18 julho 2009

Dos conceitos de liberdade

 


Sobre estes dois assuntos, não vale a pena dizer o que já foi tão bem dito.


 

Transfusões (3)

 


Este tipo de notícias baralham as pessoas e não são rigorosas. Há, de facto, uma directiva da União Europeia (EC Directive 2004/33) que, no anexo III, define que está permanentemente excluído de doar sangue


 


Persons whose sexual behaviour puts them at high risk of acquiring severe infectious diseases that can be transmitted by blood.


 


Num documento de National Health Service (NHS) do Reino Unido explica-se que, em Março de 2008 o Conselho Europeu produziu a Resolution on Donor Responsibility and Limitations of the Right to Donate Blood or its Components - Resolution CM/Res (2008)5 - que conclui que


 


(...) the fundamental right of the patient to receive the safest possible blood overrides all other considerations, including individuals’ willingness to donate blood. This resolution was adopted by all Member States. (...)


 


Nesse mesmo documento existe uma tabela com os Estados membros que seguem o critério de exclusão de MSM e os que não seguem, quais os motivos e quais as orientações seguidas. De um total de 27 países, 9 não seguem as guidelines (este documento é de Março de 2009).


 


Duetto buffo di due gatti

 



Gioacchino Rossini

Duetto buffo di due gatti


Felicity Lott & Ann Murray


BBC Symphony Orchestra

Andrew Davis


Royal Albert Hall

Londres, 1996


 

Transfusões (2)

 



 


Ainda a propósito do assunto da discriminação dos homens homossexuais como dadores de sangue, convém que sejamos rigorosos e que procuremos perceber as razões da exclusão desse grupo populacional.


 


Mais uma vez insisto que essas razões se baseiam em estudos científicos de controlo de risco e são a salvaguarda dos doentes que necessitam do sangue doado (cada pessoa transfundida recebe uma mistura de sangue de vários dadores – concentrados eritrocitários, de plaquetas, etc. - não se usando, praticamente, transfusões de sangue total, o que aumenta o risco de transmissão de infecções).


 


Como em todas as áreas científicas, o que hoje é verdade amanhã pode não ser. Por isso, e pela constante investigação epidemiológica sobre prevalência de infecções nas populações, assim como a identificação de agentes patogénicos, nomeadamente virais, que se vão acumulando, há muitas vezes controvérsia na aplicação de princípios gerais para um determinado assunto, seja ele os critérios de selecção e exclusão de dadores de sangue, como neste caso, ou de classificação de tumores da glândula tiróide.


 


Por isso mesmo, existem grupos nacionais e internacionais que se reúnem periodicamente, analisam os vários contributos científicos em cada área, as consequências para a população, éticas, sociais e de saúde pública, e definem orientações ou guidelines para cada caso. Só assim é possível analisar os dados que vão aparecendo diariamente e, quando a evidência suportar a mudança de atitudes, elas possam ser efectuadas com a segurança possível e com a garantia de que se faz tudo para evitar aumentar o risco inerente a qualquer acto médico.


 


No Annual Meeting de 2008 da American Medical Association (AMA) - REPORTS OF THE COUNCIL ON SCIENCE AND PUBLIC HEALTH - apresentado pela Dra. Mary Anne McCaffree, entre as páginas 421 e 428, faz-se uma revisão das guidelines actuais, as razões, as perguntas e problemas existentes, nomeadamente os levantados socialmente pela sacusações de discriminação dos homens homossexuais, as investigações existentes para determinar se é possível alterar a recusa permanente da doação de sangue por parte deste grupo, conclusões e recomendações (pág. 426 e 427):

 



Men who have had sex with men since 1977 are currently permanently deferred from blood donation. This FDA policy recommendation has generated controversy due concerns that it may be discriminatory and that it stigmatizes the MSM population. It is clear that a policy change with respect to blood donation deferral is a risk management decision wherein the risks of ntroducing additional infected units for transfusion over the current residual risk must be alanced against the benefits of increasing the pool of blood donors. Also important are ethical and societal factors, which this report does not address. Any policy decision on blood donation deferral of the MSM population must be governed by the best available scientific evidence but there are inherent weaknesses in mathemathical models used in the risk assessments on this issue that continue to generate some uncertainty. With respect to the MSM population, it appears that a policy change from a permanent lifetime deferral to a 5-year deferral following the last MSM contact may be supportable, but societal and ethical consequences must be analyzed should this decision be advanced. Such an analysis should include discussion of what society would consider acceptable risk with respect to safety of the blood supply, as that will determine to what extent a precautionary principle must be factored into any policy decision. Finally, should such a policy change occur, blood collection agencies must be marshaled to collect data that will provide actual data for future risk assessments to improve decision-making on this issue.



The Council on Science and Public Health recommends that the following statement be adopted in lieu of Resolution 515 (A-07), and that the remainder of this report be filed:




That our American Medical Association (AMA) recognize that based on existing scientific evidence and risk assessment models, a shift to a 5-year deferral policy for blood donation from men who have sex with men is supportable.


 


Encontrei também outro artigo em que se estuda a hipótese de reduzir esse tempo para 5 anos, implementando a pesquisa sistemática do HHV-8 (Human herpesvírus 8 – associado a linfomas e a sarcoma de Kaposi) no sangue dos dadores.


 


O que está em causa para os organismos públicos, neste como noutros casos, é o dever que têm de garantir aos receptores de sangue o seu direito a serem tratados em segurança.

 

Transfusões (1)

 



(enviada pelo Artista)


 


A exclusão do grupo de homens homossexuais como potenciais dadores de sangue, que é seguida em vários países, nomeadamente no Canadá, EUA, França e Portugal, tem a ver com o conhecimento estatístico relativamente à prevalência de doenças infecciosas neste grupo populacional relativamente a outros.


 


Isto é muito diferente de dizer que o número de novos casos de infecção por HIV, em 2008, foi superior em doentes toxicodependentes e em homens e mulheres heterossexuais. O que está em causa é a prevalência (a probabilidade - ou risco - de um indivíduo sofrer de uma determinada doença) das doenças infecciosas, não só de HIV mas também de vírus de Hepatites B e C (hepatites virais com probabilidade de desenvolvimento de cirrose e tumores hepáticos, HHV-8 (associado ao desenvolvimento de linfomas e sarcoma de Kaposi) e outros, em homens homossexuais e em toxicodependentendes, em comparação com a prevalência das mesmas infecções noutros grupos estudados (mulheres homossexuais, homens e mulheres heterossexuais, etc.).


 


É ainda importante que se perceba que se dar sangue não é um direito inalienável de qualquer pessoa, receber sangue com a menor probabilidade possível de conter algum destes riscos infecciosos é um direito de todos e um dever dos responsáveis de saúde.


 


Não se trata de discriminação dos comportamentos ou das escolhas de orientação sexual, trata-se de usar os meios aos dispor da comunidade científica para a redução máxima do risco de um acto médico, que tem sempre riscos.


 


As guidelines da Cruz Vermelha Americana estipulam as várias circunstâncias em que as pessoas não devem doar sangue e são inúmeras.


 


Continuam as investigações no sentido de saber se há um limite temporal a partir do qual se pode assegurar que o risco de existirem agentes infecciosos no sangue de homossexuais masculinos é idêntico ao risco de heterossexuais e de homossexuais femininos. O que conheço indicam que:




(…) “The available evidence about estimated residual risk (RR)-that is, the risk remaining after various safeguards for blood are applied-strongly suggests that choosing a 1-year deferral period for MSM would almost certainly give rise to an incremental risk of transfusion-transmitted infection (TTI), over existing levels of risk, for blood recipients.” (…)




(…)The report argues that, under these circumstances, such a policy change would represent an unethical type of risk transfer, from one social group to another, and therefore would be unacceptable. (…)




(…)Under these circumstances, other social policy issues, relevant to the idea of changing the deferral period for MSM, become worthy of additional consideration.


 


Com a dificuldade de angariação de dadores de sangue que existe e a universal evidência de que a melhor política em termos de segurança na saúde pública é recorrer à doação voluntária, seria muito importante que todas as pessoas pudessem dar sangue. No entanto cabe aos organismos de saúde pública a responsabilidade de garantirem, tanto quanto os conhecimentos científicos o permitam, que quem recebe o sangue está salvaguardado de doenças futuras, directamente relacionadas com a transfusão.


 


Isso não é discriminação, é uma responsabilidade que devemos exigir e a que todos temos direito.


 


Nota: ler a Cristina, no Contra Capa.

 

17 julho 2009

A lógica do absurdo

 


Pacheco Pereira, o prefeito da Congregação para a causa da boa informação, da excelência, rigor e escrutínio das pessoas públicas, principalmente dos políticos, o defensor das televisões e jornais privados que têm devastado a vida de Sócrates, seus familiares, amigos, conhecidos e desconhecidos que se atrevem a concordar com ele, nem que seja por momentos, causou a estupefacção geral quando acusou os jornalistas de incomodarem Manuela Ferreira Leite com perguntas despropositadas, como o que queria dizer com rasgar todas as políticas de Sócrates, conhecendo de cor o pensamento de Manuela Ferreira Leite.


 


De facto como se pode aceitar que os jornalistas não entendam que Manuela Ferreira Leite não tem jeito para expor as suas ideias, não entendam que se atrapalha, longe do amparo e da tradução dos seus oráculos?


 


Como a vida pode ser injusta.

 

16 julho 2009

É Lisboa que ganha

 


António Costa vai congregando á sua volta aqueles que já perceberam que Santana Lopes de volta é que não pode ser.


 


Primeiro José Sá Fernandes, depois Helena Roseta. Quem quer fazer alguma coisa pela cidade sabe que António Costa é um homem em quem se confia.


 


Acho engraçada a ginástica que se tem feito para esborratar um pouco a pintura: a estranheza com que é encarado o compromisso de António Costa para com a câmara de Lisboa em paralelo com a indignação do não comprometimento de Elisa Ferreira e de Ana Gomes com as respectivas câmaras do Porto e de Sintra. Um está a preparar-se para assaltar o poder no PS, as outras estão a salvaguardar o emprego em Bruxelas.


 


Tudo serve para criticar. Em Lisboa o PS arrisca-se mesmo a ganhar. Ainda bem para Lisboa.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...