14 março 2009

Em sentido contrário

 


Claro que, pela boca de José Sócrates e dos seus incondicionais apoiantes, que aparecem por todos os telejornais, em presença física ou virtual, de Augusto Santos Silva a Vitalino Canas, passado por José Lello, Alberto Martins ou António Vitorino, Portugal começou a existir há 4 anos, pois o Gladiador tomou conta de nós.


 


Estamos bem servidos.


 


 

O pai de todos os males

 


Em termos de demagogia, Manuela Ferreira Leite não quer deixar os seus créditos por mãos alheias. O que ouvi ontem nos noticiários foi relevante.


 


Tudo o que de mal se passou neste últimos 4 anos foi culpa de José Sócrates. A crise, esta, as passadas e sobretudo as futuras, são da sua exclusiva responsabilidade. As do país, da Europa e do Mundo.


 


Estamos bem servidos.


 

A preparação do currículo

 



poema de Wislawa Szymborska


pintura de Gianni Chalambalakis


 


Que é preciso?


É preciso fazer um requerimento


e ao requerimento anexar o currículo.


 


Independentemente da duração da vida,


o currículo deve ser curto.


 


É obrigatória a concisão e boa selecção de factos,


transformar as paisagens em endereços,


e vagas recordações em datas fixas.


 


De todos os amores o conjugal é quanto basta,


e quanto aos filhos só os que nasceram.


 


Mais importante que quem conheces é de quem és conhecido.


Viagens só se ao estrangeiro.


A que aderiste mas sem dizeres porquê.


Distinções sem o motivo.


 


Escreve como se nunca tivesses falado contigo próprio


e te evitasses ao passares por ti.


 


Omite o silêncio dos cães, dos gatos e das aves,


cacaréus de lembrança, sonhos e amigos.


 


Valoriza mais o preço que o valor


e o título que o texto.


Antes o número que calça que aonde vai


esse atrás de quem tu andas.


 


A fotografia de orelhas descobertas.


 


Importa o seu formato e não o que elas ouvem.


Que ouvem elas?


O estrépito das máquinas triturando papel.


 

Do carácter

Não é falta de carácter. Isso tem Manuel Alegre que lhe sobeje. Tal como a incrível noção de que arrasta com ele, para sempre e fielmente, o tal milhão de votantes nos idos das presidenciais.


 


Pois também nos vai sobejando o tédio para tanta tendência a sair, para tanto ultimato político inconsequente.


 


Pois que venham as roturas, pois que enfrente a fera e a caçada como bom atirador, de peito aberto e alma limpa, e que finalmente o diga, com a voz de trovador que amamos, que se vai embora, que assume as suas responsabilidades encabeçando um movimento alternativo de esquerda, que se alie a Francisco Louçã, a Carvalho da Silva e a Jerónimo de Sousa para a convergência das esquerdas, para vergar este PS de direita, que oprime os trabalhadores, que mente e esconde a verdade, que está a percorrer o caminho do totalitarismo.


 


Se é isso que pensa, que seja coerente e assuma a vanguarda dos votos descontentes e que mostre qual é a alternativa de esquerda. Ou será que, tal como o BE, só pensa em ser oposição?

 

Omnipresente culpa

O que mais nos arrepia e assusta é que isto poderia ter acontecido a qualquer um de nós. Pai, mãe, irmão, irmã, a qualquer pessoa que ame desveladamente outra, por pequena e frágil e dependente que seja, pode estar horas sem que a nossa prioridade, atenção, reflexos e instintos estejam condicionados por ela.


 


O mais doloroso é imaginar a criança morta e o esfrangalhamento daquele pai, daquela mãe, daquela família estraçalhada pela culpa, pela omnipresente culpa, de que não se livrará jamais.

 

11 março 2009

Desafio vezes dois (ou três?)

 


Bem, embora já tenha respondido a este desafio, Tomás Vasques resolveu fazer-mo de novo. Não sei como, mas lá deve saber que sou do género de ler vários livros ao mesmo tempo e de não ser um primor de arrumação.


 


Sendo assim, o livro que, neste momento, tenho mesmo à medida do braço estendido é de José Eduardo Agualusa, Um Estranho em Goa, por sinal muito bom.


 


A quinta frase completa da pág. 161 é... Tremia. Verdade, é mesmo Tremia.


 


Depois de tão lacónica descrição de emoções, estendo a teia a mais cinco blogues:



 Bem, segue outra roda.


 



 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...