14 setembro 2008

Fado Português


 


canta: Amália Rodrigues


(música de Alain Oulman; letra de José Régio)


 


O Fado nasceu um dia,

quando o vento mal bulia

e o céu o mar prolongava,

na amurada dum veleiro,

no peito dum marinheiro

que, estando triste, cantava,

que, estando triste, cantava.


 


Ai, que lindeza tamanha,

meu chão, meu monte, meu vale,

de folhas, flores, frutas de oiro,

vê se vês terras de Espanha,

areias de Portugal,

olhar ceguinho de choro.


 


Na boca dum marinheiro

do frágil barco veleiro,

morrendo a canção magoada,

diz o pungir dos desejos

do lábio a queimar de beijos

que beija o ar, e mais nada,

que beija o ar, e mais nada.


 


Mãe, adeus. Adeus, Maria.

Guarda bem no teu sentido

que aqui te faço uma jura:

que ou te levo à sacristia,

ou foi Deus que foi servido

dar-me no mar sepultura.


 


Ora eis que embora outro dia,

quando o vento nem bulia

e o céu o mar prolongava,

à proa de outro veleiro

velava outro marinheiro

que, estando triste, cantava,

que, estando triste, cantava.


 


 



canta: Dulce Pontes


(música de Alain Oulman; letra de José Régio)

11 setembro 2008

Presencial ou por correspondência

Manuela Ferreira Leite, depois do seu sepulcral e prolongado silêncio, resolveu opinar a propósito da proposta de alteração da lei eleitoral, segundo a qual os emigrantes deveriam votar presencialmente e não por correspondência, o que eu acho muitíssimo lógico.


 


O único argumento que lhe ouvi justificando a limitação das liberdades e garantias dos emigrantes portugueses, é a redução dos consulados e as grandes distâncias que os eleitores terão que percorrer par exercerem o seu direito.


 


Segundo esta notícia do DN, nas eleições legislativas de 2005 (...) A abstenção nos dois círculos eleitorais da Emigração situou-se nos 76 por cento. Dados do Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE) apontam para uma abstenção na ordem dos 69,5 por cento na Europa e de 81,7 por cento no círculo Fora da Europa.(...)


 


Será que Manuela Ferreira Leite está mesmo a falar a sério?

Desastrado regresso

Paulo Pedroso conseguiu dar vários tiros nos pés e nas mãos com a entrevista que deu.


 


A teoria do bloco central defendida por ele a mais de 1 ano das eleições demonstram bem a confiança que tem na vitória do PS e o que valoriza os projectos políticos, principalmente para quem se reclama da esquerda do PS. A não ser que pense que são muito parecidos, o que não deixa de ser estranho.


 


Não se augura nada de bom.

O mínimo democrático

Sarah Palin defende tudo o que eu acho indefensável, começando na educação sexual (ou ausência dela) e acabando no fanatismo religioso, com a defesa do ensino do criacionismo.


 


Resta perceber se Sarah Palin foi escolhida para candidata a Vice-Presidente por defender estas ideias ou por ser mulher. As sondagens parecem indicar que está a haver uma transferência de votos das mulheres brancas para o candidato republicano, após a escolha desta candidata.


 


O que nos leva à conclusão de que os americanos votam em mulheres brancas, ou homens negros, não votam nos seus projectos ou convicções. Tal como as eleições angolanas são aceitáveis para os observadores europeus e para a CPLP, apesar de todas as falhas e de todos os impedimentos à propaganda eleitoral, a compra de votos, a não credenciação de algumas organizações, apenas porque é em África e não num país europeu, como alertam várias vozes.


 


Que democracia estamos nós dispostos a aceitar?

11 de Setembro


11 de Setembro de 1973 - Chile


 


Há dias em que as armas, a fé, a ideia da única solução, do poder dos homens ou dos deuses esmagam a razão. É bom que os lembremos, a todos os que substituem a palavra pela morte, em nome de uma força que não têm.


 



11 de Setembro de 2001 - EUA

10 setembro 2008

Mais nada


(pintura de Jackson Pollock: one)


 


Senhora do alto destes muros

sinto o abismo que me chama

mais puro

mais só

mais nada.


 


Rodo nos braços do fogo

solta na esfera que me encanta

mais quente

mais vulto

que mente.


 


Esvoaço pela noite demolhada

nos lábios do vento que me beija

mais fome

mais lume

mais seja. 

08 setembro 2008

Riscos


(pintura de Dorata Mytych)


 


Inclino a caneta e risco o papel

única demonstração de carácter

recusando a neutralidade instalada.


 


Mesmo que a caneta não tenha já tinta

totalmente substituída por nervos

reconcilio um pouco a vontade de rasgar

de revolver a terra seca

dentro de mim.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...