20 julho 2010

Fuga em frente

A discussão sobre a revisão constitucional, que foi lançada na altura do congresso do PSD por Passos Coelho, como a grande reforma que vai fazer Portugal sair do buraco socialista é, objectivamente, uma forma de desviar a atenção dos cidadãos da falta de soluções alternativas que o PSD tem para a governação do país.


 


Não significa isto que não seja importante discutir a proposta de alteração da Constituição feita por este PSD. Insere-se na área política que considera apenas serviços mínimos aqueles a que se obriga o estado, não incluindo obviamente a saúde e a educação. É importante que todos tenhamos a noção exacta do que propõe o PSD, pois preparam-se eleições antecipadas, caso Cavaco Silva ganhe.


 


Os indicadores económicos não são tão maus como o PSD esperava e a ressurreição de Sócrates começa a ser um fantasma omnipresente. Será que o PSD proporia o alargamento dos poderes presidenciais se pensasse que Manuel Alegre ou outro candidato de esquerda ganhasse as presidenciais?


 


Assim como a remodelação do governo e a aprovação do OE para 2011, estes factos políticos sucedem-se porque, afinal, tal como Paulo Portas intui, não será assim tão fácil derrotar o PS e José Sócrates em eleições. A ajuda de salvações nacionais ou de figuras providenciais são soluções preconizadas por quem não as tem.

Discussão pública - A Organização Interna e a Governação dos Hospitais

Está em consulta para discussão pública o documento A Organização Interna e a Governação dos Hospitais.


 


É um documento muito interessante e muito importante, pois não só caracteriza o momento actual de falta de adequação da organização dos hospitais públicos, como propõe soluções que modificam o paradigma da estrutura e organização do próprio SNS.


 


Este documento de trabalho centra a reforma da organização de toda a rede hospitalar no doente, na necessidade das populações servidas por determinadas unidades de saúde, observando que o hospital não deve ser uma unidade desintegrada da população que serve nem dos outros serviços de saúde. Focaliza-se na estruturação de unidades multidisciplinares, organizadas para que o doente possa ser atendido por múltiplas patologias, em vez de se deslocar a várias unidades de saúde.


 


Assume que a avaliação do desempenho deve ser rigorososa, chamando os utentes a participar nela, avaliando os responsáveis pelas direcções dos serviços/unidades, os profissionais e os órgãos de administração, mas centrando essa avaliação em indicadores de qualidade e não de produção, com rigorosos instrumentos de medição que permitam auditorias externas e internas. A avaliação de desempenho deverá ser por objectivos atingidos, medidos pelos resultados obtidos. Fala-se de incentivos à melhor performance, colectivos e individuais, da monitorização e avaliação do erro médico, da implementação de indicadores de gestão e de qualidade objectivos, que possam servir de base para perceber as limitações de processos e de decisões, alterando-as e evitando os erros.


 


Para que tal possa acontecer é preciso que o SNS seja organizado em função do doente. É também essa a visão dos signatários de um documento para a reforma do NHS - Reino Unido (e não só dos hospitais). É essencial que se faça um estudo de referenciação hospitalar baseada nas áreas geográficas, demográficas e epidemiológicas e não apenas na especialização tecnológica. É preciso concentrar e reduzir a dispersão de recursos. É preciso que todos os Colégios de Especialidade e todas as Sociedades e Associações de Especialistas organizem e publiquem standarts de boas práticas, segundo o estado da arte, que produzam instrumentos objectiváveis e realistas que possam servir para definir objectivos e medir resultados.


 


É crucial a criação de redes informáticas que comuniquem entre si e entre todos os prestadores de cuidados de saúde, agilizando a informação, reduzindo a duplicação e a redundância ou colmatando a falta dela. Os processos clínicos electrónicos, as prescrições electrónicas, os procedimentos protocolados são indispensáveis para uma verdadeira reforma das organizações e das referenciações, formação, consultadoria e ensino à distância.


 


O estudo e redimensionamento dos recursos humanos, muito escassos actualmente, mas também mal distribuídos, mal acompanhados e desmotivados, devem ser objecto de qualificação e dignificação, envolvendo-os nos processos de decisão, desde que o entendimento e o empenhamento seja em prole do verdadeiro serviço público.


 


A saúde e a educação são dois dos mais importantes deveres do estado e uma das melhores formas de promover a igualdade de oportunidades e a equidade dos cidadãos. Esta é uma oportunidade que não podemos perder, sob pena de perdermos o que de essencial significam estes valores.

menina limpa menina suja


 


Às 21h30 do dia 22 de Julho, no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, inaugura-se a exposição menina limpa menina suja, de Ana Vidigal (30 anos de pintura e de trabalho paralelo).


 

Casa das Histórias






 


Júlio Pereira & Tiago Torres da Silva


canta Manuela Azevedo 


 


(para a Paula Rego)


 


Sei que existe um lugar
entre a noite e a luz
onde os meninos andam nus
dentro e fora do mar


 


Há um gato a tocar
há um cão que é mulher
e um corvo a querer voar
de um desenho qualquer


 


Uma casa no campo
uma voz, um centauro
e as asas de um anjo
que as bruxas quiseram tecer ao contrário


 


A rapariga tem
que engolir sem um ai
mais um pássaro que é também
o seu filho e o seu pai


 


No jardim de Crivelli
ao som de traviattas
os meninos perdidos
descansam no colo gentil dos piratas


 


Onde estás?
quem me faz
um feitiço?


 


O macaco vermelho
vai batendo à mulher
e eu vejo-me ao espelho
será que o macaco irá morrer velho?

19 julho 2010

Pequeno apontamento

Pedro Correia tem andado um pouco distraído neste últimos meses, mas as suas distracções são selectivas. De todas as distracções só há um pequeno pormenor que gostaria de esclarecer. O meu afastamento de Carlos Santos, o tal companheiro de blogue do SIMpleX a que se refere (que apagou a sua passagem nesse e noutros blogues) não vem da época da campanha eleitoral em que não houve, da sua parte, violação de correspondência nem nada que se lhe assemelhasse. Havia um estilo mais ou menos agressivo de posts, tal como nos outros blogues de campanha, tal como em alguns dos posts de Pedro Correia.


 


A falta de carácter de Carlos Santos manifestou-se, pelo menos para mim, no blogue A Regra do Jogo, do qual fiz parte a seu convite. E por isso manifestei-me publicamente contra e afastei-me de imediato (facto do qual, por distracção, Pedro Correia não se deu conta). O que é interessante é que essa falta de carácter tenha servido para os intuitos políticos de outros.


 


Não tenho que dar justificações da minha conduta - o Pedro Correia não é o juíz dos comportamentos blogosféricos, meus ou de quaisquer outras pessoas. Não deixa de ser significativo que, em tudo o que falei no post a que se refere, nada tenha a apontar à forma como se pratica jornalismo no nosso país e como é tratada a informação por certos jornalistas.


 

16 julho 2010

Subsídios, almoços e má-fé

Hoje o país acordou com o anúncio de mais uma malfeitoria do governo PS - iriam acabar os subsídios para almoço das crianças que frequentam os ATL das IPSS - o Padre Lina Maia acusou o governo de má-fé, pelo facto de deixar sem almoço cerca de 90.000 crianças.


 


É claro que, na mesma notícia, se diz:


(...) O Ministério do Trabalho e Solidariedade Social explicou em declarações à TSF que detectou casos de instituições, nomeadamente escolas, que estavam a receber em duplicado os subsídios para o almoço nos ATL. Por este motivo, foi cortado o subsídio dado pela Segurança Social, mantendo-se o que é atribuído pelo ministério. Para a próxima semana, está agendada uma reunião entre estas entidades e a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade. (...)


 


O Padre Lina Maia, no entanto, não aceita esta explicação, mas não diz porquê.


 


Mais tarde aparecem declarações de Cristina Fangueiro, do ISS, que sugere mais tranquilidade. Eu acrescentaria mais um pouco de boa-fé

Tenderly







 


Lisa Stansfield



Words have been spoken my heart has been
broken But maybe not this time
Not with you and me
Love's understanding has always been nowhere to
be seen But maybe not this time


 


Don't hurt my heart
Don 't try too hard to be big and strong Just sweetly release me


 


No rough hands can satisfy me Baby I bruise easily
So feel it from the heart And when you love me
Love me tenderly


 


Loving has hurt me
Deceived and spurned me
But maybe not this time 'Cos that was in the past
How I've been scared
To put my trust in something good that may
not last But baby not this time


 


I know you won't hurt my heart
You won't try too hard to be big and strong
Just sweetly make love to me

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...