12 março 2011

Os milhares


 


A manifestação de hoje, convocada pela geração à rasca, foi um êxito. Grande mobilização, calma, razões misturadas, desagrados vários, e um enorme desagrado geral, contra a falta de luzes ao fundo do túnel. Os aproveitamentos do costume e, para meu espanto, a estimativa do número de manifestantes, que começa a ser hilariante. Nada menos que 200.000 em Lisboa. Como me fizeram ver, hoje à noite, 200.000 pessoas equivalem a 4 estádios do Sporting ou a 3 estádios do Benfica em lotação esgotada.


 


Não havia necessidade.

Critérios editoriais

 



 


Confesso que leio pouco a revista da Ordem dos Médicos (ROM). Também não tenho estado muito atenta a algumas polémicas que se vão desenrolando na blogosfera. Aliás tenho sentido um cansaço imenso, quase uma náusea, de toda esta actualidade que nos apavora, de cada vez que ligamos o rádio ou vemos televisão.


 


Mas ontem a curiosidade (e a apreensão) venceram e fui ler com cuidado o artigo de opinião assinado por William H. Clode O sentido do sexo, publicado na edição de Janeiro da ROM. É um artigo de opinião dividido em 3 partes, datadas de 14 de Novembro de 2008, 8 de Setembro de 2009 e 1 de Dezembro de 2009. Nestes 3 textos o autor desenvolve a ideia de que o sexo é um sexto sentido, tal como o da visão, discorrendo sobre as alterações genéticas que levam ao daltonismo e comparando a homossexualidade com uma alteração genética, ainda não identificada nem estudada. Descreve também a consequência dessa eventual alteração genética, que correspondem a um comportamento típico, repugnante e com pouca higiene, fazendo parte desse comportamento desviante a utilização da boca e do ânus como órgãos sexuais.


 


Confesso, mais uma vez, que a discussão sobre a liberdade de opinião e o cabimento deste artigo numa revista da Ordem dos Médicos, por muito generalista que ela seja, me soa a exercício masturbatório de pseudointelectuais desempregados. Este artigo é um tal aglomerado de disparates que só o facto da ROM o ter aceite para publicação é inacreditável, quanto mais a defesa da sua publicação em nome da liberdade de opinião.


 


A minha reacção está muito para além do espanto. Acho degradante e atentatório da credibilidade da ROM, para além da credibilidade da classe médica como um todo, o critério editorial da ROM e o facto do Bastonário da OM achar normal a publicação deste artigo.

11 março 2011

Violência da natureza

Austeridade sem fim

Se tivéssemos alguma dúvida, José Sócrates e Teixeira dos Santos simpática e obstinadamente esclarecem-nos que as contas que prestam é a Angela Merkel e à União Europeia, que a política e a governação do país são dirigidas por Angela Merkel e pela União Europeia.´


 


Acho inadmissível que se apresentem mais medidas de austeridade sem que haja pelo menos a decência de as divulgar ao Parlamento português, para aplacar e suavizar as avaliações da Alemanha e da União Europeia, para tentar ganhar mais uns dias ou uns meses, não sei bem com que objectivo.


 


A estas medidas somar-se-á mais recessão económica, a que se seguirão mais medidas de austeridade. Não parece que nada disto tenha fim. Ou pelo menos um bom fim.

Distinções

Defendo a democracia participativa com partidos. Defendo a democracia participativa para além dos partidos. Defendo a liberdade de expressão de opinião e de manifestação, seja qual for o grupo ou opinião que se queira manifestar, pacificamente, respeitando a lei.


 


É importante que os cidadãos exerçam a cidadania com exigência e não se deixem manipular por formas mais ou menos escusas, abrindo a confusão e misturando coisas que não se devem misturar. Como sou uma das pessoas que tem assumido como a mesma a manifestação convocada para amanhã, da geração à rasca, com uma manifestação contra a política e os políticos, que pede a demissão de toda a classe política, devo informar que, pelos vistos, essas duas manifestações não são a mesma.


 


O que não apaga tudo o que penso dos protestos que este movimento tem protagonizado, o que não impede que pense que este movimento está a ser aproveitado/conduzido oportunisticamente por forças políticas, como o PCP e o BE, que tentam cavalgar todo e qualquer protesto.

10 março 2011

A nova era

 



 


A noção que o Presidente recém empossado tem de cooperação entre as instituições da democracia portuguesa é estranha, mas não surpreende. Cavaco Silva aproveitou esta oportunidade para, mais uma vez, abrir caminho a eleições antecipadas, em vez de promover a estabilidade, que tanto apregoou antes e durante a campanha presidencial. Aproveitou, cinicamente, os movimentos da geração à rasca, tal como aproveitou as manifestações e as marchas a favor da escola pública, promovidas pelos sindicatos dos professores.


 


O Presidente Cavaco Silva fez um discurso que traçou as linhas gerais do próximo governo de coligação PSD/CDS. A alternância é natural e saudável em democracia. Já não é saudável que seja o Presidente da República a liderar a oposição.


 


Ao reduzir a última década a um conjunto de anos perdidos, leia-se pela governação socialista, mais especificamente pela governação de Sócrates, Cavaco Silva não se lembrou da União Europeia, ao apontar a dependência alimentar não se lembrou da política agrícola comum. Ao falar da aposta na tecnologia e na ciência também se esqueceu do significativo aumento de cientistas em Portugal, nacionais e estrangeiros, e do aumento de publicações científicas. Quando diagnosticou a dependência do exterior também se esqueceu da aposta nas energias renováveis, nas tecnologias da comunicação, nomeadamente na banda larga. Não houve lugar, no seu discurso, para a verdadeira reforma que se iniciou no ensino. Cavaco Silva lembrou-se agora dos artistas e da cultura, mas esqueceu a crise.


 


Tudo já foi dito sobre este início presidencial. Tal como o Eduardo Pitta penso que esta nova era, como muitos gulosamente já lhe chamaram, inaugurada pelo discurso de Cavaco Silva, deveria ser assumida em pleno. Era clarificador que o governo apresentasse uma moção de confiança à Assembleia da República.


 

08 março 2011

Mulheres

  



Nnamdi Okonkwo: They are waiting


 


 


Mulheres, aquelas que choram e cantam, que aguentam filhos e pais, que vêm inchar o ventre e as pernas, riscar de rugas a face, de varizes a alma, dilatar a preguiça e a nostalgia do nada.


 


Mulheres, aquelas que sabem e esquecem, que vêm partir e amparam, que gritam e enxotam, que abraçam e sustentam.


 


Mulheres sem dias e a dias, todos os dias.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...