23 dezembro 2008

Natal


(Salvador Dali: Quadros Bíblicos 66)


 


Caminhamos de mãos dadas

de mãos postas

de mãos nuas

caminhamos ao acaso

por acaso

por caminhos

demarcados

por destinos

arriscados.


 


Caminhamos sem temer

pois as tréguas

que queremos

estão na estrela

que seguimos

seja ela a razão

de moldarmos

os caminhos.

22 dezembro 2008

Musgo


(pintura de Kazuya Akimoto: Moss Wall)


 


Arrumamos a árvore a um canto

a sagrada família à lareira

no musgo sujo de terra

compomos as bolas de vidro

alisamos toalhas bordadas

fritamos o tempo e o pão

que oferecemos sem mágoa

àqueles a quem tudo sobeja.


 


Somos todos amigos ou não

nestes dias de comunhão

de máscaras novas e velhas

de tristeza sem razão.

Rituais

Bem, lá terá que ser, lá vamos nós a passos de gigante para mais um Natal.


 


Uma das coisas certas do Natal é que é igual, ano após ano, porque de tradições certas e seguras se fazem estas festas.


 


E assim é certo que há grandes confusões, negócios e diplomacia, da pura e dura, antes da noite da Consoada para se saber a distribuição dos vários membros da família.


 


Depois desse ritual anual passamos ao ritual de compras dos ingredientes para a comezaina. Mais uma ocasião de grandes negócios e mais diplomacia para ver quem vai buscar as filhós que, obviamente, só são maravilhosas se forem feitas pela avó, mas como a avó já não as faz só aquelas confeccionadas num determinado sítio, a centenas de quilómetros de distância, é que são quase iguais.


 


E recomeça a função: a encomenda das couves, a compra e o demolhar do bacalhau, ao qual se acrescenta uma cara de bacalhau que faz as delícias de um sofisticado cá do burgo, os 3 ou 4 pastéis de bacalhau para outro escravo da tradição, o grão cozido com a cebola picada e a salsa por cima, as batatas, a sopa de couve e massinha fininha, a parafernália das rabanadas, com o ovo, o leite, a fritura, a canela e o açúcar, a indispensável aletria com a massa de cabelo enrolado a partir-se e a espalhar-se por todo o lado, os sonhos que a avó faz aos quais sempre falta a calda de açúcar, canela e casca de limão, os figos com nozes, os pinhões e as passas de uva.


 


Para além, claro, dos vinhos: do vinho fino e dos licores da temporada. Este ano, após várias outras experiências, regressa o de café.
 


Para 1,5l de licor:



  • 1 chávena (de café) de café em pó

  • 9 decilitros de água

  • 250 gramas de açúcar

  • 5 decilitros de aguardente

  • 1 pau de canela

  • 20 dias de maceração (para mais, nunca para menos)


Faz-se café à antiga portuguesa. Ou seja - uma chávena de café cheia de café em pó num púcaro com 4 decilitros de água ao lume; ferve e mexe-se com cuidado para não vazar, até o pó depositar.


 


À parte - xarope com 0,5l de água e 250g de açúcar, ao lume a ferver durante 10 minutos. Depois de arrefecer - tudo para dentro de um frasco de boca larga com 2 paus de canela e 0,5l de aguardente vínica bem forte; tapar muito bem e deixar a macerar.


 


Ao fim de, pelo menos, 20 dias, tem que coar-se tudo (ou nos filtros de café, se houver paciência equivalente à de uma dúzia de santos, ou em panos de linho); engarrafar, rotular e beber!


 



 


 

21 dezembro 2008

Sem Palavras (4)

Sócrates vs Magalhães


 



 

The Christmas Song

 



 


Chestnuts roasting on an open fire,

Jack Frost nipping on your nose,

Yuletide carols being sung by a choir,

And folks dressed up like Eskimos. 


 


Everybody knows a turkey and some mistletoe,

Help to make the season bright.

Tiny tots with their eyes all aglow,

Will find it hard to sleep tonight.


 


They know that Santa's on his way;

He's loaded lots of toys and goodies on his sleigh.

And every mother's child is going to spy,

To see if reindeer really know how to fly.


 


And so I'm offering this simple phrase,

To kids from one to ninety-two,

Although its been said many times, many ways,

A very Merry Christmas to you.


 


(Ella Fitzgerald)


 

Natal tardio

Hoje deixei que entrasse um pouco de Natal nas minhas mãos.


 


Natal vagaroso e descolorido, este Natal de fim.


 


Deixei que me chegasse o Natal, e não sei que fazer dele. Talvez pousá-lo e esperar. Ainda faltam alguns dias para que o memorize, aqueça, presenteie.


 


Faz-me falta o azevinho, as bagas vermelhas e duras que se espalham pela mesa. Faz-me falta a alegria. Faz-me falta que o Natal me vista e me enfeite.


 



 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...