19 outubro 2008

Da lida insana

Tenho tido semanas pesadíssimas com trabalho. De tal maneira que apenas passeio pelos muitos blogues que aprecio, por outros que aprecio menos, pelos jornais online e vou catalogando assuntos sobre os quais gostaria de dizer qualquer coisa.


 


É claro que muitos perdem oportunidade, porque nesta nossa correria para ultrapassar o dia a dia vão cabendo cada vez menos tempos escolhidos ou roubados para pensar, saborear e observar.


 


Mesmo assim, ainda me arrisco a tecer um comentário sobre a mais que provável candidatura de Pedro Santana Lopes à Câmara de Lisboa.


 


Tal como Pacheco Pereira acho tal escolha absolutamente incompreensível e ruinosa para a cada vez mais distante e abatida credibilidade do PSD e da sua Presidente, Manuela Ferreira Leite. Não a entendo em nenhuma perspectiva, nem na única mesquinha hipótese de ter hipóteses de ganhar. Pacheco Pereira disse o óbvio. Aliás se defendesse essa solução, mesmo por omissão, não faltaria quem lhe apontasse o dedo como hipócrita calculista e vira-casacas, sendo eu uma delas, muito possivelmente.


 


Discordo muito de Pacheco Pereira em muitíssimas coisas, mas tem seguramente o meu respeito por não se refugiar em calculismos e defender as suas ideias, mesmo incómodas.


 


Já não posso dizer o mesmo de Manuela Ferreira Leite. O PS e o governo estão em roda livre, não há qualquer oposição credível à direita e isso é que é um definhamento da democracia e um atrofiamento da liberdade. Manuela Ferreira Leite acusou o governo de asfixiar a democracia, mas o seu partido é um dos maiores contribuintes para a aridez do debate político.


 


Nota: Pacheco Pereira tem uns minutos no Rádio Clube Português, de manhã, por volta das 9 horas, que se chama Vírus. É absolutamente imperdível.

18 outubro 2008

Dardos


 


Agradeço o prémio com que fui distinguida por um dos blogues que aprecio diariamente. Como mandam as normas



  1. exibir a distinta imagem

  2. linkar o blogue pelo qual recebeu o prémio

  3. escolher quinze (15) outros blogues a quem entregar o Prémio Dardos


aqui vão os blogues que atiram certeiras e excelentes setas:



  1. Água Lisa (6)

  2. cocó na fralda

  3. Contra Capa

  4. DER TERRORIST

  5. hoje há conquilhas, amanhã não sabemos

  6. jugular

  7. Ladrões de Bicicletas

  8. O Mundo Perfeito

  9. O Tempo das Cerejas

  10. Pedro Rolo Duarte

  11. Ponto de Cruz

  12. quase em português

  13. respirar o mesmo ar

  14. Saúde SA

  15. Teatro Anatómico


Muitos mais caberiam nesta lista, mas só podem aparecer 15. Nos meus favoritos continuarão a aparecer cada vez mais. É uma literatura alternativa que me dá muito prazer.

Memória


 


Cavaco Silva defende valores e políticas raramente coincidentes com as que eu própria defendo. Não me revejo na sua postura, nos seus discursos, não gostei dos seus mandatos enquanto Primeiro-Ministro e votei contra ele sempre que tive oportunidade.


 


No entanto, e a propósito de um comentário num dos posts mais abaixo, fiz uma pesquisa na internet sobre a inovação portuguesa dos anos 80 que deu pelo nome de salários em atraso, que motivaram intervenções incendiários do Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, alertando para a fome no distrito de Setúbal.


 


Ora essa inovação foi da autoria do governo do Bloco Central, chefiado por Mário Soares e Mota Pinto, na Vice-Presidência, como se pode ver neste documento de José Adelino Maltez – (…) Salários em atraso – Relatório oficial reconhece a existência de cerca de 100 000 trabalhadores com salários em atraso (Março). (…).


 


Além disso, após as eleições legislativas de 1985, ganhas por Cavaco Silva, foi elaborada uma Lei na Assembleia da República - Lei n.º 17/86, de 14 de Junho, Salários em atraso – posteriormente revogada pela Lei 99/2003 – Código de Trabalho – numa tentativa de proteger os trabalhadores de uma situação absolutamente inaceitável, que era trabalhar sem remuneração e sem soluções no quadro legal.


 


Portanto, os salários em atraso não foram responsabilidade de Cavaco Silva, do PSD, tendo sido durante a sua legislatura que se tentou resolver o problema, mas sim de Mário Soares, do PS (sem esquecer Mota Pinto, claro).


 


Pobreza

Há uns meses travou-se grande debate político-ideológico a propósito dos elevados níveis de pobreza em Portugal, assim como o agravamento das desigualdades sociais, baseado em relatórios do EUROSTAT, da UNICEF e de um estudo coordenado por Alfredo Bruto da Costa – Um olhar sobre a pobreza.


 


Da esquerda à direita foram sendo esgrimidos argumentos, demonstrando o mau desempenho que todos os governos tiveram, após o 25 de Abril, no combate às desigualdades sociais, não tendo sido capazes de desenvolver políticas que reduzissem o flagelo da pobreza.


 


No Público online de ontem vem uma notícia - Portugal é o país da UE onde a pobreza mais caiu - que eu gostaria que fosse também motivo de debate político-ideológico.



É preciso fazer muitíssimo mais, mas afinal sempre temos feito alguma coisa, mesmo com a continuada e arrastada crise em que vivemos. Ainda bem.


 


Sublinhados meus

16 outubro 2008

Economia ainda mais real

Petróleo cai para os 65 dólares com aumento das reservas dos EUA


 


E não baixa a gasolina. Mas a Autoridade da Concorrência ainda está a analisar se há ou não concertação de preços.

Economia real

Ultimamente todos nós fizemos um mestrado em economia e finanças. Mesmo que não saibamos distinguir os problemas económicos dos financeiros, nem saibamos o que é a economia real.


 


Para a enormíssima maioria dos mortais, entre os quais me incluo, só resta o medo de perder o emprego, ou de trabalhar mas não ser pago, ou de trabalhar e não lhe chegar o dinheiro ao fim do mês, ou de querer ir levantar dinheiro e não haver liquidez no Banco, outra das expressões que aprendemos a usar.


 


Parece que vamos entrar todos em grandes apertos e teremos que fazer estágios salazarentos para aprender a poupar. Até agora o que estava a dar era pedir empréstimos para as casas, os carros, os plasmas, as férias, os sofás, as viagens, as roupas, os cabeleireiros.


 


Mas, na realidade, teremos que regressar aos natais de prendas caseiras, aos aproveitamentos das roupas dos filhos mais velhos para os mais novos, à confecção de pratos com restos das refeições anteriores, aos pequenos-almoços comidos em casa, à escolha entre mais um par de calças e uma ida ao cinema, mais uma coloração e massagem capilar e um livro interessante, mais um telemóvel 5G com música, vídeo, que fala, dança e faz cafés e o telefone fixo lá de casa. Cada um à sua maneira, cada um à medida do que tem, talvez até nem seja má ideia começarmos a dar mais valor ao ser do que ao parecer. Com tantas e tão variadas crises que se sucedem umas às outras, o realismo da nossa economia, de cada um de nós, é a certeza do pouco que há para gastar.


 


Mas a verdade é que gastamos todos de mais. Só tenho pena que, na prioridade das poupanças os cortes atinjam principalmente aquilo que nunca devia falhar: a imprescindível necessidade de saber, perguntar, informar-se, comunicar e conviver. Salazar dirigia a poupança da nação reduzindo ao máximo o luxo da aprendizagem. E a nossa sociedade moderníssima é muito pouco meritocrática.

Labirinto


(pintura de Yana Stajno: Lot's Wife)


 


Por mais partículas que deixe pelo caminho

perco-me no labirinto

em que persigo eternamente

a minha sombra.


 


Desfazem-se ciclicamente as estátuas de sal

em que me cristalizo

ao olhar para trás.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...