23 setembro 2009

Escolher

 



 


Estamos a poucos dias das eleições legislativas. A pré-campanha iniciou-se sob o signo da vitória do PSD nas eleições para o parlamento europeu, em que Paulo Rangel, Aguiar-Branco e Pacheco Pereira, para só citar alguns, deram o tiro de arranque para a estratégia que Manuela Ferreira Leite iria seguir.


 


Essa estratégia seria baseada nas insinuações e suspeições sobre o carácter de Sócrates, a promiscuidade entre o PS e o estado, o autoritarismo, a apropriação dos meios de informação, e o intervencionismo na economia. Assim surgiu a superioridade moral da Verdade em oposição às mentiras de Sócrates e a asfixia democrática, sem que se pudesse compreender quais as propostas e alternativas de governo do PSD. O silêncio foi a arma da cuidadosa direcção do PSD.


 


Mas aquilo que é construído com pés de barro, com casos fabricados e a criação de factos políticos para lançar cortinas de fumo em relação ao verdadeiro vazio ideológico do maior partido da oposição, não se consegue manter durante muito tempo. E quando menos se esperava, a laboriosa teia de pseudo-censuras, de pseudo-verdades, de pseudo-alternativas, rompe-se com estrondo pela mão de quem menos se esperaria, o Presidente da República.


 


No dia 27 de Setembro temos que escolher entre um partido que teve a coragem de governar com o objectivo do bem comum e um partido que não tem nada para oferecer a não ser negar o óbvio, desdizer-se permanentemente, mostrar a irresponsabilidade que tem em assuntos sérios, desonrar os compromissos que assumiu, rasgar e não rasgar as políticas sociais, económicas, de educação e de saúde e, pior que isso, mostrar uma incrível falta de respeito pela própria democracia.


 


No dia 27 de Setembro temos que escolher entre um partido que teve a coragem de governar com o objectivo do bem comum e outros que acenam com políticas económicas e sociais que já provaram a sua incapacidade e iniquidade, num regresso a um passado que alguns tentam apagar, à esquerda e à direita.


 


No dia 27 de Setembro temos que escolher, temos que votar.


Nota: Também aqui.


 

22 setembro 2009

Réstia

 



 


Guardo a um canto a réstia

do que sobra de dias sem história

sem chama

sem glória.


 


Porque sou do mesmo molde

do mesmo sangue que nos acompanha.

 

21 setembro 2009

Conspirações (4)

 



 


Depois de ter dito em Agosto que havia manobras para distrair os portugueses da gravidade do desemprego e da crise, depois de ter falado na liberdade de expressão aquando do despedimento de Manuela Moura Guedes, depois de ter falado de segurança nas suas indagações futuras pós eleitorais e da não ingenuidade da jornalista e do Presidente, Cavaco Silva resolveu demitir Fernando Lima.


 


Será que Cavaco Silva estava à espera que saísse num jornal o nome do assessor para o demitir?


Será que Cavaco Silva está a tentar reduzir os danos?


Será que Fernando Lima extravasou os seus deveres e os seus temores?


Será que Fernando Lima agiu por conta própria?


Será que Cavaco Silva só soube que era Fernando Lima depois do famoso email ter sido publicado?


 


Este Presidente, a menos de uma semana de eleições legislativas, tem todos os holofotes em cima dele.


 

20 setembro 2009

Conspirações (3)

 



 


Todos estávamos impacientes à espera da continuação do artigo do Provedor do Leitor, Joaquim Vieira. O artigo publicado hoje - A questão principal - mostra como a liberdade de informação é apenas uma intenção mas que a claustrofobia democrática é uma realidade na redacção do Público.


 


Para além da questão da forma como José Manuel Fernandes, o Público e o grupo Sonae entendem ser o papel da imprensa livre num país democrático, bem patente na opinião de Belmiro de Azevedo em como alguns governantes (...) querem mandar no Público sem pôr lá dinheiro nenhum, há uma muito mais importante questão que é urgente clarificar:


 


O Presidente da República fabricou ou não um facto político para enfraquecer a imagem de Sócrates?


Porque quer o Presidente esperar pelas eleições? As suas explicações e os seus esclarecimentos dependem de quem vencer as eleições?


 

19 setembro 2009

Melhor com os dois olhos

 



 


A agitação política, eleitoral e laboral têm-me arredado de responder à Donagata, que tão amavelmente resolveu galardoar-me com o prémio Vale a pena ficar de olho nesse blog!


 


Ora muito agradeço a consideração, embora preferisse que fitassem o blogue com os dois olhos, pois é sempre melhor ver claramente visto, e a visão binocular ajuda a dar alguma noção de profundidade.


 


Incumbe-me agora a Donagata de premiar mais uns tantos blogues e eu, que sou cumpridora, assim o faço com todo o gosto.


 


Fiquem portanto de olho nestes blogues, que vale mesmo a pena.


 


ARdoTEmpo


correio preto


fado positivo


Garfadas on line


Herdeiro de Aécio


Léxico Familiar


Mainstreet


MÁTRIA MINHA


respirar o mesmo ar


Senhor Palomar


 


É só continuar.


 

Privado vs público

 


A vida privada dos políticos, a forma como se vestem, os filmes que vêem, as comoções que os comovem são matéria totalmente acessória, anedótica, frívola, que fica bem nas revistas cor-de-rosa ou em pequenos apontamentos humorísticos de pé de página.


 


A confusão entre o público e o privado, o julgamento da capacidade e competência dos políticos, a que se convencionou chamar figuras públicas para justificar a intrusão mais indecente numa informação a que temos direito, é a marca da mediatização e da ditadura da imagem.


 


São disso exemplos a forma como foram comentadas os programas a que os líderes partidários se sujeitaram Como nunca o viu, com excepção de Manuela Ferreira Leite, honra lhe seja feita, a importância e relevância da prestação dos mesmos líderes nos programas do Gato Fedorento, que quase suplantam e importância os debates eleitorais a que assistimos nas televisões, assim como as notícias das aplicações financeiras de Francisco Loução e outros militantes do BE.


 


Embora perceba que há declarações que abram a porta a este tipo de escrutínio, não me parece lícito nem relevante que os líderes partidários tenham que ver as suas vidas privadas expostas. Para isso eles próprios têm que a respeitar e não cederem à tentação de serem simpáticos, apelativos ou intelectuais. Todos sabemos que a política é um espectáculo, mas não precisa de ser um mau espectáculo.

 


Nota: Também aqui.


 

Decência democrática

 


A uma semana das eleições os dois maiores partidos mantém as hipóteses de as vencer. As últimas sondagens têm resultados algo díspares mas, no essencial, mostram o PS ligeiramente à frente do PSD e o BE como terceira força política.


 


A uma semana das eleições nota-se, no entanto, o desespero de quem não conseguiu aproveitar a onda dos resultados das europeias. A campanha a que assistimos, em que  todos os partidos se uniram com o objectivo de derrotar o PS e José Sócrates, tem penalizado predominantemente o PSD. Manuela Ferreira Leite e os seus conselheiros parecem não entender que as suspeições e as insinuações fazem pior à democracia e à credibilidade de quem as alimenta do que os melhores currículos académicos, as mais rígidas e austeras posturas, os maiores protestos de verdade e de rigor.


 


À falta de argumentos, de ideias e de alternativas, à falta de uma evidência clara de má governação, o PSD caiu no descrédito de que acusa o PS. As comparações deste governo com os governos anteriores são claramente desvantajosas para o PSD, a contínua tentativa de instrumentalização dos indicadores económicos e sociais existentes em 2005 e em 2008, desvalorizando a crise mundial que se iniciou em 2008, a vontade expressa de recuar no que se fez durante os últimos 4 anos não é séria e descredibiliza o discurso do PSD.


 


A uma semana das eleições os rumores, os boatos e a fabricação de factos políticos que parecem directamente patrocinados pela Presidência da República, se não mesmo pelo próprio Presidente, mostram até que ponto existe dentro do PSD o sentimento de uma derrota anunciada.


 


Os problemas do país não se compadecem com os truques do PSD, com a falta de isenção do Presidente, nem com os tiques sacerdotais e iluminados do BE, nova bengala da falta de soluções ideológicas e práticas de Manuela Ferreira Leite.


 


A vitória do PS, com todas as suas diferenças e idiossincrasias, com os seus erros e acertos, com todos os críticos e indefectíveis, defensor do pluralismo, da tolerância e da liberdade, aparece quase como um imperativo de decência e de saúde de uma democracia em que alguns actores, enredados nos seus labirintos, cegos para o futuro e para os interesses nacionais, tropeçam nos próprios passos e, afinal, pouco têm a oferecer ao país.


 


Nota: Também aqui.

 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...