08 março 2008

Fala comigo

Posso ler nos teus olhos
o desejo o abandono, posso
até reconhecer as mãos que me cercam
acariciam, agridem, essas mãos de mar.

Fala comigo, meu amor,
diz-me das luas e dos medos
do sentido das bocas unidas
das horas de pele
do que sou por te querer.



(Hable con Ella, Pedro Almodover)

Direito à indignação

O direito à indignação é um direito individual e colectivo, consagrado nas sociedades democráticas, que celebra a liberdade de expressão de pensamento.

Nesse sentido reconheço o direito à indignação de todas as pessoas que discordem deste governo, ou doutros, de se manifestarem, gritarem palavras de ordem, pedirem demissões e mudanças de políticas, ameaçarem com novas formas de luta, etc.

Todos os responsáveis políticos sabem que devem enfrentar com verdadeiro espírito democrático todos estes confrontos, pois o controlo da acção governativa, efectuado pelo Presidente, pelo Parlamento, pelos jornais, pelas televisões, pelas rádios, pelos Sindicatos e pelas associações de cidadãos, ou por cidadãos individuais é essencial à sobrevivência da democracia.

Mas o direito à indignação não acaba quando se é detentor de um qualquer cargo de responsabilidade no governo. E o facto de quem é ministro, ou de quem se manifesta e defende as políticas de um governo democraticamente eleito, ter que ouvir com sorrisos rasgados insultos, assobios, vaias e gritos de vai-te embora, de cada vez que assoma à rua, não me parece que seja um exercício de democracia, mas sim um exercício de má educação e falta de civismo, manobras de arruaceiros e de agitadores profissionais.

Foi descabido o puxar dos galões de combatente pela liberdade feito por Augusto Santos Silva, pois a liberdade constrói-se todos os dias. Mas se a um qualquer desses manifestantes lhe fizessem o mesmo, ou lhe chamassem grande puta, como alguns se gabam de já o ter feito à ministra da educação, não teriam o direito de se sentir indignados? Ou será que vem com o cargo - perder o direito a indignar-se?

Dias mundiais

Sou pela igualdade respeitando as diferenças entre géneros, raças, gerações, culturas, religiões.

Para isso é necessário que as tarefas sejam distribuídas de forma igual e proporcional, as responsabilidades partilhadas, os direitos e os deveres assumidos da mesma forma, quer pensemos em filhos, profissão, manutenção doméstica, apoio aos mais velhos, atenção e respeito.

Os dias nacionais mundiais ou intergalácticos pouco acrescentam. Eu quero ser tratada com a dignidade que se deve a qualquer pessoa, homem ou mulher, branco, negro, amarelo ou azul às riscas, genial ou mediano, saudável ou doente, cristão, budista, muçulmano, ateu ou agnóstico, rico ou pobre.

Quero ter acesso aos mesmos cuidados de saúde, às mesmas oportunidades de aprendizagem e formação, às mesmas oportunidades de emprego e salariais, às mesmas reuniões de amigos ou profissionais, às mesmas noites a cuidar dos filhos, aos mesmos almoços familiares, às mesmas visitas a lares, a tudo, da mesma forma e com as devidas adaptações a cada um pela sua identidade única e inigualável.

(pintura de Pierre Merckl: situation sketche 6)

Terrorismo mata

O terrorismo tem tempos diferentes, mas resultados comuns: mata. Umas vezes depressa, outras devagar.

Liberdade de manifestação

As manifestações, contra ou a favor dos governos, são formas perfeitamente legítimas e democráticas de os cidadãos se exprimirem.

Por isso, as tentativas de intimidação dos que querem participar, ou dos que não querem participar são absolutamente intoleráveis.

Revista de imprensa

No Público de hoje, Pacheco Pereira pergunta se os professores estão dispostos a continuar a luta iniciada hoje, na rua, com uma greve dura, por tempo indeterminado; Vasco Pulido Valente acha que os professores não devem ser avaliados.

Curiosidades

Há uma curiosidade muito grande que eu tenho e que não sei como satisfazer:
  • quantos dos dirigentes políticos que estão contra estas reformas, esta ministra, que estão solidários com a revolta dos professores, que pensam que são necessárias reformas mas não estas, que já ocuparam cargos de responsabilidade política e técnica, desde os professores, aos dirigentes sindicais e políticos, comentadores e jornalistas, têm ou tiveram os filhos na Escola pública que esta Ministra tanto tem maltratado? E quantos os que estão de acordo com estas reformas?
  • por exemplo: José Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues, Valter Lemos, Jorge Coelho, Helena Roseta, Manuel Alegre, Ana Benavente, José Pacheco Pereira, Luis Filipe Menezes, Durão Barroso, Paulo Rangel, Santana Lopes, Helena Lopes da Silva, Francisco Louçã, Ana Drago, João Semedo, Maria José Nogueia Pinto, António Lobo Xavier, Nuno Melo, Paulo Portas, Mário Nogueira, Paulo Sucena....

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