19 março 2010

Chumbo

 



Michael Olszewski


 


Deixo que as letras se formem no branco letras pretas vivas desejosas de se escreverem. Saem assim depressa e levemente mesmo que escrevam pedras e sono e chumbo e dor. Pedras de chumbo que dormem com dor. Sono de pedras com chumbo de cor. Palavras sem tino nem nexo só palavras que me saem e me pesam.


 


Depois há os dedos as teclas os sinais as vírgulas os pontos finais. Aqueles que uns gostam e outros riem gozam desprezam. Não se podem ignorar aqueles que torcem as bocas em risos sem som só grandeza frígida condensada no alto da arrogância de quem se pensa único. Por isso me arrogo o mesmo direito a mesma sombra de riso no canto da boca. Leio não gosto leio apago leio quero não ler dormir afundar o corpo até ao peso da terra quebrar os magmas as árvores rasgar-me pelos mares que atravessam de um ao outro lado a desesperança.


 


Fecho os olhos a boca volto do avesso o grito retraio o som silenciado perante tantas letras tantas palavras que nos custam a pele os nervos que desligam a mente sem muita dor muito peso muito chumbo.

Um dia como os outros (46)

 


(...) Este pode ser o momento de viragem deste governo. Ou Sócrates toma a coisa a peito, mostra quem manda e mostra que o programa eleitoral é para cumprir - e pode recuperar a iniciativa política, redesenhando a equação própria do PS e os desafios que ela deve colocar aos outros partidos e forças sociais (incluindo sindicatos e patronato); ou o PS, Sócrates, o grupo parlamentar e os fazedores de opinião socialista calam a boca por conveniência - e acabou a festa, pá. A partir daqui será sempre a cair. O outro dirá "porreiro", mas já sem o "pá", claro. (...)


 

Um dia como os outros (45)

 


(...) Não falo do modo como esta opção contradiz o programa eleitoral com que o PS se apresentou às eleições, nem sequer do que esta escassez de recursos representará num país pobre como o nosso, quando o desemprego se manterá a níveis socialmente intoleráveis. O que está em causa é também uma questão de identidade partidária. (...)





(...) Em última análise acaba com uma lógica de direitos de cidadania e faz regressar a política de combate à pobreza aos apoios discricionários com que rompeu no passado. A mensagem é clara: as pessoas ficam para o fim.(...)


 

17 março 2010

Sem limites

 


Depois do ministro Teixeira dos Santos ter feito uma comunicação ao país, quanto a mim coberto de razão, sobre a alteração à lei das finanças regionais, aprovada por toda a oposição parlamentar, o Presidente da República decidiu promulgar a nova lei. E o PS congratulou-se com esta medida.


 


A incoerência tem limites. Qual vai ser a posição do ministro das Finanças? Isto para não falar outra vez do PEC, muito bem dissecado também por Paulo Pedroso.


 

16 março 2010

Irreprimível

 


Nem sei muito bem que dizem as línguas dobradas

os olhos em alvo as mãos decepadas

nem sei muito bem que murmuram os dedos escondidos

entre o vício do costume e a revolta esmorecida

mas sinto este imenso desejo de não ser


este irreprimível cansaço


por ouvir


e  ver.


 

Diversões

 


Infelizmente o PS insiste em descredibilizar o Parlamento e o seu próprio partido. Não há nada mais importante a discutir do que os estatutos de um partido político aprovados pelos seus militantes?


 

Um dia como os outros (44)

 


(...) O que o Governo propõe é pura e simplesmente retirar toda a protecção a milhares de famílias, designadamente a protecção não-contributiva. Temo dizê-lo, mas o esforço de consolidação orçamental tem, de facto, de ser alcançado, mas, por isso mesmo, para que seja possível fazê-lo, é preciso criar uma rede de mínimos coerente e eficaz. E que tal cortar os 130 milhões de euros que se quer cortar com "os malandros do rendimento mínimo" em prémios e salários no sector empresarial do Estado ou, em alternativa, incluir já no OE para 2010 a tributação das mais valias bolsistas. (...)


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...