14 março 2009

Omnipresente culpa

O que mais nos arrepia e assusta é que isto poderia ter acontecido a qualquer um de nós. Pai, mãe, irmão, irmã, a qualquer pessoa que ame desveladamente outra, por pequena e frágil e dependente que seja, pode estar horas sem que a nossa prioridade, atenção, reflexos e instintos estejam condicionados por ela.


 


O mais doloroso é imaginar a criança morta e o esfrangalhamento daquele pai, daquela mãe, daquela família estraçalhada pela culpa, pela omnipresente culpa, de que não se livrará jamais.

 

11 março 2009

Desafio vezes dois (ou três?)

 


Bem, embora já tenha respondido a este desafio, Tomás Vasques resolveu fazer-mo de novo. Não sei como, mas lá deve saber que sou do género de ler vários livros ao mesmo tempo e de não ser um primor de arrumação.


 


Sendo assim, o livro que, neste momento, tenho mesmo à medida do braço estendido é de José Eduardo Agualusa, Um Estranho em Goa, por sinal muito bom.


 


A quinta frase completa da pág. 161 é... Tremia. Verdade, é mesmo Tremia.


 


Depois de tão lacónica descrição de emoções, estendo a teia a mais cinco blogues:



 Bem, segue outra roda.


 



 

08 março 2009

Jacqueline du Pré (2)

 



Edward Elgar: Concerto para violoncelo - 2º movimento


Violoncelista: Jacqueline du Pré


Maestro: Daniel Barenboim

Todos os dias

 


O dia da mulher é todos os dias.


 


Todos os dias em que lutam pelo seu sustento, pela sua dignidade, pela sua profissão, pelos seus direitos, pela sua felicidade.


 


Todos os dias em que contam o dinheiro, em que lavam, vestem, alimentam, acarinham e castigam os filhos.


 


Todos os dias em que se olham ao espelho e esticam com os dedos a pele das rugas, em que reinventam o brilho dos olhos e da alma.


 


Todos os dias em que amam e odeiam, em que riem e choram, em que se dão e se usam.


 


Todos os dias.


 


Tal como eles.


 

Carácter

 


As declarações de José Lello são o que de pior se pode fazer. Se mandatado ou não para malhar em Manuel Alegre, a acusação de falta de carácter é mentirosa.


 


Manuel Alegre pode ser muita coisa e, ultimamente, parece estar a fazer todos os possíveis para perder a credibilidade que tinha, mas a falta de carácter é de quem assim o apelida.


 

07 março 2009

Soluções governativas

 


O pedido de Sócrates para uma nova maioria absoluta é natural e lógica. Da parte dele, do PS e de uma governação estável.


 


As maiorias absolutas têm, na minha opinião, mais desvantagens que vantagens. E a do PS de Sócrates, tal como as do PSD de Cavaco anteriormente, é disso plena demonstração. O governo tende a hegemonizar-se na discussão política, desvalorizando e desprezando os debates parlamentares. No último que vi, Sócrates não respondeu a uma única pergunta da oposição, aproveitando o tempo que lhe cabia para falar contra as oposições e fazer propaganda política.


 


Por outro lado, as maiorias absolutas de um partido apagam os debates no seio dos próprios partidos, eternizando-se a solução única, condenando-os a uma travessia do deserto após a queda do líder. Foi assim no PSD e será assim no PS.


 


No contexto político em que estamos, no entanto, no Portugal de 2009, temos uma esquerda em que o BE já afirmou que nunca viabilizará um governo do PS, nunca se coligará nem apoiará o PS, porque o seu objectivo não é governar mas ser oposição, sempre. Por outro lado há o PCP que tem uma visão da sociedade que não evoluiu desde 1974, começando no discurso de Jerónimo de Sousa e acabando no sindicalismo que lhe está afecto.


 


Se o PS não tiver maioria absoluta resta-lhe formar um governo minoritário, com o tempo de vida que se lhe adivinha, ressuscitar o bloco central, que é no que parece apostar o PSD, ou depender de Paulo Portas.


 


Portanto António Costa tem toda a razão: quem quer votar à esquerda só pode votar PS ou então arrisca-se a fazer o jogo da direita. O BE colocou-se na posição de abrir a porta a governos de ou com a direita, mesmo que a votação na esquerda seja largamente maioritária.


 


Estes são os paradoxos a que pode conduzir o populismo. Mas não será nenhuma tragédia, nem nenhum colapso governativo. Será apenas uma solução pior que a da maioria absoluta do PS.

 

Desafio

 


Nunca resisto a um desafio destes.


 


No livro que tenho mesmo à mão (Campos de Castilla, de Antonio Machado), na pág. 161, a 5ª frase completa é uma parte de um poema que se chama La Casa:


 


(...)


Al arrimo del rescoldo


del hogar borbollonean


dos pucherillos de barro,


que a dos familias sustentan.


(...)


 


É claro que vou desafiar mais cinco, tal como me compete:



Segue a roda.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...