O orçamento de estado para 2009 foi aprovado pelo PS apenas a 28 de Novembro. Contra tudo e contra todos, o governo e o seu ministro das Finanças defenderam os números das previsões efectuadas, nomeadamente de um défice de 2,2%.
Não se pode dizer que nessa altura não fosse possível prever que, com o governo a injectar dinheiro nos bancos, no sector automóvel, nas pequenas e médias empresas, nos investimentos públicos, nos apoios sociais e no que mais se verá, fosse difícil manter a redução do défice ou a sua manutenção. Tanto mais que a própria EU já tinha sugerido que não haveria problema em pequenos deslizes do défice nos países que necessitassem investir para minimizar a crise.
É claro que compreendo a necessidade de o estado investir e nem sequer tenho conhecimentos para me pronunciar a favor ou contra, mesmo que os apoios ao BPP continuem por explicar.
O que eu não consigo perceber á a razão pela qual, 15 dias depois da aprovação do orçamento de estão, o mesmo Ministro das Finanças e o mesmo Primeiro-Ministro venham assumir que o défice, afinal, chegará aos 3%.
Mas estão a brincar connosco? Que credibilidade esperam mater depois deste tipo de ziguezagues? A isto é que chamo prepotência, arrogância e falta de cultura democrática.
Não sei como se fazem as coisas, em termos técnicos e legislativos. Mas em termos políticos aquilo que se conclui é que o governo e a maioria mentiram, sabiam que estavam a mentir e não se importam minimamente com a mentira.