Hoje ouvi várias vezes o tom perplexo e preocupado de uma colega:
- O Zapatero disse que a Espanha entrou em recessão!
à qual respondi as mesmas vezes com o mesmo tom preocupado e perplexo:
- E a Islândia está à beira da bancarrota!
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Hoje ouvi várias vezes o tom perplexo e preocupado de uma colega:
- O Zapatero disse que a Espanha entrou em recessão!
à qual respondi as mesmas vezes com o mesmo tom preocupado e perplexo:
- E a Islândia está à beira da bancarrota!
Mais uma cerimónia de comemoração da implantação da República, com muito menos pompa e circunstância da evocação do Regicídio. Estamos em tempos de branqueamento e de revivalismo, menorizando uns actos revolucionários e enaltecendo outros.
Tudo isto tem muito pouco a ver com rigor e objectividade históricas, aproveitando-se as várias efemérides para recados e mensagens políticas, neste momento dos sectores mais conservadores da sociedade que, com a cambalhota dos capitalismos desenfreados e da entronização do Mercado, entidade tão ausente e abstracta com o etéreo mas que tem servido de justificação para enormes e pesados despedimentos colectivos quando as empresas deixam de ter lucros milionários, parecem encontrar-se sem norte nem rumo.
Mais uma vez o nosso Presidente Cavaco Silva dissertou sobre a crise e a verdade, sobre a fibra dos portugueses e a ética republicana. Nada de original, motivante ou galvanizador de qualquer vontade.
Vamos vivendo o dia a dia, recuperando a ideologia da poupança, da redução do consumismo e do Estado como regulador e benfazejo, mesmo para os que passaram as últimas décadas a exigir que tudo seja entregue à regulação do mercado e à sacrossanta e caridosa sociedade civil.
Mas o nosso Presidente, tão cinzento, monocórdico, igual a si próprio, prepara-se para liderar a oposição a Sócrates e à maioria socialista. À frente do PSD já se colocou a sua pupila dilecta, que pede audiências urgentes para saber a opinião da Excelentíssima Primeira Figura sobre a independência do Kosovo!
O que vale é mesmo tudo, até esse submundo blogosférico em que nos movemos, todos os dias bafejada com o sopro da higienização que vem dos lados do Abrupto e de mais alguns assépticos como ele, que se transformam em damas sofisticadas e de nariz sensível quando à sua volta tudo tem aspecto lamacento.
Felizmente, e ao contrário dos monárquicos, temos periodicamente oportunidade de mudar e escolher outro Presidente.
Viva a República!
Há quem consiga aliar o conhecimento científico e a vivência dolorosa e diária numa enfermaria com a arte de saber aprofundadamente de gastronomia, história e arquitectura de cozinhas, alimentação, enfim, tudo o que tenha a ver com garfadas, garfos e restantes talheres, restantes adereços, coreografias e protocolos, assim como de cozinhas, separação de espaços de comedores e de confecção alimentar, chaminés, lareiras, utensílios, etc.
Para além de uma evidente erudição é um gosto poder saborear este Garfadas Online.
Num blogue perto de si!
Casas das Câmaras a preços controlados, para particulares, que têm a particularidade de ter relações privilegiadas com qualquer dos Presidentes ou vereadores, amigos ou conhecidos - porquê?
Que haja a hipótese de conceder espaços que sejam património das Câmaras para associações desportivas e culturais, organizações várias sem fins lucrativos, que tenham um qualquer papel na vida social e cultural da cidade ou do país, tudo bem, desde que os critérios de atribuição sejam claros e transparentes, desde que haja possibilidade de concursos a esses espaços.
Mas porque é que esse património de apartamentos e casas para alugar não é feito com preços idênticos aos do tal mercado? Ou porque é que essas casas não são leiloadas?
Não há justificações que satisfaçam a não ser a contemplação da total promiscuidade entre o que deveria ser o acautelar dos interesses públicos e os interesses privados, as cunhas, os conhecimentos, os compadrios, enfim, a forma como tudo em Portugal se faz e se troca, um telefonema, um café, umas palmadas nas costas, e que já é tão normal que ninguém se espanta da tranquilidade de certas consciências.
Nunca percebi muito bem a necessidade do movimento de alguma esquerda no sentido de legalizar a união de pessoas do mesmo sexo na forma de casamento, contrato que regulariza a união entre pessoas de diferentes sexos, tal como também nunca percebi muito bem a necessidade de se transformar as uniões de facto em casamentos sem assinatura.
Mas não tenho rigorosamente nada contra a existência de um contrato que regularize as cláusulas contratuais de uma união entre pessoas do mesmo sexo, chame-se ela como se chamar, assim como também não tenho nada contra as uniões de facto. Quem se quer casar tem os direitos e os deveres consagrados num contrato civil que se designa casamento. Quem não quer esses deveres e esses direitos não se casa.
Também não me parece que este assunto do casamento entre homossexuais seja assim tão importante e premente na nossa sociedade para tanto se falar dele e para tanta urgência no debate de uma lei no parlamento.
Mas o que acho mesmo totalmente inaceitável é o PS ter votado a obrigatoriedade da disciplina de voto na votação de uma lei que regularize o casamento entre homossexuais, em vez de ter dado liberdade de voto aos seus deputados.
Qual o objectivo político, a coerência, a dignidade de tal decisão?
Isto é atingir o grau zero da política, para além de ser totalmente estúpido e incompreensível.
Algo de estranho se passa nalgumas terras por onde passámos.
Limoges parecia um local abandonado à sua sorte (que deve ser pouca). Ruas desertas, poucos transeuntes, lojas fechadas, obras de melhoramento de estradas paradas. À volta da Catedral ninguém; o largo estava ocupado por um parque de estacionamento. Havia umas placas a indicar um percurso de visita turística à cidade, mas os museus estavam fechados (às 17:30h).
Hoje decidimos passar por Cognac, mais ou menos a meio caminho de Bordéus. Pois estava tudo deserto e fechado, com numerosas placas indicativas de fábricas de conhaque, com uma rota do conhaque que nós fizemos, para dar com os narizes nas portas.
Pelo caminho, áreas enormes cobertas por vinhas, muito bem alinhadas, desenhando verdadeiras paradas militares, a régua e esquadro. Havia também numerosos campos de girassóis, mais uma vez com estranhas particularidades. Estavam secos, quase sem pétalas, escondendo uma cara enorme e desolada do sol. De certeza que nunca vi girassóis assim. Se calhar eram geneticamente modificados.
Oradour-sur-Glane era, até 10 de Junho de 1944, uma aldeia a cerca de 25 Km de Limoges.
Nesse dia, e em retaliação pela captura de um militar alemão pela Resistência francesa, os militares alemães massacraram 642 pessoas, a quase totalidade dos habitantes da aldeia, depois de terem separado os homens, que mataram em praças e ruas, das mulheres e crianças, que mataram na igreja, onde as tinham encurralado.
Para além disso, deitaram fogo à igreja e aos corpos, numa tentativa vã de esconderem o massacre.
Essa aldeia, vazia de gente de um dia para o outro, foi deixada a desmronar-se, erguendo-se as suas ruínas à beira da estrada como um terrível e extraordinário memorial do que significa a destruição da guerra.
Não há fotografias, filmes ou pesquisas na internet que substituam a presença num local como este. As casas esventradas, algumas janelas enferrujadas, por vezes utensílios de cozinha, carros amolgados, um silêncio cheio de vozes, gritos e sussurros dos fantasmas do passado.
Deveria ser obrigatória a visita a locais como este, espalhados pelo mundo inteiro, resultado das mais diversas guerras, umas mais antigas outras mais modernas, para que ninguém se esqueça do que é possível acontecer, daquilo que de inimaginável se torna realidade.
Oradour-sur-Glane - lembremo-nos.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...