com as crises e com as convulsões sociais.


 


Realmente o atraso económico do país tem grandes responsáveis, entre eles os empresários, grandes, pequenos, micro e nano.


 

Radicalização irresponsável

 


A recusa de Passos Coelho e de Paulo Portas em governarem com José Sócrates, mesmo que este ganhe as eleições, é bem a demonstração da irresponsabilidade dos dois líderes.


 


De declaração em declaração, a radicalização da campanha eleitoral conduz os cidadãos a uma cada vez maior apreensão e desmotivação. Ao contrário do que amor ao país que proclamam, estas posições irredutíveis apenas transformam o futuro próximo numa incógnita.


 


O PSD e o CDS tudo estão a fazer para que se instale a ideia de que a única possibilidade de governo seja resultante de uma coligação entre eles, independentemente de quem vença as eleições, alterando aquilo que é o espírito e que tem sido a forma das eleições democráticas em Portugal. A diabolização de José Sócrates é mais uma parte desta campanha que já tem muitos anos, para que os eleitores fujam da escolha socialista.


 


Esta estratégia pode bem redundar em fracasso, nomeadamente na percentagem de abstencionistas. Caso os líderes estejam dispostos, após as eleições, a fazer alianças, coligações ou acordos parlamentares, mais uma vez sairão desacreditados por desdizerem o que afirmaram. É um jogo muito perigoso e quem perde somos nós todos.


 

19 maio 2011

SEDES - o próximo partido político (?)

 



 


A SEDES, periodicamente, produz documentos críticos sobre vários aspectos da sociedade, da economia, da política portuguesa. Neste caso corporizada por, Henrique Medina Carreira, Henrique Neto, João Duque, João Ferreira do Amaral, João Salgueiro, Luís Campos e Cunha e Luís Mira Amaral, o documento alerta para o perigo a que a guerrilha partidária nos expõe, o enxovalho internacional, o descalabro social do desemprego, o ambiente de I República.


 


(...) - Para isso há que desenvolver a sociedade civil e a intervenção cívica dos portugueses, libertando o nosso sistema político dos constrangimentos provocados pela concentração de todo o poder político nos partidos existentes. Não para os combater, mas para os tornar os mais abertos, mais democráticos e mais devotados à governação.


- Há que recorrer com urgência a novas formas de democratização, há que reconhecer o problema constituído pelo funcionamento deficiente e acrítico dos partidos políticos, evitando a repetição dos acontecimentos trágicos da primeira República, enquanto é tempo.


- Como temos dito vezes sem conta, o funcionamento da Justiça constitui o centro de muitos dos problemas nacionais. Não contribuindo eficazmente para combater o clima geral de indisciplina, de impunidade e de corrupção na sociedade portuguesa, também constitui um obstáculo objectivo ao desenvolvimento das empresas e ao investimento numa economia sã e responsável. (...)


 


Gostaria que estas individualidades explicassem concretamente como se resolve o problema da justiça, como se libertam os partidos políticos, quais as novas formas de democratização que preconizam. Mais importante que o dizer é proporem-se fazer. Porque não fundarem um partido político diferente dos que existem e concorrerem a eleições?


 

18 maio 2011

Triste gente

 


O tempo e energias que as pessoas gastam em inutilidades ignóbeis.


 

Um dia como os outros (86)


(...) O efeito mais provável de uma descida da TSU é os preços não descerem, a exportação não aumentar e o emprego não subir, incentivando-se ao mesmo tempo a aposta das empresas em produtos de baixo valor acrescentado baseados em mão-de-obra barata. Paralelamente, e para alimentar essa descida da TSU, todos estaríamos a pagar mais impostos indirectos e a piorar ainda mais a situação das famílias afectadas pelo desemprego ou com rendimentos mais baixos. Some-se ainda a este impacto os potenciais problemas que se poderiam arranjar no financiamento da Segurança Social.

Os riscos que se correm com uma descida da TSU são demasiado elevados. Se o problema são salários demasiado altos, quem está no sector privado sabe que os trabalhadores aceitam cortes. Já aconteceu. (...)


 


Helena Garrido


 

Das notas que tomamos (6)

 



Será mesmo verdade que Passos Coelho, ou alguém por ele, vai pedir conselhos a Dias Loureiro?


 


Em relação ao programa Novas Oportunidades, cuja avaliação externa foi coordenada por Roberto Carneiro, os resultados de 2010 estão disponíveis - é só ler.


 


Volta a ideia de pagar taxas moderadoras por escalões de IRS, sem se explicitar que já há pagamentos escalonados, para a saúde e para tudo o resto, através dos impostos. Passos Coelho também passou a ser adepto das novas tecnologias e das auto-estradas informáticas, querendo usar o cartão do cidadão, o tal horror que acaba com a privacidade das pessoas, para que se possa, através dele, ter acesso à informação fiscal, de forma a poder cobrar taxas diferenciadas. Melhor que isto só a implementação de um cartão de pobreza.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...