05 junho 2008

Público e privado

Há uma coisa (se calhar até há mais) em que estou em total acordo com Manuel Alegre: no facto de se diabolizar o público e de se endeusar o privado.


 


O estado tem um papel essencial nas sociedades democráticas modernas e determinante no assegurar de igualdade de oportunidades em sectores de sobrevivência, coesão e solidariedade sociais. O discurso neoliberal de tudo privatizar e tudo confiar à sociedade civil, transforma um dever social em caridade de ricos para os pobres, transforma a sociedade num grupo de classes que se perpetuam.


 


Mas não aceito as críticas do economicismo deste governo. É absolutamente indispensável rentabilizar e melhorar a qualidade, a eficiência e a produtividade dos serviços públicos, porque é para eles que todos os anos pagamos impostos. E a falta de eficiência e o desperdício são o que de pior podemos fazer se defendemos o estado com garante e detentor de funções como a segurança, a justiça, a saúde e a educação.

O destino

Na entrevista que Manuel Alegre está a dar a Judite de Sousa apenas se percebe que acha o governo insensível. Parece-me pouco para tanta discordância.


 


Também fala dos deserdados e do emigrantes. E do destino.

04 junho 2008

Transparências


(fotografia de Don Moorcroft: Shadows with Leaves


 


 


1.

Transparências opacas e densas

por entre o brilho enganador da luz difusa

ofusca e cega.

Atiro-me contra o vidro

quero chegar ao outro lado.

Estou só.




2.

Escrevinho vagarosamente letras

sem tinta

sem dedos

não as consigo entender.




3.

Não sei porque espero que o mundo goste de mim

se eu gosto do mundo

mas pouco

cada vez menos

este mundo que eu própria reduzo e encolho.




4.

Esvaziei a minha secretária.

Não vale a pena cobrir de papéis

a sombra dos dias que não passam.

Que esquerdas?

Manuel Alegre defende que a intervenção política, como intervenção cívica que é, não pode nem deve esgotar-se nas organizações partidárias.


 


Completamente de acordo, apoiei a sua candidatura independente à Presidência da República e o Movimento de Intervenção e Cidadania, como um espaço de intervenção política de quem não se revê em qualquer partido político em particular, ou não gosta da disciplina ou da vida partidária e, memo assim, gosta de debater ideias e dar o seu contributo, na medida do que sabe e pode.


 


Manuel Alegre tem tido uma postura crítica a várias medidas deste governo e tem defendido publicamente uma governação socialista mais à esquerda. Ora Manuel Alegre pertence ao Partido Socialista, é um dos seus fundadores e, segundo Ana Gomes, membro da Comissão Nacional do PS. Espera-se que Manuel Alegre defenda as suas posições nos órgãos legítimos do seu partido, para além de o fazer para o resto da comunidade.


 


Por outro lado, ao juntar-se numa reunião/comício ao Bloco de Esquerda e Reformadores Comunistas, dizendo que os portugueses estão arrependidos de ter votado no PS e reclamando-se contra o novo capitalismo socialista, depreendo que está contra a votação no PS nas próximas eleições.


 


E, nesse caso, para além de ser importante que clarifique quais as políticas e os valores de esquerda que iria promover em vez das que têm sido desenvolvidas, conviria também que esclarecesse se será protagonista de algum movimento associativo/ coligação partidária ou de tendências de outra esquerda nas próximas eleições. Advoga a votação noutros partidos/coligações que não no PS? Qual o seu programa, qual a sua equipa?


 


É que não basta dizer frases interessantes, não basta reafirmar-se como defensor de valores de esquerda sem que explicite o que e como quer promover essas políticas. Não basta dizer que se é solidário com os emigrantes e com quem sofre, mas quais as políticas para reduzir o desemprego, como vai redistribuir a riqueza, como vai ter um SNS sustentável, quais as políticas para melhorar a Escola Pública, mas concretizando, não apenas mostrando boas intenções e boa vontade.


 


Não sei se Manuel Alegre tem agendas escondidas ou se pensa nas próximas eleições presidenciais. Tenho dele uma ideia de generosidade e dedicação a causas diferente destes calculismos. Mas não me parece que Manuel Alegre esteja a prestar um bom serviço à esquerda democrática.




O país e o mundo evoluíram e não é agitando as bandeiras do que significou o socialismo democrático há 30 anos que asseguramos uma melhoria na qualidade de vida e na assistência social às populações. Não me revejo nas críticas de capitalismo socialista deste governo, nem me revejo naqueles que querem colar a governação socialista à direita. E talvez agora, que o PSD ameaça poder vir a cumprir ligeiramente melhor o seu papel de oposição, se comece a perceber as diferenças que sempre existiram.


 


 


31 maio 2008

Eleições no PSD

Parece que ganhou Manuela Ferreira Gomes (37,6%). Penso que o debate político pode melhorar um pouco, mas aceitam-se apostas quanto à data das próximas eleições no PSD.


 


Luís Filipe Menezes foi de uma deselegância profunda, para não dizer de uma canalhice sem igual. Santana Lopes (29,82%) está no seu melhor, dizendo muitas frases que não significam nada, a não ser que vai continuar por aí.


 


Pedro Passos Coelho (31,07%) posicionou-se para mais daqui a pouco. Para depois das próximas eleições legislativas.


 


Ninguém percebeu muito bem o que esteve lá a fazer Patinha Antão (0,7%). Acho que nem ele mesmo sabia.


 


 


Esperam-se as doutas palavras de Alberto João Jardim. Será para agora a independência da Madeira?

Telefonemas de felicitações

Não deixa de ser risível o cuidado com que os candidatos perdedores afirmam, rapidamente e em público, que já telefonaram aos candidatos ganhadores para os felicitar.

Revista de imprensa

Três notícias interessantes:



  1. Directas PSD: Manuela Ferreira Leite lidera contagem de votos - Público online

  2. Caso Berardo envolve nata política da Madeira - Sol online

  3. Um pescador e um polícia feridos em confrontos - Jornal de Notícias online

     

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...