06 março 2009

Jacqueline du Pré (1)

 



 


Edward Elgar: Concerto para violoncelo - 1º movimento


Violoncelista: Jacqueline du Pré


Maestro: Daniel Barenboim

Terra


(Teresa Dias Coelho)


 


Escavo demoradamente palavras

terra de raízes e pedras.


 


Cega surda aplicadamente

afundo os olhos pelo silêncio.


 


Cavo o corpo como a luz

que todos os dias apago.

 

05 março 2009

A crise

O preço do petróleo tem vindo a descer, ao contrário do preço da gasolina que se mantém altíssimo, tendo subido precisamente com o argumento da subida do petróleo.


 


Assim não me espanta nada que a GALP possa exibir os lucros que fez em 2008, imoralmente à custa dos consumidores.


 


Também gosto bastante dos défices tarifários da EDP e da necessidade de aumento da electricidade.

Ler o futuro

 


Vejo-a a tremer, magra, com cabelo grisalho, a pintura dos olhos a escorrer com as lágrimas, a custo retidas. Os dentes pouco cuidados, as mãos grandes amarfanham um lenço de papel que se desfaz.


 


Fala alto, aos arrancos, vociferando contra quem ali a enviou, quem a assustou, quem lhe apontou o crescimento rápido daquele nódulo como algo que podia ser perigoso. Pergunta com os olhos em alarme se era assim, que não podia ser assim, que não lhe doía, que desumanidade por a terem assustado.


 


Estava desempregada e tinha conseguido inscrever-se num curso de formação de estética, não podia interromper por ninharias sem importância. Não podia ficar em casa como uma gaiata.


 


Foram uns sacanas pois tinham-na despedido a ela, que era efectiva há 15 anos, que podia ter ido para outra loja fazer depilação e epilação, que já tinha 47 anos. Deitada no catre estica o pescoço longo, o cabelo espalhado pelo branco do papel, entrecortada pelo choro, desempregada há 1 ano e meio.


 


Magra, magra, agradece e aperta as mãos, desculpe que estou de luvas, não faz mal que também usava luvas quando fazia depilação e epilação.




______


Percorreu a lâmina em busca das marcas de alarme, procurando ler nas células o futuro. 


 



 

01 março 2009

Una noche de verano


(Francisco Herrero)


 


Una noche de verano

- estaba abierto el balcón

y la puerta de mi casa -

la muerte en mi casa entró.

Se fue acercando a su lecho

- ni siquiera me miró -,

con unos dedos muy finos,

algo muy tenue rompió.

Silenciosa y sin mirarme,

la muerte otra vez pasó

delante de mí. ¿Qué has echo?

La muerte no respondió.

Mi niña quedo tranquila,

Dolido mi corazón.

¡Ay, lo que la muerte ha roto

Era un hilo entre los dos!

 


(poema de Antonio Machado)


 

Encontros e despedidas

 


 



composição: Milton Nascimento & Fernando Brant


canta: Simone


 


Mande notícias do mundo de lá

Diz quem fica

Me dê um abraço venha me apertar

Tô chegando

Coisa que gosto é poder partir sem ter planos

Melhor ainda é poder voltar quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem

A vida se repete na estação

Tem gente que chega pra ficar

Tem gente que vai pra nunca mais

Tem gente que vem e quer voltar

Tem gente que vai querer ficar

Tem gente que veio só olhar

Tem gente a sorrir e a chorar

E assim chegar e partir

São só dois lados da mesma viagem

O trem que chega

É o mesmo trem da partida

A hora do encontro é também despedida

A plataforma dessa estação

É a vida desse meu lugar

É a vida desse meu lugar

É a vida

 

Eleições europeias

 


 


O PS escolheu Vital Moreira para cabeça de lista das eleições para o Parlamento Europeu. Vital Moreira era um defensor do Tratado Constitucional Europeu, é um defensor do Tratado de Lisboa e foi também um defensor da quebra da promessa do referendo ao mesmo Tratado, justificando que não concordava com referendos a tratados internacionais e, inclusivamente, que este tratado em concreto era incompreensível.


 


Não me espanta a escolha de Sócrates mas, para mim, é uma escolha que vai reduzir a votação no PS nas eleições europeias. O que é uma pena e também faz aumentar o receio de desagregação da União Europeia (EU).


 


Porque, ao contrário do que me parece indispensável, que é o aprofundamento da união económica, o esforço para a democratização da EU com uma maior participação dos cidadãos e dos países nas decisões colectivas, reforçando os poderes do Parlamento Europeu, mantendo a equidade para todos os países, grandes ou pequenos, este tipo de atitudes, de directórios decisórios, de textos, alianças e tratados não compreensíveis para os cidadãos, como que legitimando uma vanguarda esclarecida de visionários europeus, pode conduzir a uma desconfiança e a uma resposta contrárias da parte dos comuns eleitores.


 


Tal como Maria João Rodrigues afirma, numa entrevista ao Público (pág.5), é necessário que se trave (…) o proteccionismo nacional, que seria uma catástrofe porque destruiria o mercado interno e a união monetária, só temos uma saída, que é uma resposta a nível europeu para proteger os interesses das empresas e dos cidadãos europeus (...). Em termos de actuação concreta, Maria João Rodrigues adianta (…) decidir que se vai expandir a despesa pública para estimular o crescimento da economia (…). De forma clara e colectiva (…); outra medida concreta, justificada pelas margens diferentes que os países têm para implementar os seus programas de estímulo económico, pois ao aumentarem o défice e a dívida o fazem com taxas de juro muito elevadas (…) lançar um instrumento que ainda não existe e que são os eurobonds (títulos de dívida europeus) (…).


 


Maria João Rodrigues chama ainda a atenção para o facto de ser do interesse da Alemanha optar pela solidariedade pois, se o não fizer (…) vai ficar rodeada por regiões em depressão que vão puxar a economia alemã ainda mais para baixo. (…) E mais (…) É preciso estabelecer uma regra mínima segundo a qual se um governo apoia empresas localizadas no seu país, vai ter de apoiar as suas filiais onde quer que elas se encontrem. (…).


 


Esta deveria ser uma época de respeito por tudo o que possa aumentar as tensões centrífugas na EU. A forma como o Tratado de Lisboa tem sido empurrado para ser engolido de qualquer maneira pelos estados-membros, não augura nada de bom.

 


Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...