22 agosto 2009

(In)Decência
























 


Há muitas razões pelas quais o PS não deve coligar-se com o PCP. As que são devidas ao tipo de sociedade e de regime que o PCP defende, transparente nos apoios às democracias cubana e norte-coreana, às FARC, à retórica que usa em relação àquilo que, desde o 25 de Novembro, são as políticas de direita:


 


(...) "Durante estes quatro anos, a direita andou desorientada, porque o PS era o melhor executante dessa política de direita. Na entrevista dada recentemente, Manuela Ferreira Leite não apresentou propostas. Pois se aquilo é farinha do mesmo saco, que fazem a mesma política, que têm a mesma visão, apenas têm estilos diferentes..." (...)


 


E outras por questões de pura decência:


 


(...) Já nem falamos do antigo arguido no processo da Casa Pia, Paulo Pedroso que, recebido na Assembleia com palmas dos seus correligionários, após ter ganho a sorte grande no segundo recurso para a Relação, vem agora, qual galinho da Índia, dar conselhos ao seu partido. «Se», diz ele, o eleitorado «votar à esquerda», então o PS, o PCP e o BE não poderão «ignorar» tal postura. E se não «votar à esquerda»? Pedroso que, em Almada elege o PCP e a CDU como inimigo principal, não tem estatura suficiente para estas propostas.

Mas o pior são as palavras de Ferro Rodrigues – também procedente do mesmo saco da antigos suspeitos no caso da Casa Pia. «Se o PS vencer as eleições sem maioria absoluta, deve desafiar o PCP e o BE. E no caso dessas negociações não conduzirem a nenhum resultado, deverá voltar-se para o PSD.» (...)


 


A propósito, ler também Tomás Vasques.


 


Nota: Também aqui


 

A estratégia do PSD

 


Vale a pena ler o artigo de de Correia de Campos que saiu hoje, no Diário Económico:


 


Sementes de Insegurança





A entrevista da drª. Manuela Ferreira Leite no passado dia 20 (RTP-1) não foi improvisada. Assentou em três estratégias: do medo, da minimização do Estado e da superficial simplicidade. Ideias simples e aparentemente impressivas. Tremendas e negativas.





Um suposto clima de medo é agitado para fragilizar os espíritos. Pessoas e empresas teriam medo de Sócrates, apoios a empresas seriam discricionários. O défice estaria já nos 7 ou 8%, o desemprego já acima dos 10%, o país estaria em queda, e a pique, com a vitória do PS. Os 0,3% de início de retoma, devidos à retoma nos outros, sem mérito nosso. O apoio ao desemprego seria apenas indirecto, através das PME. A justiça dividida entre esferas pública e privada. Esquecendo que medo e confiança são antagónicos, admite que são privadas as engenharias de financiamento dos partidos. No limite, um barão da droga poderia ser ministro. Aí, qualquer de nós tem medo.





A minimização do Estado resulta na descrença das suas virtudes, na admissão de escutas, no considerar uma farsa a peritagem do Governador do Banco de Portugal ao orçamento inicial de 2005, (o mesmo que chefiou a peritagem encomendada por Barroso, em 2002). A coligação é com a direita, com mais submarinos, com a redução dos impostos financiada com adiantamento de rendas ou com mais Citigroup, com pagamentos na saúde e educação, pelos cidadãos no ponto de consumo, com menor financiamento da segurança social e do Estado, com erosão da base financeira da solidariedade.





A superficial simplicidade de declarar que todo o programa foi divulgado aos poucos, ao longo de um ano, tão denso que ninguém deu por ele. Que as boas ideias foram copiadas por Sócrates, tudo o que aparecer no dia 27 já foi dito e que o conteúdo de uma folha A4 "não ficaria mal" como programa. Bastaria para "travar a queda do país". Assenta no preconceito de que o português é iletrado, não lê programas de partidos, muito menos na praia, não compreende indicadores estatísticos, nem metas quantificadas e calendarizadas. Com nada de concreto se compromete. Permanece a convicção de que a educação política dos portugueses é hoje como há vinte anos. Como se o tempo tivesse parado.





Simples inexperiência, falta de treino, ingenuidade? Nada disso.





Ideias primárias para forjar simplismos. "Populares" para alimentar demagogias. Agressivas para semear ódios. Exactamente o oposto do que o país necessita para se reerguer.


 


António Correia de Campos, Diário Económico online, 22/08/2009


 


 

Into the West














Annie Lennox


The Lord of the rings


 


Lay down

Your sweet and weary head

Night is falling

You’ve come to journey's end

Sleep now

And dream of the ones who came before

They are calling

From across the distant shore



Why do you weep?

What are these tears upon your face?

Soon you will see

All of your fears will pass away

Safe in my arms

You're only sleeping



[Chorus]

What can you see

On the horizon?

Why do the white gulls call?

Across the sea

A pale moon rises

The ships have come to carry you home



And all will turn

To silver glass

A light on the water

All souls pass



Hope fades

Into the world of night

Through shadows falling

Out of memory and time

Don't say: «We have come now to the end»

White shores are calling

You and I will meet again


 

Minimalismos









 



 


Ainda a propósito da entrevista a Manuela Ferreira Leite, vale a pena ouvir também a última entrevista a Medina Carreira.


 


Poderiam fazer ambos um governo, com o mesmo programa escrito numa folha A4, curto, incisivo, exequível. Medina Carreira tem como prioridade nomear uma comissão para estudar em 3 meses o motivo porque não há investimento estrangeiro em Portugal. Também nomearia uma comissão para estudar em 3 meses como acabar com a corrupção.


 


Ambos minimalistas, sintéticos, sem desperdício de recursos públicos. Assim, com um governo orientado pelo Presidente da República, dos únicos políticos que não é corrupto, com os princípios de Manuela Ferreira Leite e os estudos de Medina Carreira o país, seguramente, seria salvo.


 


Nota: Também aqui.


 






Uma questão de princípio













 



 


Estive a ouvir com toda a atenção a entrevista que Manuela Ferreira Leite concedeu a Judite de Sousa. Ao contrário de Ana Paula Fitas penso que é uma entrevista bastante esclarecedora sobre o seu pensamento político, a forma como tem desenvolvido a pré campanha e a estratégia que está subjacente à próxima disputa eleitoral.


 


Manuela Ferreira Leite considera-se uma pessoa de princípios e declara que nada fará que possa ferir esses princípios e que tudo fará com base nesses mesmos princípios. Ficamos a saber que os seus princípios incluem não se pronunciar sobre aspectos de justiça, no que diz respeito à actuação de António Preto.


 


Ficamos a saber que considera haver asfixia democrática causada pelo governo socialista, em que as pessoas têm medo de participar seja no que for, têm medo de se pronunciar contra o governo, não se importando que os seus apoiantes lancem suspeitas e insinuações sobre as motivações de quem apoia o governo e o PS. Ficamos a saber que não lhe interesse saber se há ou não escutas na Presidência da República, apenas lhe interessando que as pessoas achem que há.


 


Votar em Manuela Ferreira Leite fere os princípios da transparência e do debate de ideias. Alguém a que, por princípio, só lhe interessem murmúrios e boatos em vez de factos e responsabilização, está muito afastada dos princípios fundadores de um estado de direito e democrático.


 


É pois uma questão de princípio não votar em Manuela Ferreira Leite.


 


Nota: também aqui.


 


 

21 agosto 2009

Debates de Verão (15)

 


 


Segunda semana de debates de blogue, no Diário Económico: hoje Porfírio Silva pelo SIMplex:


  


Ousar governar





(...) No mundo do trabalho, essencial à realização da maioria dos portugueses, isto pede o reforço do diálogo social. Dois cinismos ameaçam esta opção. Um aponta para casos de evidente manipulação de lutas laborais para depreciar a representação dos trabalhadores. Outro pretende que a existência de empregadores autoritários e fracassos negociais são obstáculo universal à negociação. O problema é que o cinismo custa caro. A abordagem da direita teve a sua ilustração no descalabro da contratação colectiva em 2004, com uma quebra (face a 2003) de 53% no número de convenções e de 60% nos trabalhadores abrangidos: os valores mais baixos em vinte anos. Sem quaisquer ganhos para a competitividade. Já o governo PS visou renovar as relações de trabalho e abrir-lhes novas perspectivas: impedir a caducidade acelerada dos contratos colectivos; melhorar os mecanismos de arbitragem; submeter os aspectos críticos da adaptabilidade à negociação colectiva e não individual. Os resultados positivos começam a sentir-se: apesar da crise, os primeiros meses de 2009 estão entre os melhores períodos homólogos deste século, (convenções publicadas e trabalhadores abrangidos), podendo ser activados processos antes bloqueados. (...)


 


 e Joaquim Blancard Cruz, pelo Jamais.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...