Hoje foi mais difícil o mundo
tão pesados os ombros, tão fundo
o olhar que me falta.
Hoje senti a constante incerteza
magma de enorme dureza
com que desfazemos a vida.
Hoje regresso ao granito
que o pó de um deus finito
e negligente, cristalizou.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
É enternecedor observar o desvelo com que tantos me tratam na blogosfera. Do paternalismo simpático ao mais completo enfado pela minha evidente inferioridade intelectual, tentam conduzir-me ao bom caminho, mesmo achando, desde há muito tempo, que o meu deslumbramento com o governo socialista e com o Primeiro-Ministro José Sócrates, principalmente no que diz respeito às novas tecnologias, não seja consentâneo com o vazio cerebral que me caracteriza.
Agradeço as atenções. Vou estar atenta e beber bebidas fosfóricas e muito sumo de cenoura, para nutrir os neurónios e aguçar o sentido da visão. Com a vossa ajuda certamente serei mais rápida, sagaz, arguta e responsável, aceitando-vos como guia do meu básico mundo.
O artigo de Mário Crespo utiliza as ferramentas de um passado longínquo mas não esquecido, as informações de alguém que ouviu uma conversa num restaurante.
O artigo de Mário Crespo foi recusado pelo jornal onde tinha uma coluna de opinião. É o director do JN que é responsável pela recusa do artigo e deve assumi-lo sem reservas. Concordemos ou não com a decisão do director, desde que cumpra a lei, está no seu pleno direito. Tal como o articulista tem o direito de se queixar às entidades reguladoras ou outras, as próprias para dizerem de sua justiça.
Não há inocentes neste episódio. Sócrates e os seus ministros têm obrigação de saber o que pode ou não ser comentado e divulgado ao ser ouvido em público. Mário Crespo sabe que o seu artigo é um conjunto de maledicência e do mais puro diz-que-diz, mas muito cuidadoso no que se refere à divulgação do executivo da televisão.
Esta asfixia democrática tem pouco de asfixia e muito de democrática, na triste figura dos intervenientes.
Depois do aeroporto, do défice e do plano rodoviário segue-se o TGV. Mas que grande embrulhada.
Afinal em que ficamos – deve ou não fazer-se o TGV? É um programa de desenvolvimento ou de empobrecimento do país? Aumenta o défice e a dívida pública ou não?
Estamos a assistir a um castelo de cartas a desmoronar? Sinceramente, está a ser difícil manter a compostura.
A burca é um símbolo de submissão da mulher, é um símbolo de discriminação e de identificação religiosa. A burca é uma mistificação fundamentalista, um ferrete de menoridade e de reduzida cidadania.
Concordo com todas estas frases. Mas não concordo com a proibição do uso de burcas. Não é possível assegurar que algumas dessas vestes não sejam usadas por escolha livre e despoluída de lavagem cerebral. Tal como não concordaria com a proibição do bikini, dos piercings ou da impossibilidade de uso de calças pela mulher. Tal como não concordo que impeçam as freiras de usarem o seu hábito nos edifícios públicos, como escolas e universidades.
Tal como não concordo com a reivindicação de alteração de normas e de horários por causa dos burkinis. Tal como concordo com a obrigação de todas as crianças irem à escola. Independentemente da raça, etnia, cultura, naturalidade, etc., todos os cidadãos devem seguir um plano nacional de vacinação, enfim, sujeitarem-se à legislação do país onde vivem.
Proibir o uso da burca pode ser tão fundamentalista como proibir o uso de crucifixos ou da circuncisão masculina.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...