pintura de Joan Miró
hombre y mujer delante de un montón de excementos
Aguardamos a dor sem revolta
inevitável companhia do poder
de olhos vazios encaramos o nada
e viramos para dentro resignados
o molde que não deixamos de ser.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
pintura de Joan Miró
hombre y mujer delante de un montón de excementos
Aguardamos a dor sem revolta
inevitável companhia do poder
de olhos vazios encaramos o nada
e viramos para dentro resignados
o molde que não deixamos de ser.
Perante uma grave crise financeira, e pelos visto a que se seguirá uma crise económica, no mundo, gostaria de ter visto relançada a discussão sobre o Tratado de Lisboa.
Se houve atrasos na tomada de posições conjuntas dos países da EU, se houve grupos de países, o G4, que se mandataram como vanguarda avançada da EU, mesmo sem terem qualquer representatividade política, se há a sensação de que na EU, em tempos de grandes dificuldades, têm um discurso de acordo e união, mantendo uma prática contrária em defesa do seu próprio país, em que medida deve ou não ser repensada a EU? Em que medida o passo da aprovação de uma proposta constitucional é precipitada ou indispensável? De que forma o novo Tratado Europeu poderia ajudar ou complicar o enfrentar dos problemas económicos e financeiros, a prevenção da recessão como um bloco uno?
Afinal, a EU nem sequer se comportou como uma união económica. Penso que há aqui muitos assuntos que deveriam ser debatidos pelos vários actores políticos, nacionais e europeus.
Tenho tido semanas pesadíssimas com trabalho. De tal maneira que apenas passeio pelos muitos blogues que aprecio, por outros que aprecio menos, pelos jornais online e vou catalogando assuntos sobre os quais gostaria de dizer qualquer coisa.
É claro que muitos perdem oportunidade, porque nesta nossa correria para ultrapassar o dia a dia vão cabendo cada vez menos tempos escolhidos ou roubados para pensar, saborear e observar.
Mesmo assim, ainda me arrisco a tecer um comentário sobre a mais que provável candidatura de Pedro Santana Lopes à Câmara de Lisboa.
Tal como Pacheco Pereira acho tal escolha absolutamente incompreensível e ruinosa para a cada vez mais distante e abatida credibilidade do PSD e da sua Presidente, Manuela Ferreira Leite. Não a entendo em nenhuma perspectiva, nem na única mesquinha hipótese de ter hipóteses de ganhar. Pacheco Pereira disse o óbvio. Aliás se defendesse essa solução, mesmo por omissão, não faltaria quem lhe apontasse o dedo como hipócrita calculista e vira-casacas, sendo eu uma delas, muito possivelmente.
Discordo muito de Pacheco Pereira em muitíssimas coisas, mas tem seguramente o meu respeito por não se refugiar em calculismos e defender as suas ideias, mesmo incómodas.
Já não posso dizer o mesmo de Manuela Ferreira Leite. O PS e o governo estão em roda livre, não há qualquer oposição credível à direita e isso é que é um definhamento da democracia e um atrofiamento da liberdade. Manuela Ferreira Leite acusou o governo de asfixiar a democracia, mas o seu partido é um dos maiores contribuintes para a aridez do debate político.
Nota: Pacheco Pereira tem uns minutos no Rádio Clube Português, de manhã, por volta das 9 horas, que se chama Vírus. É absolutamente imperdível.
Agradeço o prémio com que fui distinguida por um dos blogues que aprecio diariamente. Como mandam as normas
aqui vão os blogues que atiram certeiras e excelentes setas:
Muitos mais caberiam nesta lista, mas só podem aparecer 15. Nos meus favoritos continuarão a aparecer cada vez mais. É uma literatura alternativa que me dá muito prazer.
Cavaco Silva defende valores e políticas raramente coincidentes com as que eu própria defendo. Não me revejo na sua postura, nos seus discursos, não gostei dos seus mandatos enquanto Primeiro-Ministro e votei contra ele sempre que tive oportunidade.
No entanto, e a propósito de um comentário num dos posts mais abaixo, fiz uma pesquisa na internet sobre a inovação portuguesa dos anos 80 que deu pelo nome de salários em atraso, que motivaram intervenções incendiários do Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, alertando para a fome no distrito de Setúbal.
Ora essa inovação foi da autoria do governo do Bloco Central, chefiado por Mário Soares e Mota Pinto, na Vice-Presidência, como se pode ver neste documento de José Adelino Maltez – (…) Salários em atraso – Relatório oficial reconhece a existência de cerca de 100 000 trabalhadores com salários em atraso (Março). (…).
Além disso, após as eleições legislativas de 1985, ganhas por Cavaco Silva, foi elaborada uma Lei na Assembleia da República - Lei n.º 17/86, de 14 de Junho, Salários em atraso – posteriormente revogada pela Lei 99/2003 – Código de Trabalho – numa tentativa de proteger os trabalhadores de uma situação absolutamente inaceitável, que era trabalhar sem remuneração e sem soluções no quadro legal.
Portanto, os salários em atraso não foram responsabilidade de Cavaco Silva, do PSD, tendo sido durante a sua legislatura que se tentou resolver o problema, mas sim de Mário Soares, do PS (sem esquecer Mota Pinto, claro).
Há uns meses travou-se grande debate político-ideológico a propósito dos elevados níveis de pobreza em Portugal, assim como o agravamento das desigualdades sociais, baseado em relatórios do EUROSTAT, da UNICEF e de um estudo coordenado por Alfredo Bruto da Costa – Um olhar sobre a pobreza.
Da esquerda à direita foram sendo esgrimidos argumentos, demonstrando o mau desempenho que todos os governos tiveram, após o 25 de Abril, no combate às desigualdades sociais, não tendo sido capazes de desenvolver políticas que reduzissem o flagelo da pobreza.
No Público online de ontem vem uma notícia - Portugal é o país da UE onde a pobreza mais caiu - que eu gostaria que fosse também motivo de debate político-ideológico.
É preciso fazer muitíssimo mais, mas afinal sempre temos feito alguma coisa, mesmo com a continuada e arrastada crise em que vivemos. Ainda bem.
Sublinhados meus
E não baixa a gasolina. Mas a Autoridade da Concorrência ainda está a analisar se há ou não concertação de preços.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...