08 junho 2008

Yes, We can!

 


 


Olhemos como olharmos, da esquerda, da direita ou do centro, os EUA são uma grande democracia.


 


Ao contrário do que no início da campanha se previa, Barack Obama é o candidato dos Democratas. Hillary Clinton passou de uma vitória quase certa para um discurso de saída da campanha com esta dignidade:


 


Children today will grow up taking for granted that an African-American or a woman can, yes, become the president of the United States


 


Espero que Barack Obama aproveite a ideia de Hillary Clinton, que já tem décadas, de prover uma cobertura de saúde a todos os cidadãos, alterando um paradigma de assistência médica totalmente desajustada daquilo que se espera de uma democracia que vela pelos seus cidadãos. 


 



 


O mundo só tem a ganhar com a reviravolta na política americana. Mas, já agora, que ganhe Obama.


 


 


 


(Nota: o link retirei-o daqui, e dali o vídeo completo)


 

07 junho 2008

Euro 2008


 


Mesmo odiando cada vez mais a histeria futebolística, lá vou eu deitar um olhinho ao jogo e torcer para que Portugal ganhe.


 


 



 

06 junho 2008

Cheques Saúde

Ora tão bem que o Bastonário da Ordem dos Médicos defende o SNS! Em vez de decidir quantos dentes ou que bocados de dentes se podem tratar, poderíamos ter a liberdade de escolher a metade da hérnia, o terço da hipertensão, ficando o resto para pagar a fisioterapia!

Alternativas a Sócrates

A entrevista de Manuel Alegre a Judite de Sousa, como aliás se demonstra por um pequeno excerto transcrito na Câmara Corporativa, é a prova provada de que não há alternativa à esquerda.


 


O triste é que Manuel Alegre está convencido que os votos que quase o levaram à 2ª volta das eleições presidenciais também se agregarão à sua volta para uma eventual coligação das esquerdas. Não há esquerdas credíveis e o Bloco de Esquerda usa a mesma retórica de Manuel Alegre, reciclada de moderno.


 


Quem fará parte de uma tal coligação de esquerdas? É transparente a ausência de ideias e de alternativas, pois quando se perguntam coisas concretas, as respostas são grandiosas com imensas palavras cheias de nada.


 


Se há alternativas à governação socialista elas estão à direita e não à esquerda. E é por isso que a movimentação do Bloco aproveita a situação, visto que não tem havido oposição ideológica à direita. Assim é fácil acusar o governo socialista de governar com capitalismo socialista.


 


Quanto à total lavagem cerebral sobre a grandiosidade da queda do governo, do descontentamento popular, da crise horrível que todos vivemos, dos maus ricos e dos pobres bons, obviamente encabeçados e organizados pelo PCP e engrossados por todos os descontentes de tudo o que aconteceu desde há 8 ou 10 anos, pela crise internacional, etc, lembro-me das grandiosas manifestações que o PCP mobilizava em 1974, das enormes quantidades de trabalhadores, operários e camponeses que marchavam contra todos os reaccionários (que eram todos os que não eram comunistas) e pela surpresa dos resultados eleitorais em 1975.


 


Vendo e ouvindo o que Joana Amaral Dias está a dizer no Expresso da Meia-Noite (outra personagem urticariforme, e quanto a arrogância, falta de humildade e retórica vazia…) continuo convencida que não há alternativa a Sócrates à esquerda. Pode haver alternativas a Sócrates, mas dentro do espaço ocupado pela esquerda socialista e moderna, onde não se inscreve o Bloco de Esquerda.

Regresso a casa

Sinto sempre uma desconfiança instintiva quando ouço falar de políticas de apoio à natalidade e à maternidade. Arrepio-me de cada vez que se enaltecem as qualidades das mulheres que cuidam dos seus rebentos, que quereriam estar em casa 6 meses, 8 meses, 12 meses, para amamentarem, para darem papas e banhos e para assistirem ao gatinhar, ao rir, ao andar dos seus rebentos.




Estranho a enorme quantidade de consultas a que têm que ir acompanhadas dos respectivos companheiros, quer eles queiram quer não, esperando horas infinitas para poderem ouvir os dois que o feto ainda na barriga da mãe tem que ter a companhia do pai, o amor, o apoio, enfim, toda aquela retórica que acompanha o amor e a educação primorosa que nos ensinam que é a correcta e única possível.




É claro que acho muitíssimo bem que quem quiser fique em casa a cuidar dos filhos. O que me parece é que, encapotada e subliminarmente, se vai fazendo de novo uma lavagem ao cérebro da sociedade ensinando às mulheres que a sua função primordial é procriar, amamentar e acompanhar os filhos, e que só o não fazem por razões económicas.




Se o tempo gozado em licença de maternidade fosse dividido entre o pai e a mãe, ambos teriam oportunidade de acompanhar os filhos e de prosseguirem as suas careiras profissionais. A coberto de um grande apoio social à família e à mulher, empurra-se de novo o género feminino para a sua função reprodutora, esquecendo que as mulheres são maioritárias no desemprego em geral e no desemprego de longa duração, em particular.




As políticas de apoio à natalidade deveriam ser igualitárias, com a existência de creches na proximidade dos locais de trabalho, horários em part-time, teletrabalho, tudo o que facilite a vida de quem tem filhos, mas em pé de igualdade para ambos os sexos. Em vez de se insistir para que os homens ajudem e acompanhem a gravidez das mulheres como uma obrigação, por vezes ridícula e sem justificação, olhando quem não o faz como um machista sem remédio, seria melhor que se insistisse na necessidade de os homens ficarem em casa metade da licença de parto, no acompanhamento dos filhos ao médico e aos infantários, na facilidade com que os podem alimentar, exactamente da mesma forma que as mães. E não condenar as mães que optam por dar biberão, que querem regressar ao trabalho rapidamente após o nascimento da criança, que também gostam de beber um copo com amigos ou colegas de trabalho ao fim da tarde, que adoram a sua independência económica, que não gostam de ficar em casa. Não são piores mães por isso.




E também se pode ter liberdade de escolher não ter filhos.




Depois da revolução da pílula, da conquista da independência económica e da realização profissional, a sociedade parece quer fazer sentir de novo que as mulheres têm uma obrigação imperiosa, da qual depende até a sobrevivência da espécie, de regressar a casa.


 


 


(Nota: este texto foi hoje publicado no Corta-fitas, respondendo a um amável convite do Pedro Correia. Espero que os corta-fiteiros não se desiludam. Obrigada.)

05 junho 2008

Personagens urticariformes

José Lello pode juntar-se a Vitalino Canas na galeria de cromos tristes e que causam urticária.

Radicalismo reciclado

Para quem lhe apetecer ficar embasbacado com o seu esquerdismo ou, pelo contrário, com o seu liberalismo, autoritarismo ou liberalismo, divirta-se a fazer este teste: political compass (retirado daqui).


 


Acho que já o fiz há uns anos, e parece-me que estou cada vez mais radical...


 


 


The Political Compass

Economic Left/Right: -6.75 Social Libertarian/Authoritarian: -5.33

 


Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...