27 fevereiro 2010

Oportunistas na política e a vontade de calar quem defende as políticas do PS

 


Este é o texto de Bruno Reis, publicado ontem (26/Fevereiro) pelo Público, em Cartas à Directora (pág.40), a propósito do último artigo de Pacheco Pereira: Um estranho Verão entre eleições

 


O PÚBLICO fez eco, assim como alguns dos seus colunistas, de afirmações caluniosas quanto ao blogue Simplex surgidas em blogues e nalguma imprensa. Eu fiz parte do blogue Simplex. Como muitos dos que lá escreveram, não tenho, nem tive, nem conto ter qualquer cargo político remunerado por via do actual Governo. Nego terminantemente como insultuosas e difamatórias as notícias que caracterizam o Simplex e os que nele participaram como parte de uma campanha de informação determinada pelo Governo e paga com dinheiro público.




Para quem conheça o descontraído e tudo menos ortodoxo João Galamba é delirante pensar que ele seria chefe de fila de uma qualquer cabala coordenada pelo Governo. Que a imprensa de referência ande a dar como notícias tais patetices insultuosas só mostra como desceu o seu nível de referência. A mesma imprensa que tanto critica os blogues dá eco ao que de pior por lá se publica.




O que escrevi no Simplex foi sempre livremente decidido por mim. Foi essa a condição da minha entrada no blogue em conversa com o próprio João Galamba. Os mails, ilegalmente publicados sem autorização (aparentemente não se vê agora obstáculo em fazer notícias com base em divulgação de correspondência privada, ao contrário do que aconteceu quando se tratava de mails trocados entre jornalistas do PÚBLICO), fizeram parte de uma quantidade enorme de mails referente aos mais variados temas políticos ou mundanos. Essa troca de mails resultou simplesmente de uma rede de amizades e convergências políticas que levou a que se trocassem informações sobre os debates que dominavam a campanha eleitoral – foi expressamente com esse objectivo que o blogue foi criado e quem o lia sabia isso. Essa troca de mails nada teve de anormal ou de ilegal. Nenhum foi assinado por um membro do Governo, nem configura qualquer instrução do Governo.




Sei bem o que é estar num blogue com uma linha política definida, e sei bem a diferença.  No Barnabé, blogue em que participavam pessoas mais ou menos ligadas ao Bloco de Esquerda – e agora cronistas em jornais de referência –, mas que se reclamava um blogue plural de toda a esquerda, aí, sim, sofri pressões de alguns para não me desviar de uma determinada linha. Tal nunca sucedeu no Simplex. Sei sobretudo que o Carlos Santos que o PÚBLICO e outros media apresentam como defensor da liberdade de expressão, da imparcialidade e da ética república, CENSUROU a publicação do post em que eu tencionava explicar por que saía do blogue A Regra do Jogo. Sei que o Carlos Santos criou o blogue A Regra do Jogo, logo a seguir ao fim do Simplex e convidando, com elogios rasgados, os que tinham participado nesse (agora) aparentemente temível exemplo de manipulação da informação. Sei ainda que o mesmo Carlos Santos apelou a participantes no Simplex para lhe arranjarem um lugar de cronista na imprensa. Sei que há oportunistas em todos os partidos, que os usam como forma de promoção pessoal. A minha pergunta é se não será esse o caso do Carlos Santos.

 


Convém também recordar que são pagos pelo erário público os deputados e respectivos assessores dos partidos da oposição que, também eles, fazem política e participam no debate público na imprensa e nos blogues. Cabe perguntar, portanto, se o que se quer, na verdade, é que os apoiantes do programa do actual Governo não tenham a liberdade de participar no debate público para defender as suas ideias – sejam eles assessores do Governo, membros do Governo, ou, como é o meu caso, não tenham mais do que prejuízo com o tempo que gastam na política.




Há um clima crescente na sociedade portuguesa de intolerância e tentativa de silenciar os que apoiam as corajosas reformas e os ambiciosos projectos para o país do actual Governo. Quantos comentadores no PÚBLICO defendem regularmente a política do Governo – 1, 2? Entre quantos? Os jornais não têm de reflectir os resultados eleitorais na escolha de colunistas políticos. Mas também não têm o direito de dar eco a calúnias que visam vozes que se atrevem a desafiar os poderes fácticos e os interesses instalados na imprensa e não só.

Bruno Reis, Lisboa

 

Um dia como os outros (39)

 


(...) O Prémio Literário Casino da Póvoa, no valor de 20 mil euros, distingue este ano a escritora Maria Velho da Costa pelo romance Myra (Assírio & Alvim). (...)


 


(...) Eduardo Pitta, poeta, ensaísta, crítico do jornal PÚBLICO e colunista da revista "Ler", foi distinguido com o Prémio Especial Jornalista ou Imprensa de Edição, por “com a sua voz singular e olhar atento, continuar a dar sentido ao conceito de crítica literária”.(...)


 

24 fevereiro 2010

Um dia como os outros (38)

 


(...) Perante uma prolongada sentença de prisão, Orlando Zapata Tamayo não viu outra saída para protestar contra a terrível e continuada repressão exercida contra os dissidentes políticos em Cuba, senão fazer greve de fome.


A morte de Orlando Zapata também sublinha a necessidade urgente de Cuba autorizar peritos internacionais de direitos humanos a visitarem o país para verificarem o respeito pelos direitos humanos, em particular das obrigações no âmbito da Convenção Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos.


Orlando Zapata Tamayo era um dos 55 prisioneiros de consciência adoptados pela Amnistia Internacional em Cuba.


A maioria pertencia ao grupo de 75 pessoas que foram presas na sequência das repressões violentíssimas levadas a cabo pelas autoridades contra activistas políticos, em Março de 2003. O sistema judicial em Cuba não é independente, por isso os julgamentos são frequentemente sumários e ficam largamente aquém dos padrões internacionais para julgamentos justos. Uma vez condenados, as hipóteses dos arguidos poderem recorrer são nulas.


 

Os novos Guardiões do Templo
















 


Este é o texto hoje publicado pelo Público, em Cartas à Directora (pág.34), a propósito do último artigo de Pacheco Pereira: Um estranho Verão entre eleições:


 


Saiu hoje um artigo no Público, assinado por José Pacheco Pereira – Um estranho Verão entre eleições – em que o articulista afirma que o blogue Simplex, blogue de apoio ao PS e formado exclusivamente para isso, como consta do seu manifesto publicado a 20/07/2009, teria servido como fluxo de informação do governo, preparado por assessores e utilizando bases de dados da Rede Informática do Governo, através de João Galamba, um dos impulsionadores do blogue.


 



Tal como outros membros do blogue, aceitei integrá-lo porque acreditava, como acredito, que a manifestação de opinião na blogosfera é uma forma de intervenção cívica acessível e democrática, que enriquece o debate. O convite para integrar o blogue foi-me feito precisamente assegurando a completa independência editorial o que foi determinante para a minha aceitação. Mais afirmo que não me foi prometida qualquer contrapartida, monetária ou outra, por essa participação tal como não o foi a qualquer dos outros participantes.


 



Posso portanto afirmar com conhecimento de causa que não havia controlos, orientações nem distribuição de temas para debate. Cada um de nós actuou e escreveu dentro das suas disponibilidades, abordando as suas áreas de interesse, com as informações de que dispunha e a que tinha acesso, nomeadamente documentos que membros do governo, candidatos a deputados e militantes do PS usavam, como base de sustentação argumentativa, como depreendo que é feito em qualquer campanha eleitoral. Toda a informação que foi trocada nos emails é a habitual entre um grupo que se uniu com um objectivo comum, assumido, claro e transparente.


 



É absolutamente vergonhosa a utilização deste simples facto, a criação de um blogue para fazer campanha eleitoral, estratégia utilizada por outros partidos políticos - Jamais pelo PSD e Rua Direita pelo CDS – tendo o articulista feito parte do blogue Jamais. Será que também recebeu ou prometeu dinheiro ou outras recompensas por esse facto? Será que não havia troca de comunicações entre os seus vários elementos, divulgação de factos e documentos em que baseassem as suas análises e opiniões? Em que país democrático é que se proíbe os políticos do partido do governo de fazerem campanha pelo seu próprio partido? A liberdade de expressão é apenas para os partidos da oposição?


 



Ao contrário do que o articulista defendeu em plena campanha, no seu blogue, no blogue Jamais, nos artigos de opinião dos jornais para os quais escreve e nos programas de televisão em que participa, a asfixia democrática é exercida por ele e por quem usa os métodos tristemente célebres de ataque ao carácter das pessoas já que não tem argumentos para debater ideias. Foi assim na ditadura anterior ao 25 de Abril de 1974, foi assim até 25 de Novembro de 1975, foi assim na antiga União Soviética, foi assim no regime franquista, é assim em Cuba e em todas as ditaduras, sejam elas de que sinal forem.


 



Assim se percebe que há pessoas, sendo o articulista José Pacheco Pereira um excelente exemplo, que entendem a liberdade individual como um instrumento para impor a sua visão totalitária da sociedade. Para elas a criação de blogues de gente livre são uma intolerável ascensão do povo à esfera do poder. A democracia é boa, mas apenas quando é controlada por minorias constituídas pelos novos Guardiões do Templo.


20/02/2010


 

21 fevereiro 2010

Edvard Munch ou l'Anti-Cri

 





Edvard Munch: Winter Night


 


Edvard Munch, um dos precursores do expressionismo alemão, ficou mundialmente conhecido pela sua obra O Grito.


 


Mas Edvard Munch foi mais que isso. Quem puder poderá descobri-lo na Pinacothèque de Paris, numa exposição intitulada Edvard Munh ou l'Anti-Cri, até 18 de Julho deste ano.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...