18 maio 2010

Combate

 


José Sócrates já devia ter feito uma comunicação solene ao país, na altura em que foram decididas as medidas de austeridade, após o Conselho de ministros. A entrevista à RTP, que foi uma espécie de combate de boxe entre Judite de Sousa e o Primeiro-Ministro, foi um mau sucedâneo.


 


No entanto não lhe correu mal, com excepção da justificação da suspensão dos projectos do Aeroporto, do TGV e da 3ª travessia do Tejo.


 


A grande maioria da população não lê jornais, não ouve noticiários nem entrevistas aos políticos. Por um lado evita uma enorme quantidade de enfartes e duma depressão nacional ainda maior, pelas catástrofes iminentes que todos os dias estão a acontecer.


 


Estamos agora a aprender com as reacções dos partidos políticos e com os comentários dos comentadores o que pensar da entrevista.


 


O habitual, portanto.

17 maio 2010

Um dia como os outros (56)



(...) A situação portuguesa é complicada, devido à dívida externa (sobretudo privada) e às fracas expectativas de crescimento. As medidas agora aprovadas como resposta à exigência do acordo europeu para garantir a estabilidade do euro e enfrentar os ataques especulativos destinam-se a dar maior credibilidade ao País para o exterior. Trata-se de diminuir o défice e a dívida para preservar a soberania e recuperar maior autonomia de decisão. É necessário que sejam explicadas com clareza, verdade e rigor. Sem pedidos de desculpas nem evasivas. E é sobretudo necessário que sejam enquadradas numa visão estratégica para o futuro, com garantias de que são transitórias e serão completadas por outras que tenham em conta a economia e abram perspectivas ao crescimento e ao emprego. Segundo alguns economistas, poder-se- -ia talvez, como acentuou o dr. António Carlos Santos, ter dado, do lado da despesa, mais atenção ao desperdício, nomeadamente em institutos e empresas municipais que não se justificam. Do lado da receita, deve reconhecer-se que houve um esforço na repartição da carga fiscal. Há quem sugira que podia manter-se a taxa reduzida do IVA (expurgando produtos que estão a mais nesta lista) e também garantir a intangibilidade do mínimo de existência no IRS. Recorde-se que Obama criou um imposto sobre a banca e que, em Espanha, ao contrário de Portugal, a banca paga um imposto superior à generalidade das empresas.(...)

Poder casar

 


Cavaco Silva desvaloriza a importância da legalização do casamento de pessoas do mesmo sexo, falando das imensas dificuldades que temos pela frente, argumentos que se desmentem a si próprios pelo facto do Presidente ter sentido a necessidade de falar ao país para justificar a promulgação da lei.


 


Penso que é uma lei importante e tenho pena que o PS não tivesse a coragem de ir mais além, dando oportunidade aos casais de homossexuais de optarem pela adopção, em pé de igualdade com os casais de heterossexuais.


 


As dificuldades económicas não podem impedir que se pense e de discutam os direitos das pessoas e a igualdade perante a lei. Nem me parece que haja assim um tão grande perigo de desunião entre os cidadãos.


 


Cavaco Silva fez mais um pouco de campanha eleitoral, depois da orgia da visita papal. Não lhe fica muito bem.

16 maio 2010

... ou mesmo a mofo

 


Ainda há dias estranhei o silêncio do PS sobre todas as alterações aos planos de governação e às promessas eleitorais. Mas eis que, do fundo das brumas do silêncio, se levanta a voz que defende Sócrates, para criticar António José Seguro, pela entrevista que deu ao Expresso.


 


António José Seguro, concorde-se ou não com ele, é livre de dizer o que pensa. A pluralidade e o debate de ideias é essencial sempre, e mais ainda numa época de tanta incerteza. Pensamentos únicos, como diz Tomás Vasques, cheiram a bafio.


 

15 maio 2010

Love me like a river does









Melody Gardot


 


Love me like a river does
Cross the sea
Love me like a river does
Endlessly
Love me like a river does
Baby don't rush you're no waterfall
Love me that is all
Love me like a roaring sea
Swirls about
Love me like a roaring sea
Wash me out
Love me like a roaring sea
Baby don't rush you're no waterfall
Love me that is all
Love me like the earth itself
Spins around
Love me like the earth itself
Sky above below the ground
Love me like the earth itself
Baby don't rush you're no waterfall
Love me that is all

Que Europa?

 


A construção europeia tem já várias décadas e surge como uma hipótese de manter a paz num continente dilacerado por duas grandes guerras e de formar um bloco económico e político que pudesse negociar com outros blocos.


 


Quando a esquerda, em Portugal, nos sucessivos tratados europeus, se mostrou sempre favorável à integração e à união económica e política, aceitou prescindir do poder decisório em várias áreas. Mas essas cedências tinham sempre em vista maiores ganhos em estabilidade política e económica, uma maior justiça social, o alargamento do nosso espaço comercial e cultural, a eliminação das fronteiras que nos acantonavam e limitavam.


 


É inegável que todos beneficiámos com a entrada na União Europeia, e penso que fez todo o sentido termos aderido à moeda única.


 


Isso não nos deve impedir de reavaliar a situação, à luz do que se passou desde 2008, quando se iniciou a crise global. O que, de início e até há pouco tempo era a opinião dominante, com a manutenção de apoios sociais, a redução do défice vagarosa e cautelosa, a política de investimentos públicos de forma a reanimar as economias da zona euro e de evitar uma recessão que se podia eternizar, mudou repentinamente para uma política económica de redução do défice a todo o custo e rapidamente, de implementação de cortes nas despesas estatais e aumento de impostos.


 


A União Europeia está refém da política interna alemã e das dificuldades que a Alemanha tem de defender o projecto de união económica e política de uma Europa coesa. Por isso o ataque especulativo dos mercados, aquela entidade mirífica que manda no mundo, ao euro e não ao dólar ou a outras moedas, tal como referiu António Costa na última Quadratura do Círculo.


 


Será então que esta Europa nos interessa? Será que, como diz Porfírio Silva, temos que ter mais esquerda europeísta? Qual é a Europa de que estamos a falar?


 


Uma coisa é a existência de directrizes para que haja estabilidade e controlo financeiro nos países do Euro – os Pactos de Estabilidade e Crescimento negociados com Bruxelas. Outra muito diferente é não haver qualquer capacidade de decidir os orçamentos anuais do estado.


 


Para que servem as campanhas políticas com anúncio de programas e políticas diferentes consoante as diferentes forças partidárias que se apresentam a eleições? Que capacidade têm os governantes de honrarem os compromissos firmados com os eleitores se, num fim-de-semana, têm que desdizer o que prometeram na semana anterior?


 


A esquerda europeísta deveria repensar qual o modelo de Europa que quer, qual o modelo de representação democrática, qual o regime político que defende e a quem deve prestar contas. A Europa que temos, se mantiver neste rumo, está condenada a desintegrar-se. Talvez a ideia de Jorge Bateira seja uma boa alternativa. Talvez fosse interessante que o Parlamento e os partidos políticos discutissem estas matérias, que são as verdadeiramente importantes para a definição do futuro, em vez de se entreterem em conversas de comadres desocupadas.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...