08 outubro 2008

O hábito

A falta de nível de Zita Seabra  RTPN, agora, desvalorizando as medidas do governo, dizendo que devemos copiar os governos europeus mas depois sem dizer quais, é de uma inacreditável aridez.


 


Na verdade parece que ninguém sabe exactamente o que fazer. A nós, apreensivos cidadãos do mundo, temos medo que nos falte o dinheiro para a nossa vidinha quotidiana, não percebemos nada da bolsa, de activos ou de crashs, e apenas nos perguntamos se deveríamos reeditar os colchões com mealheiros.


 


Uma coisa eu aprendi com o filme "It's a Wonderful Life" de Frank Capra. Não devemos ir a correr levantar o dinheiro do banco, em pânico, como se não houvesse outra solução. De resto continuemos, dia a dia, tentando não descompensar porque até com este medo a gente se há-de habituar.

Acordar


(pintura de Snadi Miot: awakening)


 


Hoje lembrei-me nitidamente

do que faltou desses dias

em que sonhávamos o mundo

até que o mundo

nos acordou.

07 outubro 2008

Bancarrota

Hoje ouvi várias vezes o tom perplexo e preocupado de uma colega:


- O Zapatero disse que a Espanha entrou em recessão!


 


à qual respondi as mesmas vezes com o mesmo tom preocupado e perplexo:


- E a Islândia está à beira da bancarrota!


 


05 outubro 2008

República Portuguesa


 


Mais uma cerimónia de comemoração da implantação da República, com muito menos pompa e circunstância da evocação do Regicídio. Estamos em tempos de branqueamento e de revivalismo, menorizando uns actos revolucionários e enaltecendo outros.


 


Tudo isto tem muito pouco a ver com rigor e objectividade históricas, aproveitando-se as várias efemérides para recados e mensagens políticas, neste momento dos sectores mais conservadores da sociedade que, com a cambalhota dos capitalismos desenfreados e da entronização do Mercado, entidade tão ausente e abstracta com o etéreo mas que tem servido de justificação para enormes e pesados despedimentos colectivos quando as empresas deixam de ter lucros milionários, parecem encontrar-se sem norte nem rumo.


 


Mais uma vez o nosso Presidente Cavaco Silva dissertou sobre a crise e a verdade, sobre a fibra dos portugueses e a ética republicana. Nada de original, motivante ou galvanizador de qualquer vontade.


 


Vamos vivendo o dia a dia, recuperando a ideologia da poupança, da redução do consumismo e do Estado como regulador e benfazejo, mesmo para os que passaram as últimas décadas a exigir que tudo seja entregue à regulação do mercado e à sacrossanta e caridosa sociedade civil.


 


Mas o nosso Presidente, tão cinzento, monocórdico, igual a si próprio, prepara-se para liderar a oposição a Sócrates e à maioria socialista. À frente do PSD já se colocou a sua pupila dilecta, que pede audiências urgentes para saber a opinião da Excelentíssima Primeira Figura sobre a independência do Kosovo!


 


O que vale é mesmo tudo, até esse submundo blogosférico em que nos movemos, todos os dias bafejada com o sopro da higienização que vem dos lados do Abrupto e de mais alguns assépticos como ele, que se transformam em damas sofisticadas e de nariz sensível quando à sua volta tudo tem aspecto lamacento.


 


Felizmente, e ao contrário dos monárquicos, temos periodicamente oportunidade de mudar e escolher outro Presidente.


 


Viva a República!

03 outubro 2008

Garfadas online


 


Há quem consiga aliar o conhecimento científico e a vivência dolorosa e diária numa enfermaria com a arte de saber aprofundadamente de gastronomia, história e arquitectura de cozinhas, alimentação, enfim, tudo o que tenha a ver com garfadas, garfos e restantes talheres, restantes adereços, coreografias e protocolos, assim como de cozinhas, separação de espaços de comedores e de confecção alimentar, chaminés, lareiras, utensílios, etc.


 


 


Para além de uma evidente erudição é um gosto poder saborear este Garfadas Online.


 


Num blogue perto de si!


 


Grau negativo

Casas das Câmaras a preços controlados, para particulares, que têm a particularidade de ter relações privilegiadas com qualquer dos Presidentes ou vereadores, amigos ou conhecidos - porquê?


 


Que haja a hipótese de conceder espaços que sejam património das Câmaras para associações desportivas e culturais, organizações várias sem fins lucrativos, que tenham um qualquer papel na vida social e cultural da cidade ou do país, tudo bem, desde que os critérios de atribuição sejam claros e transparentes, desde que haja possibilidade de concursos a esses espaços.


 


Mas porque é que esse património de apartamentos e casas para alugar não é feito com preços idênticos aos do tal mercado? Ou porque é que essas casas não são leiloadas?


 


Não há justificações que satisfaçam a não ser a contemplação da total promiscuidade entre o que deveria ser o acautelar dos interesses públicos e os interesses privados, as cunhas, os conhecimentos, os compadrios, enfim, a forma como tudo em Portugal se faz e se troca, um telefonema, um café, umas palmadas nas costas, e que já é tão normal que ninguém se espanta da tranquilidade de certas consciências.

Grau zero








Nunca percebi muito bem a necessidade do movimento de alguma esquerda no sentido de legalizar a união de pessoas do mesmo sexo na forma de casamento, contrato que regulariza a união entre pessoas de diferentes sexos, tal como também nunca percebi muito bem a necessidade de se transformar as uniões de facto em casamentos sem assinatura.


 


Mas não tenho rigorosamente nada contra a existência de um contrato que regularize as cláusulas contratuais de uma união entre pessoas do mesmo sexo, chame-se ela como se chamar, assim como também não tenho nada contra as uniões de facto. Quem se quer casar tem os direitos e os deveres consagrados num contrato civil que se designa casamento. Quem não quer esses deveres e esses direitos não se casa.


 


Também não me parece que este assunto do casamento entre homossexuais seja assim tão importante e premente na nossa sociedade para tanto se falar dele e para tanta urgência no debate de uma lei no parlamento.


 


Mas o que acho mesmo totalmente inaceitável é o PS ter votado a obrigatoriedade da disciplina de voto na votação de uma lei que regularize o casamento entre homossexuais, em vez de ter dado liberdade de voto aos seus deputados.


 


Qual o objectivo político, a coerência, a dignidade de tal decisão?


 


Isto é atingir o grau zero da política, para além de ser totalmente estúpido e incompreensível.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...