08 novembro 2009

Si te contara

 



 



Diego el Cigala


Dos lágrimas


 


Si te contara

mi sufrimiento,

si tu supieras

la pena tan grande

que llevo yo adentro

la triste historia

que noche tras noche

de dolor y pena

llena mi alma,

surgió en mi memoria

como una condena.


 


Si tu supieras,

te importaria

si te dijera

que en mi ya no queda

ni luz ni alegria

que tu recuerdo

es el daño mas fuerte

que me hago yo mismo

por vivir soñando

con que tu regreses,

y arrepentida.


 


(Também aqui)


 

Da corrupção

 



 


Sempre que se fala em corrupção, na promiscuidade entre o estado, as empresas públicas, privadas e os partidos políticos, tráfico de influências, enriquecimento ilícito e todo o manancial de jogo sujo entre os poderosos, fico com a sensação de que a sociedade se desliga dessas pessoas, como se elas não fizessem parte da mesma sociedade.


 


É muito fácil encontrar responsáveis, sendo eles bem visíveis nos interesses que se protegem e encobrem dos dois grandes partidos clientelares portugueses, PS e PSD, o chamado bloco central, porque foram eles que assumiram e arcaram com a responsabilidade de nada mudar. Mas não nos enganemos com os pequenos partidos, que apenas são moralmente irrepreensíveis até terem oportunidade de o não ser.


 


Porque a cultura da nossa sociedade não pune verdadeiramente a corrupção. Esta palavra só se usa para os processos faces escondidas e operações papagaio, mas as cunhas, os conhecimentos, o compadrio, o nepotismo, o facilitismo, as pequenas promiscuidades que são olhadas com complacência, fazem parte e alimentam esta benevolência tácita de todos nós.


 


Mas não há heróis nem figuras providenciais. João Cravinho tinha responsabilidades governativas na altura em que o General Garcia dos Santos denunciou situações de suspeita de financiamento ilegal de partidos na Junta Autónoma das Estradas. O caso envolveu também Sousa Franco. E no entanto, quem acabou inquirido e multado foi o próprio Garcia dos Santos.


 


Esta reflexão não tem como objectivo desculpar ou minimizar o problema. Tudo deverá ser feito para que a transparência seja uma realidade, para que a justiça funcione em tempo útil e seja exemplar na punição de quem prevarica, porque está em causa o desenvolvimento do país e a essência do regime democrático, fundado num estado de direito. Mas seria muito interessante que os pacotes legislativos anti-corrupção deixassem de servir de arma de arremesso político porque ninguém está inocente.


 


(Também aqui)


 

07 novembro 2009

Um dia como os outros (5)

 


Obama tenta um último esforço para conseguir a aprovação da reforma da saúde, a prioridade da política interna desta administração até ao fim do ano.


 


Os Democratas estão sozinhos, pois os Republicanos votarão contra a reforma.


 


(Também aqui)


 

IN I

 



Juliette Binoche & Akram Khan

Pontes

 



escultura de John Northington

The Bridge


 


Vou pensando no assunto

naqueles segundos que atravessam o cérebro

quase sem querer

alguma palavra algum perfume algum livro aberto

alguma página muitas vezes relida.


 


Vou adiando a decisão

pulsações mais aceleradas a destempo

tremor ligeiro na memória saltos de imaginação

fotografias do que penso que será.


 


Vou alternando a revolta com a dor

o assentimento com a negação

vou saboreando a ignorância do que ainda não decidi

a certeza de não voltar mais ao princípio.


 


Nunca volto ao princípio

nunca retomo ou recomeço.

Sempre já coloquei mais uma pedra

sempre já passei mais um dia

sempre já atravessei mais uma ponte

sem outro lado sem outra margem.


 


Sempre aguardo que apareças

com ou sem nevoeiro sol chuva

braços em concha

sempre te espero.

 

A voz do Tejo

 


Este é um disco imprescindível.


 


Este é um fado lindíssimo.


 


Com os maiores agradecimentos ao meu explicador, aqui fica.


 


Espero que gostem.


 



Rão Kyao & Camané

05 novembro 2009

Ándeme yo caliente / Y ríase la gente

 


poema de Luis de Góngora y Argote (1581)

foto de David Ruiz Bueso:

mañanas de invierno

 

Ándeme yo caliente

  Y ríase la gente.


 

 Traten otros del gobierno

Del mundo y sus monarquías,

Mientras gobiernan mis días

Mantequillas y pan tierno,

Y las mañanas de invierno

Naranjada y aguardiente,

  Y ríase la gente.

 


 Coma en dorada vajilla

El príncipe mil cuidados,

Cómo píldoras dorados;

Que yo en mi pobre mesilla

Quiero más una morcilla

Que en el asador reviente,

  Y ríase la gente.


 


 Cuando cubra las montañas

De blanca nieve el enero,

Tenga yo lleno el brasero

De bellotas y castañas,

Y quien las dulces patrañas

Del Rey que rabió me cuente,

  Y ríase la gente.


 


 Busque muy en hora buena

El mercader nuevos soles;

Yo conchas y caracoles

Entre la menuda arena,

Escuchando a Filomena

Sobre el chopo de la fuente,

  Y ríase la gente.


 


 Pase a media noche el mar,

Y arda en amorosa llama

Leandro por ver a su Dama;

Que yo más quiero pasar

Del golfo de mi lagar

La blanca o roja corriente,

  Y ríase la gente.


 


 Pues Amor es tan cruel,

Que de Príamo y su amada

Hace tálamo una espada,

Do se junten ella y él,

Sea mi Tisbe un pastel,

Y la espada sea mi diente,

  Y ríase la gente


 


 




 


(Mais uma prenda)


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...