13 janeiro 2008

Petições - a defesa do SNS

Através do MIC tomei conhecimento de uma petição que recolhe assinaturas, em defesa do SNS. Essa petição já terá recolhido as assinaturas de António Arnault, que classifica a política de Correia de Campos de ultraliberal, de Pedro Nunes, o auto suspenso Bastonário da Ordem dos Médicos, e de Manuel Alegre, que já apelidou de grave erro político a reforma das urgências.

Embora tenha pesquisado na Internet, não tive ainda acesso ao documento, o que muito estranho, pelos vistos uma iniciativa do Bloco de Esquerda. Não percebo porque é que primeiro se avança com nomes emblemáticos e depois com o conteúdo do texto. Ou seja, até percebo, mas não gosto.

Lamento que António Arnault e Manuel Alegre dêem suporte político a esta campanha de desinformação que, isso sim, está a delapidar a confiança que os cidadãos têm no SNS.

Quais as medidas ultraliberais a que se referem?
  • À reorganização dos SU que pretende reduzir a procura desnecessária a um serviço qualificado e que pretende possibilitar o acesso a esse serviço qualificado a quem só tem acesso a serviços desadequados a situações de urgência?
  • À reorganização dos cuidados primários de saúde, de modo a assegurar que todos os cidadãos possam ser observados e consultados em tempo útil em consulta externa, preferencialmente com o seu médico de família, em vez de engrossarem as urgências hospitalares?
  • A uma reorganização dos blocos de parto que garanta a todas as mulheres e nascituros serem atendidas em espaços condignos e por profissionais com competência e experiência que lhes garantam qualidade no parto?
  • À tentativa de controlo de assiduidade e de pontualidade dos profissionais que trabalham no SNS?
  • À tentativa de reduzir os conflitos de interesse entre quem trabalha no sector público e privado?
  • Ao aumento das vagas nos cursos de Medicina?
  • Ao aumento das vagas na especialidade de Medicina Familiar?
  • À tentativa de contenção de gastos em medicamentos?
  • Ao incentivo da prescrição de genéricos?

Estou com muita curiosidade em conhecer o texto da petição. Mas as frases que vão caindo só servem para aumentar a minha reserva.

GPS

Sou uma nova mulher, aventureira e destemida. Tenho um TomTom, pequeno, fiel, discreto, o meu anjo da guarda nas estradas, que me indica o caminho e me corrige mesmo quando lhe obedeço.

Há uma nova vida que me espera, novos e arrebatados mistérios na condução.

A tentação de Santo Antão

Por mais que tente escapar-me
com meneios de felino,
de nada vale esse charme:
não tarda e quino.

A pouco e pouco conheço
o tilintar do meu sino
e o pus do abcesso:
não tarda e quino.

Abro os olhos devagar
e a mim mesmo previno
preparado para os fechar:
não tarda e quino.

Estas visões que abomino,
tudo o que acordo e alucino
dos sonos maus de menino,
tudo o que mal descortino
se torna luz e ensino
num destino contínuo:
não tarda e quino.

(poema de Pedro Tamen; pintura de Hieronymus Bosch: as tentações de Santo Antão)

Instantes

Guardo as mãos
em momentos vazios
que preenchem mundos.

Fazem falta para voar
para amassar a terra em que pousam
os instantes de luz.

(pintura de Linda Frances: Ancient and Modern Earth Cycles)

Chuva miudinha

De vez em quando, mesmo em dias tão húmidos e cinzentos que chegamos a duvidar da prodigalidade da natureza, também há notícias que nos animam.

O livro de Pedro Tamen, Analogia e Dedos, é muitíssimo bom e foi justamente distinguido com um prémio.

Na crónica de Nuno Brederode dos Santos dizem-se coisas lúcidas e justas. A entrevista que dois dos responsáveis do CTPRU (António Marques - H. Santo António; José Manuel Almeida - CHC) deram ao Público aponta exactamente os problemas e as necessidades da reforma das urgências, as posições políticas que faltam para continuar. Infelizmente não é isso que faz manchetes nem que se discute nos grandes formatos televisivos. E mais uma coisa: não conheço todos os médicos que fazem parte do CTPRU mas os que conheço não são burocratas de escritórios ou secretarias, são pessoas que trabalham e são responsáveis por serviços de urgência, que conhecem por dentro as insuficiências e distorções existentes.

12 janeiro 2008

I hope that I don't fall in love with you

Well I hope that I don't fall in love with you
'Cause falling in love just makes me blue,
Well the music plays and you display your heart for me to see,
I had a beer and now I hear you calling out for me
And I hope that I don't fall in love with you.

Well the room is crowded, people everywhere
And I wonder, should I offer you a chair?
Well if you sit down with this old clown, take that frown and break it,
Before the evening's gone away, I think that we could make it,
And I hope that I don't fall in love with you.

Well the night does funny things inside a man
These old tom-cat feelings you don't understand,
Well I turn around to look at you, you light a cigarette,
I wish I had the guts to bum one, but we've never met,
And I hope that I don't fall in love with you.

I can see that you are lonesome just like me,
And it being late, you'd like some company,
Well I turn around to look at you, and you look back at me,
The guy you're with has up and split, the chair next to you's free,
And I hope that you don't fall in love with me.

Now it's closing time, the music's fading out
Last call for drinks, I'll have another stout.
Well I turn around to look at you, you're nowhere to be found,
I search the place for your lost face, guess I'll have another round
And I think that I just fell in love with you.

(Tom Waits: I hope that I don't fall in love with you)

O problema

O problema maior é a sensação de que tudo é decidido por circunstâncias, pressões, conveniências e arranjinhos. O problema maior é a sensação de que os estudos, as ideias, os objectivos, as estratégias, as visões, não existem.

O problema maior é que já nem o vemos como um problema. Encolhemos os ombros e abanamos tristemente a cabeça, e continuamos com a nossa vida, avolumando-se nas nossas cabeças frases velhas, azedas, frustradas e descrentes.

O problema maior é mesmo nem querermos saber qual é o problema.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...