04 dezembro 2010

Concurso de Natal 2010 - Ovelhas de Presépio

 



 


E a tradição ainda é o que era. Natal não é Natal sem o concurso d'a Barbearia do Senhor Luís.


 


Este ano vão a votos as ovelhas das várias lojas cá do burgo. Haverá muitas e jeitosas, mas não melhores que a minha, seguramente, alegre e farfalhuda, com relva para ruminar, já que outras coisas ruminamos nós, neste ano da graça de 2010.


 


E como os prémios são, como é habitual, excelentes, perfilha-se já esta para a corrida.


 


Boa sorte aos concorrentes, que o júri é sempre justo e magnânimo.


 

02 dezembro 2010

Para ser grande, sê inteiro: nada

 


poema de Ricardo Reis


 


Para ser grande, sê inteiro: nada


Teu exagera ou exclui.


Sê todo em cada coisa. Põe quanto és


No mínimo que fazes.


Assim em cada lago a Lua toda


Brilha, porque alta vive.

Um dia como os outros (73)

 



PS vota contra projecto do PCP sobre tributação de dividendos.


 


Confesso que às vezes não percebo o Partido Socialista. Talvez lá eles percebam o que andam a fazer, com a grande coragem do líder parlamentar a ameaçar demitir-se se não estiver a maioria de acordo com a "linha geral". Pode haver boas razões para não baralhar as regras fiscais e deixar ir em paz quem, aparentemente, está a fazer uma manobra de antecipação que não está ao alcance da generalidade dos portugueses. Mas, se há essas boas razões, expliquem-nas claramente cá ao zé povinho. É que eu tinha ficado com a ideia que o próprio governo queria encontrar uma forma legal de impedir a manobra. Mas, claro, fui eu que não percebi nada. Espero bem que os restantes milhões de portugueses que se importam com isso tenham percebido melhor do que eu.

É que a esperteza propaga-se. Vejam este exemplo. Um ginásio, que cobra uma mensalidade que verá em 2011 recair sobre o montante de base uma taxa de IVA muito mais elevada do que até aqui, também descobriu o milagre da antecipação dos pães. Propõe à clientela que pague até 31 de Dezembro todo o ano de 2011, com o IVA de 2010. Fazem as continhas aos clientes, para que eles saibam quanto poupam. Isto também é legal? A resposta interessa-me, uma vez que sei de fonte segura que o caso é real e está mesmo a acontecer. Deixem na posta restante, se fizerem a fineza.

Porfírio Silva

01 dezembro 2010

Martinho da Arcada

 



Fernando Pessoa com Costa Brochado no Martinho da Arcada


 


Depois de um fim de tarde chuvosa a correr de um lado para o outro, rumámos ao Chiado, esperando pacientemente na fila de carros que enchia a A5, o viaduto Duarte Pacheco, o Rato, as imediações da Praça Camões. Estacionamentos completos, fomos andando até à Praça do Comércio. Em frente a uma loja de chapéus, carteiras e sapatos, finalmente arrumámos a viatura às 21:30.


 


O Martinho da Arcada foi lembrado e saudado como uma excelente ideia, até pela coincidência da efeméride – aniversário da morte de Fernando Pessoa. Mal entrámos no lindíssimo restaurante, com duas ou três mesas ocupadas, fomos avisadas assertivamente que a cozinha fechava às 22:00 e o restaurante às 23:00. Teimosamente ficámos, escolhemos morcela assada, salada rica, farinheira com ovos mexidos, creme de marisco e cataplana de peixes mistos.


 


Comemos a toque de caixa, apressadas por constante recordações das horas de encerramento da cozinha e do restaurante. A última de nós chegou já depois da cozinha fechada. Comeu os restos já frios das iguarias entretanto pedidas, antes da saída do cozinheiro.


 


Também apreciámos, para além das fotografias nas paredes, das cadeiras de madeira e dos tampos de mármore, das toalhas, dos guardanapos de pano e do fardamento dos empregados, o ruidoso desmontar das mesas e da arrumação de pratos e talheres. Saímos sem sobremesa nem café, para passear por Lisboa iluminada e para a gulodice de um gelado com café.


 


Lisboa à noite, fria, luminosa, com gente pela Rua do Carmo, Praça Camões, Chiado. Gelados com café e conversa solta, até tarde.


 


O Martinho da Arcada, uma referência literária e cultural da nossa capital, maltratado pela incapacidade de chamar e acarinhar clientes. As tertúlias que se iniciaram o ano passado, para salvar da falência o café, não alteraram os hábitos de quem afugenta os possíveis comensais que, em noite de Pessoa, não se podem dar ao luxo de ali estar.


 

29 novembro 2010

Fruto proibido









Bau

Rafeiros

 



Jorge Leal


 


Se não houvesse sol, se não houvesse mar, se não houvesse esta nossa teimosia da preguiça e da modorra, do humor e da rebeldia mansa, da resistência e da greve de zelo, permanente e bem-disposta, a última oportunidade à última da hora, a solidariedade para com os malandros, se não fosse a malandragem, então é que seria bom, nós entre os grandes e poderosos, a ofertar generosamente cães de raça e rafeiros, dignos dos Obamas terrestres e dos Kennedys celestes.


 

Tudo acertado

 



 


Já está tudo pronto, arranjado, tratado. Portugal vai alterar os códigos todos, reformar a saúde, os transportes, os públicos e os privados, a justiça, a injustiça, a defesa, o ataque, os capitais, as dívidas do país e da Europa. Portugal vai reformar as reformas.


 


Já está tudo esclarecido. As bases de apoio alargaram-se, a salvação nacional desponta no horizonte, Passos Coelho, Cavaco Silva, Paulo Portas, Paulo Rangel, Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite, António Borges, Miguel Frasquilho, tantos e tão bons economistas, contabilistas, técnicos que odeiam e desprezam a política, todos unidos contra a corrupção, contra a plebe ignorante e mal informada, contra o PS no geral e Sócrates em particular, contra o governo como um todo e cada um dos seus ministros, secretários de estado, assessores, administrativos e chefes de limpeza dos gabinetes, contra motoristas e alfaiates.


 


Já está tudo planeado. A Europa dos cidadãos olha do alto para os cidadãos de segunda, os tais da periferia mediterrânica que não trabalham, as cigarras esmagadas pelas formigas, os fatos a crescerem sobre as sapatilhas, os chapéus a ensombrarem os gorros e os bonés.


 


Já está tudo acertado. Acaba-se com os doentes, os velhos, os preguiçosos; os fumadores e os comilões passam a pagar impostos adicionais; os obesos pagam por quilo, os anorécticos pagam por grama. Acaba-se com os pobres e, se for preciso, também com os ricos.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...