Há dias que ficam marcados pelas primeiras notícias, outros que ficam marcados por algumas notícias.Ingrid Betancourt fez 46 anos a 25 de Dezembro. Há vários anos em cativeiro, esta combatente pela liberdade e pela democracia esvai-se nas caminhadas, na falta de tudo o que nós damos por garantido. Todo o dia me acompanharam as palavras húmidas da mãe, as palavras doloridas, quase resignadas dela própria, escritas na última prova de vida.
Hoje, numa pausa entre vários assuntos de trabalho, li nos jornais online que Benazir Bhutto tinha sido assassinada, ao mesmo tempo ou depois de um atentado suicida. Finalmente conseguiram calar uma voz incómoda, reduzir a nada as eleições que estavam marcadas para Janeiro e elevar outra vez ao rubro a tensão naquela parte do mundo.
Será que o regime democrático está agonizante? Há um recrudescimento dos fundamentalismos, da violência como arma política, do primado despudorado do poder económico, do dinheiro, proveniente de negócios escuros e pantanosos, do tráfico de armas, de bens, de pessoas, de drogas.
O que se está a passar, ou já se passou, com o BCP é assustador. Não porque chegamos à conclusão de que a corrupção é uma constante nas esferas onde se trocam dinheiro e influências, mas porque percebemos que só se sabem e só se comentam estes casos porque alguém resolveu dar informações a outro alguém e não porque há moralidade, ética ou, em última análise, justiça.
Os negócios políticos entre o PS e o PSD estão agora a dar os seus frutos. Os acordos de cavalheiros em que se mexe ou não em determinados assuntos, para assegurar que eles e só eles partilham o banquete de príncipes, determinam distorções da representatividade democrática e dos direitos de cidadania, ao acabarem com os partidos que têm menos de 5000 assinaturas. Ninguém percebe qual é a justificação para esta medida ou seja, todos percebem que é injustificável.
Amorfos e adormecidos pelas festas de quem não sabe festejar, vamos levando o dia a dia, cada vez mais a preto e branco, crentes ou ateus na nossa impotência.
Assim foi 2007, e assim será 2008. Ou não?
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