04 janeiro 2008

Toque a reunir

A pressão para a demissão do ministro da saúde continua. As televisões abrem todo os dias os telejornais com peças longuíssimas sobre os encerramentos das urgências. O que está a dar agora é Anadia.

Veremos se José Sócrates defende o interesse público ou se verga à pressão do público.

02 janeiro 2008

Enguia

É difícil ser-se mais enguia sorridente que Vitalino Canas, o eterno porta-voz do PS. Em tudo está de acordo com o Sr. Presidente, e em tudo o governo tem as mesmas preocupações que o Sr. Presidente, e em tudo o PS tem as mesmas preocupações que o Sr. Presidente.

Oráculo (2)

Seria importante que os portugueses percebessem para onde vai o País em matéria de cuidados de saúde. Poderiam, assim, avaliar melhor aquilo que tem sido feito.

Este recado do discurso Presidencial (destacado meu) era destinado ao editorialista do Público, Manuel Carvalho, que não está atento aos pormenores que interessam.

Oráculo (1)

Perante as dificuldades de crescimento da nossa economia, perante a angústia daqueles que não têm emprego e a subsistência de bolsas de pobreza, devemos concentrar-nos no que é essencial para o nosso futuro comum, e não trazer para o debate aquilo que divide a sociedade portuguesa.
Não desviemos as atenções do que é verdadeiramente importante.


Para mim é este o excerto do discurso de Cavaco Silva em que é presidencialmente vetado o referendo ao Tratado de Lisboa.

Tenho jeito, não tenho?

Outro Oráculo.

01 janeiro 2008

À esquerda

Como diz José Teófilo Duarte (Uma outra economia), sempre que Cavaco Silva fala andam todos à cata de divergências com o governo.

O Presidente fez um discurso apelando ao trabalho e à responsabilidade de todos, referiu-se à melhoria dos indicadores económicos, ao aumento do desemprego, ao aprofundamento do diálogo, à falta de justiça, à necessidade de melhorar a educação, ao esclarecimento do rumo da política de saúde, às desigualdades na distribuição da riqueza.

Esse foi mesmo o único ponto onde o Presidente foi bastante explícito: são indecorosos os ordenados dos directores de algumas empresas.

Pediu rigor, estudo, responsabilidade e transparência, solidariedade. Fez um discurso inclinado para a esquerda.

Adenda: aqui está o discurso de Cavaco Silva.

Tempo

1.
Guardei o badalo.
Não interessam os sons dos segundos que passam
mas as linhas de força que se desenham
entre segundos e tempos de espera
em socalcos de vento sementes e pedras.

2.
Guardo o teu nome e gravo a boca
nas mãos que me adoçam o corpo.
Entre as vidas que escrevemos
somamos luzes sem fim
o que podemos reter
na intemporal capacidade
de amar.


(pintura de Joseph Donaldson, Jr.: always will lovers meet)

Demagogia e populismo na informação

O editorial do Público de ontem, assinado por Manuel Carvalho (não acessível online), é um dos textos mais demagógicos e populistas que tenho lido ultimamente.

Todos os protestos das populações fazem sentido, por isso é que é tão importante capitalizar esses protestos, encaminhar e dar visibilidade quando interessa, neste caso, aos opositores desta política de saúde, que transbordam em muito a lógica partidária.

A reorganização dos serviços de urgência, assim como das maternidades e blocos de parto é absolutamente indispensável, como aliás vêm dizendo, desde há anos, todos os intervenientes no sector, partidos políticos, Presidentes da República, Bastonários da Ordem dos Médicos, etc. Manuel Carvalho acha que por muita objectividade que tenham os números da comissão que estudou o quadro dos encerramentos de serviços, por muita racionalidade que haja nas suas conclusões, a proposta que sai das suas conclusões é típica de burocratas sem ligação à terra, e já tinha afirmado, no mesmo texto que De pouco vale (…) denunciar a evidência dos blocos de partos sem condições e de urgências sem utentes suficientes para garantir a qualidade dos serviços. São pormenores.

Pois esses são os pormenores que contam para quem necessita de cuidados urgentes de saúde ou de atendimento na hora de parir: ter a garantia de que o faz com pessoal qualificado, em boas condições e de segurança. A decisão de quais os serviços a encerrar e quais os serviços a transformar é obviamente política. E se há coisa que tem corrido mal é a gestão política destes assuntos, com grande responsabilidade do Ministro da Saúde.

Mas não se podem defender estudos técnicos para avalizar decisões políticas e chamar burocratas aos que o fazem, quando as suas conclusões não são de molde a servir outro tipo de interesses. Tal como já aconteceu com a co-incineração, tal como está a acontecer com a localização do novo aeroporto.

É indispensável a avaliação destas medidas e da acessibilidade dos doentes aos serviços de referência, a existência, qualidade e prontidão dos serviços de transporte, assegurados pelo INEM ou pelos Bombeiros Voluntários, a existência ou não de pessoal qualificado e em número suficiente. Se calhar, tal como no caso dos fechos das escolas que tanto brado deu há cerca de 1 ano, os autarcas deveriam ter esse cuidado e essa preocupação, em vez de assumir a desprotecção das populações pelo engano de um atendimento que não tem condições para tratar qualquer situação verdadeiramente urgente, e que terá que enviar o doente, com atraso, para o serviço de urgência mais próximo.

As situações que não são urgentes devem ser tratadas em consultas, que devem estar acessíveis nos centros de saúde, ou nas unidades de saúde familiares, em horários que sirvam as populações.

Respondendo ao comentário de JRD num outro post, aos serviços públicos cabe assegurar a existência de saúde para todos, em igualdade de circunstâncias, com a qualidade a que todos têm direito, segundo o estado da arte nas diferentes áreas do conhecimento médico. Para isso se reformam serviços que estão desadaptados e desadequados às alterações das populações em termos de demografia.

A desertificação do interior só será travada se houver políticas de desenvolvimento regional, que crie empregos, trabalho, que prenda as pessoas a um determinado sítio pela possibilidade de aí subsistir. Não é a manutenção de uma escola quase sem alunos, ou de um posto de saúde sem médicos, sem enfermeiros, sem técnicas complementares de diagnóstico e sem doentes que reduz a desertificação. Por isso defendo a regionalização.

O combate político passou dos partidos para os jornais. Não tenho nada contra mas era mais honesto que os jornais assumissem claramente qual a sua orientação política. E, já agora, estudassem os assuntos e fizessem política de verdade.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...