09 novembro 2008

Pelos Professores

Não confundo os Professores, dignos de tal nome, tenham ou não ido às manifestações, com aqueles que assim se denominam e que não são capazes de discutir qualquer assunto sem insultar quem não está de acordo com eles.


 


Não confundo a competência e a dedicação dos Professores, dignos de tal nome, com a sua ideologia política e com as razões que de certo lhes assistem, e que justificam tomadas de posição contrárias às minhas.


 


Alguns dos comentários aos posts anteriores são bem o exemplo do que é necessário, do que é obrigatório fazer no que diz respeito ao recrutamento dos docentes para a Escola, Pública ou Privada.


 


O Estado tem a obrigação de zelar pela qualidade científica e humana dos seus quadros, na educação, na saúde, na justiça, em qualquer área de serviço que assegure. São os cidadãos e a excelência da qualidade da sua formação e da sua vida que estão em causa, não a negociação do estatuto sócio profissional de algumas corporações.

Aprendi a ler

Na caixa de comentários do último post, fui chamada à atenção (de uma forma muito agradável, mas e que segui de imediato) pelo facto de estarmos já no ano lectivo de 2008/2009 e, portanto, a avaliação já não ser a simplificada.


 


É verdade. Mas isso é mais uma razão para entender que o processo já deveria ter sido implementado calmamente e já deveria estar a funcionar em pleno.

08 novembro 2008

Ler é saber

Talvez seja boa ideia as pessoas terem acesso ao Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro, que regulamenta a avaliação do desempenho dos Professores, e ao famoso Memorando de Entendimento entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical dos Professores, firmado em 12 de Abril deste ano.


 


Realço só alguns parágrafos:


 


1.No respeitante à avaliação dos docentes, os procedimentos a adoptar no ano lectivo 2007/2008 serão os seguintes:


(...)


b) Aplicação de um procedimento simplificado nas situações em que seja necessária a atribuição de uma classificação por estar em causa a renovação ou a celebração de um novo contrato, ou ainda a progressão na carreira durante o presente ano escolar;


(...)


d) Os elementos obrigatórios do procedimento simplificado referido na alínea b) são os seguintes: ficha de auto-avaliação e parâmetros relativos a nível de assiduidade e cumprimento do serviço distribuído; participação em acções de formação contínua, quando obrigatória e desde que existisse oferta financiada nos termos legais.


 


Onde estão as reuniões, as burocracias e as papeladas tão faladas por todos os intervenientes que exigem a suspensão de tão horrenda e gravosa avaliação?


 


E, já agora, como se objectiva a unanimidade numa manifestação com 120 mil pessoas?

A Escola Pública

Acabo de ouvir Mário Nogueira ameaçar o Ministério da Educação de que ou suspende a avaliação ou tem luta todo o ano.


 


Mário Nogueira esquece-se, assim como talvez esqueçam os manifestantes, de que o governo resulta de eleições legislativas e que as manifestações, por muito grandiosas que sejam, não servem para demitir ministros.


 


A Escola Pública, tal como a entendo, é um lugar de trabalho, para alunos e professores, com a participação e partilha dos encarregados de educação e dos representantes locais das autarquias, até de empresas ou de organizações sociais.


 


A Escola Pública, tal como a entendo, deve premiar o mérito, distinguir quem mais se esforça, quem mais estuda, quem mais trabalha, quem mais participa e melhor se insere naquele microcosmos, promovendo actividades que melhorem as aprendizagens, que melhorem as relações entre alunos, que se integrem na vida da localidade.


 


A Escola Pública, tal como a entendo, é um local de exigência e de bem-estar, de relações de trabalho e de amizades, de formação para a cidadania. É um local onde se avalia e é avaliado.


 


As carreiras profissionais só têm a ganhar se tiverem graus aos quais se tem acesso por provas, demonstrando que se está em condições de assumir novas e mais pesadas responsabilidades, que já se adquiriu experiência para organizar e ensinar os que têm menos experiência.


 


Esta manifestação dos professores, por mais concorrida que seja, é contra tudo o que defendo que seja a Escola Pública. Aplaudo a firmeza da Ministra da Educação e espero que Sócrates não lhe negue apoio. Em defesa da Escola Pública a que todos temos direito.

07 novembro 2008

Normalidade democrática

Por muito que queiramos não há vislumbre de aspirantes a Obamas portugueses no horizonte.


 


Manuela Ferreira Leite descobriu agora que a avaliação dos professores deve ser suspensa, que a divisão dos professores em 2 categorias profissionais é iníqua, tal como a existência de quotas.


 


Tal como Zita Seabra, atacando ferozmente a nacionalização do BPN, se passou do PCP para o PSD, também podemos imaginar a Presidente do PSD a passar-se directamente para o PCP. Talvez vallha a pena lembrar a inexistência do problema Santana Lopes como candidato à Câmara de Lisboa, pois não consta da agenda política do PSD (embora conste da agenda política de Santana Lopes).


 


Por falar em nacionalizações, conseguimos assistir ao inédito do PCP a votar contra a lei de nacionalização do BPN e o Presidente da República à espera que tudo regresse à normalidade na Madeira, mantendo-se em contacto com o representante da República.


 


Fátima Felgueiras é acusada a 3 anos de prisão com pena suspensa e sai de lá a dizer que foi absolvida.


 


Por fim temos a promessa de uma gigantesca manifestação de professores para amanhã.


 


E assim se passou mais uma semana.

06 novembro 2008

O regresso da ideologia

A onda de interesse e aclamação que varreu os EUA e a Europa com a campanha de Barack Obama veio demonstrar que, ao contrário do que muitas vezes se diz, estamos sedentos de ideologia.


 


Estamos abertos às palavras e às sensações, comovemo-nos com a cadência e a beleza das ideias, precisamos de esperança.


 


A eleição de Barack Obama faz renascer a política naquilo que ela tem de mais puro, o debate por algo em que se acredita, a certeza de que é possível mudar para melhor, de que todos podemos participar nessa mudança, de que todos podemos sonhar com a felicidade.

Claustrofobia democrática

As cenas passadas ontem na Assembleia Regional da Madeira é um contínuo de disparates e falta de respeito dos deputados uns pelos outros, passando o tempo em que deveriam representar os seus eleitores e velar pela causa pública, e vez de se comportarem como arruaceiros e trogloditas. Na verdade é um desrespeito à própria Assembleia.


 


Mas tudo se passa com o beneplácito das mais altas figuras da Nação, incluindo o Presidente da República e o Presidente da Assembleia da República.


 


No entanto houve um limite que se ultrapassou hoje e que não pode ser ultrapassado. Foi impedida a entrada de um deputado legitimamente eleito na Assembleia Regional da Madeira e foi-lhe retirada a imunidade parlamentar por quem não tem legitimidade para isso, mandatado por quem não tem poder para tal.


 


Está em causa o normal funcionamento de uma Instituição democrática pelo que espero actuação pronta e enérgica do Presidente da República. Tal como aguardo a condenação pública por parte de todos os que se dizem democratas e que denunciam claustrofobias democráticas em Portugal. De facto elas existem. Na Madeira.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...