Sobre estes dois assuntos, não vale a pena dizer o que já foi tão bem dito.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Este tipo de notícias baralham as pessoas e não são rigorosas. Há, de facto, uma directiva da União Europeia (EC Directive 2004/33) que, no anexo III, define que está permanentemente excluído de doar sangue
Num documento de National Health Service (NHS) do Reino Unido explica-se que, em Março de 2008 o Conselho Europeu produziu a Resolution on Donor Responsibility and Limitations of the Right to Donate Blood or its Components - Resolution CM/Res (2008)5 - que conclui que
Nesse mesmo documento existe uma tabela com os Estados membros que seguem o critério de exclusão de MSM e os que não seguem, quais os motivos e quais as orientações seguidas. De um total de 27 países, 9 não seguem as guidelines (este documento é de Março de 2009).
Gioacchino Rossini
Duetto buffo di due gatti
Felicity Lott & Ann Murray
BBC Symphony Orchestra
Andrew Davis
Royal Albert Hall
Londres, 1996
Ainda a propósito do assunto da discriminação dos homens homossexuais como dadores de sangue, convém que sejamos rigorosos e que procuremos perceber as razões da exclusão desse grupo populacional.
Mais uma vez insisto que essas razões se baseiam em estudos científicos de controlo de risco e são a salvaguarda dos doentes que necessitam do sangue doado (cada pessoa transfundida recebe uma mistura de sangue de vários dadores – concentrados eritrocitários, de plaquetas, etc. - não se usando, praticamente, transfusões de sangue total, o que aumenta o risco de transmissão de infecções).
Como em todas as áreas científicas, o que hoje é verdade amanhã pode não ser. Por isso, e pela constante investigação epidemiológica sobre prevalência de infecções nas populações, assim como a identificação de agentes patogénicos, nomeadamente virais, que se vão acumulando, há muitas vezes controvérsia na aplicação de princípios gerais para um determinado assunto, seja ele os critérios de selecção e exclusão de dadores de sangue, como neste caso, ou de classificação de tumores da glândula tiróide.
Por isso mesmo, existem grupos nacionais e internacionais que se reúnem periodicamente, analisam os vários contributos científicos em cada área, as consequências para a população, éticas, sociais e de saúde pública, e definem orientações ou guidelines para cada caso. Só assim é possível analisar os dados que vão aparecendo diariamente e, quando a evidência suportar a mudança de atitudes, elas possam ser efectuadas com a segurança possível e com a garantia de que se faz tudo para evitar aumentar o risco inerente a qualquer acto médico.
No Annual Meeting de 2008 da American Medical Association (AMA) - REPORTS OF THE COUNCIL ON SCIENCE AND PUBLIC HEALTH - apresentado pela Dra. Mary Anne McCaffree, entre as páginas 421 e 428, faz-se uma revisão das guidelines actuais, as razões, as perguntas e problemas existentes, nomeadamente os levantados socialmente pela sacusações de discriminação dos homens homossexuais, as investigações existentes para determinar se é possível alterar a recusa permanente da doação de sangue por parte deste grupo, conclusões e recomendações (pág. 426 e 427):
Encontrei também outro artigo em que se estuda a hipótese de reduzir esse tempo para 5 anos, implementando a pesquisa sistemática do HHV-8 (Human herpesvírus 8 – associado a linfomas e a sarcoma de Kaposi) no sangue dos dadores.
O que está em causa para os organismos públicos, neste como noutros casos, é o dever que têm de garantir aos receptores de sangue o seu direito a serem tratados em segurança.
(enviada pelo Artista)
A exclusão do grupo de homens homossexuais como potenciais dadores de sangue, que é seguida em vários países, nomeadamente no Canadá, EUA, França e Portugal, tem a ver com o conhecimento estatístico relativamente à prevalência de doenças infecciosas neste grupo populacional relativamente a outros.
Isto é muito diferente de dizer que o número de novos casos de infecção por HIV, em 2008, foi superior em doentes toxicodependentes e em homens e mulheres heterossexuais. O que está em causa é a prevalência (a probabilidade - ou risco - de um indivíduo sofrer de uma determinada doença) das doenças infecciosas, não só de HIV mas também de vírus de Hepatites B e C (hepatites virais com probabilidade de desenvolvimento de cirrose e tumores hepáticos, HHV-8 (associado ao desenvolvimento de linfomas e sarcoma de Kaposi) e outros, em homens homossexuais e em toxicodependentendes, em comparação com a prevalência das mesmas infecções noutros grupos estudados (mulheres homossexuais, homens e mulheres heterossexuais, etc.).
É ainda importante que se perceba que se dar sangue não é um direito inalienável de qualquer pessoa, receber sangue com a menor probabilidade possível de conter algum destes riscos infecciosos é um direito de todos e um dever dos responsáveis de saúde.
Não se trata de discriminação dos comportamentos ou das escolhas de orientação sexual, trata-se de usar os meios aos dispor da comunidade científica para a redução máxima do risco de um acto médico, que tem sempre riscos.
As guidelines da Cruz Vermelha Americana estipulam as várias circunstâncias em que as pessoas não devem doar sangue e são inúmeras.
Continuam as investigações no sentido de saber se há um limite temporal a partir do qual se pode assegurar que o risco de existirem agentes infecciosos no sangue de homossexuais masculinos é idêntico ao risco de heterossexuais e de homossexuais femininos. O que conheço indicam que:
Com a dificuldade de angariação de dadores de sangue que existe e a universal evidência de que a melhor política em termos de segurança na saúde pública é recorrer à doação voluntária, seria muito importante que todas as pessoas pudessem dar sangue. No entanto cabe aos organismos de saúde pública a responsabilidade de garantirem, tanto quanto os conhecimentos científicos o permitam, que quem recebe o sangue está salvaguardado de doenças futuras, directamente relacionadas com a transfusão.
Isso não é discriminação, é uma responsabilidade que devemos exigir e a que todos temos direito.
Nota: ler a Cristina, no Contra Capa.
Pacheco Pereira, o prefeito da Congregação para a causa da boa informação, da excelência, rigor e escrutínio das pessoas públicas, principalmente dos políticos, o defensor das televisões e jornais privados que têm devastado a vida de Sócrates, seus familiares, amigos, conhecidos e desconhecidos que se atrevem a concordar com ele, nem que seja por momentos, causou a estupefacção geral quando acusou os jornalistas de incomodarem Manuela Ferreira Leite com perguntas despropositadas, como o que queria dizer com rasgar todas as políticas de Sócrates, conhecendo de cor o pensamento de Manuela Ferreira Leite.
De facto como se pode aceitar que os jornalistas não entendam que Manuela Ferreira Leite não tem jeito para expor as suas ideias, não entendam que se atrapalha, longe do amparo e da tradução dos seus oráculos?
Como a vida pode ser injusta.
António Costa vai congregando á sua volta aqueles que já perceberam que Santana Lopes de volta é que não pode ser.
Primeiro José Sá Fernandes, depois Helena Roseta. Quem quer fazer alguma coisa pela cidade sabe que António Costa é um homem em quem se confia.
Acho engraçada a ginástica que se tem feito para esborratar um pouco a pintura: a estranheza com que é encarado o compromisso de António Costa para com a câmara de Lisboa em paralelo com a indignação do não comprometimento de Elisa Ferreira e de Ana Gomes com as respectivas câmaras do Porto e de Sintra. Um está a preparar-se para assaltar o poder no PS, as outras estão a salvaguardar o emprego em Bruxelas.
Tudo serve para criticar. Em Lisboa o PS arrisca-se mesmo a ganhar. Ainda bem para Lisboa.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...