06 agosto 2009

Truismos educativos













 


As declarações de Mário Nogueira relativamente às alterações aprovadas para o ECD precisam de um esclarecimento do PSD. Digo do PSD porque, ao contrário dele, os outros partidos já apresentaram as propostas a serem sufragadas nas eleições legislativas.


 


Mário Nogueira, segundo o DN de hoje: (...) todos os partidos políticos, à excepção do PS, já se comprometeram em abolir um dos princípios do estatuto que mais polémica gerou entre os professores: a divisão da carreira em duas categorias. (...)


 


Sendo este um aspecto que considero da maior importância, a definição da política educativa para a próxima legislatura, tendo-se o PS comprometido a (...) Acompanhar e avaliar a aplicação do Estatuto da Carreira Docente, no quadro de processos negociais com as organizações representativas dos professores e educadores, valorizando princípios essenciais como a avaliação de desempenho, a valorização do mérito e a atribuição de maiores responsabilidades aos docentes mais qualificados; (...), e tendo Pedro Duarte, deputado social-democrata, afirmado que estas alterações seriam  a prova de que este ECD não serve o interesse da escola nem dos professores, seria de toda a conveniência que o PSD explictasse exactamente o que quer fazer, caso ganhe as eleições, pois o que apresenta nas suas linhas gerais:


 


(...) A educação é a base do livre desenvolvimento da pessoa, o alicerce de todo o nosso desenvolvimento económico, social e cultural. O combate ao facilitismo e a recuperação do prestígio dos professores serão linhas mestras do nosso programa de acção. (...)


 


são aquilo a que Pacheco Pereira chama truísmos.


 


Nota: Também aqui.


 


 

Debates de Verão (4)

 



 


Hoje debatem Eduardo Pitta pelo SIMplex:


 


 


O vespeiro




(...) José Sócrates mudou mais em quatro anos do que alguém julgou possível. Por vontade de irritar as pessoas? Não. Para tornar o país mais justo. Teria sido infinitamente mais fácil deixar os marajás sossegado.


 


 


e Nuno Gouveia, pelo Jamais.


 

05 agosto 2009

Da ordem constitucional

 


As próximas eleições são para a Assembleia da República. Na nossa democracia representativa os partidos apresentam os seus candidatos, filiados ou simpatizantes, aqueles que os dirigentes partidários julgam mais capazes de defender os interesses e os projectos do seu partido.



Pode discutir-se a reforma do sistema eleitoral, a representatividade dos partidos, a obrigatoriedade do voto. Podemos ser mais idealistas, pensando que é apenas o interesse dos cidadãos que importa aos dirigentes partidários. Podemos ser mais cínicos, achando que há muito mais interesse pessoal que público, corporativo, económico, etc. Podemos balançar entre estes dois extremos, aplaudindo uns e desiludindo-nos com outros.



Mas não me parece aceitável que alguém que apoie um partido concorrente a estas eleições parlamentares escarneça da importância do parlamento, o defina como uma excrescência desnecessária, transformando os anseios e os problemas dos eleitores, da tal sociedade civil que se agrupa, que faz campanha, que debate, numa imensa brincadeira de mau gosto. Mesmo sabendo que há muitos deputados incumpridores, faltosos, oportunistas, venais, há muitos que levam a sério os seus mandatos.



Também não me parece aceitável que alguém com responsabilidades políticas se esqueça do que é viver num país sem liberdade de imprensa, sem liberdade de manifestação, com partido único, com polícia política, em que se podia ser preso, despedido, exilado, perseguido, por se dizer o que se pensava, clame agora contra a falta de liberdade que se vive em Portugal. Há muitos outros fenómenos que não existiam há 40 anos, há outras ameaças à liberdade. Mas é precisamente por isso que a confusão entre a falta de liberdade e os desafios que se nos colocam à sua defesa não devem ser confundidos.



Teremos eleições legislativas a 27 de Setembro. O mínimo da coerência de quem se candidata e de quem apoia candidatos é respeitar o regime constitucional que vigora e a democracia representativa que, com todos os seus defeitos e qualidades, é a nossa. Quem não se revê nesta ordem constitucional, ela é suficientemente generosa para permitir outras opções.

 


Nota: também aqui.

 

Debates de Verão (3)

 



 


Continuam os debates blogosféricos: hoje Rogério da Costa Pereira pelo SIMplex:


 


Faça-se justiça!





É pois necessário, em vista de alguns egos desmesurados, invadir vontades - intrincada operação que o actual Governo, apesar de algumas cedências que descambaram em reformas precipitadas, encetou.


 


e Paulo Lopes Marcelo, pelo Jamais.


 

04 agosto 2009

Análise de risco e preconceito

 


(...) Um exemplo inesperado da lógica economicista é a rejeição de dadores de sangue homossexuais, para simplificar o controlo dos dadores em geral. (...)


(Fernanda Palma, Correio da Manhã, 02/08/2009)


 


A ciência tem os seus limites e deve aprender a minorá-los. Não há nenhuma análise, por mais sofisticada que seja, cujos resultados não tenham margem de erro. O conhecimento científico aprofunda-se todos s dias e, hoje em dia, é possível fazer um controlo bastante apertado ao sangue colhido dos dadores, pelo menos aos agentes infecciosos que se conhecem.


 


A selecção de dadores de sangue rege-se por análises de avaliação e controlo de risco. Tal como a decisão de escolher grupos de risco a quem aplicar as vacinas da gripe ou do colo do útero; tal como a decisão de definir grupos que beneficiam de um determinado agente terapêutico; tal como se definem grupos populacionais para rastreios de determinadas doenças.


 


Só para exemplificar, o rastreio do cancro da mama é efectuado às mulheres que têm história familiar de cancro da mama e à população feminina com mais de 50 anos, no NHS (Reino Unido). Mesmo havendo países que baixam a idade de rastreio para este tipo de cancro, não há nenhuma organização de saúde que preconize o rastreio a toda a população. Seria incomportável a nível dos recursos humanos, logísticos e financeiros. E no entanto há mulheres mais novas com cancro da mama, assim como há cancro da mama em homens, não sendo estes incluídos no rastreio.


 


Neste caso poderá alegar-se que quem não é rastreado poderá ser prejudicado porque corre o risco de ter cancro da mama sem que este seja detectado em fases iniciais (o objectivo do rastreio). Tal como no caso da determinação de grupos de risco para administração da vacina da gripe, pode colocar-se a questão da restante população estar a ser discriminada por correr o risco de ser infectada quando há uma hipótese de prevenção.


 


No caso dos dadores de sangue quem não dá sangue não corre qualquer risco por esse facto. Quem o recebe sim. E como não existe a certeza cientificamente comprovada de que as análises a que temos acesso são capazes de excluir todo o risco de contaminação, esta é uma forma de proteger quem vai receber as transfusões. Por exemplo, a dádiva de sangue era paga em muitos países. Há, neste momento, orientações da OMS para os dadores sejam 100% voluntários porque se concluiu que os pagos tinha muito maior prevalência de doenças que os voluntários.


 


Não me parece portanto que esteja em causa qualquer lógica economicista com a exclusão dos homossexuais masculinos, mas apenas uma lógica de aplicação dos conhecimentos actuais e dos recursos disponíveis em benefício do tratamento de doentes.

 

Debates de Verão (2)

 


 


 


Continuam, com Mariana Vieira da Silva, pelo SIMplex:


 


Silêncios claustrofóbicos





(...) Enquanto o PSD não apresentar o seu programa eleitoral, ou se, como é provável, não vier a contrariar aquelas que são as ideias apresentadas pelo Instituto Sá Carneiro e pelo seu gabinete de estudos, é também isto que está em jogo nas próximas eleições: escolher entre a estratégia do PS, explícita no seu programa eleitoral, de continuar a melhorar e qualificar a escola pública e o serviço nacional de saúde e de aprofundar o combate às desigualdades ou a agenda do PSD de redução do papel do Estado e de ruptura nas políticas sociais que vimos ouvindo no discurso dos seus dirigentes. (...)


 


e André Abrantes Amaral, pelo Jamais.


 

Sem porto

 


 


pintura de Claude Monet


Étretat, la porte d'Aval: bateaux de pêche sortant du port


 


Sol estala

fende areia nua

brilha mar

escalda gelo azul

vozes longas agudas

gaivotas

barco rumor largo

corpo

solto rumo vigem

sem porto.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...